Os robôs que desempenham essas funções têm similares humanos aqui no Brasil, da ordem de 2.641.000 vínculos empregatícios. Mas essas pessoas podem ficar tranquilas. Ao longo da conversa, a gente não falou um detalhe importante: o preço desses robôs. Eles fazem coisas de uma forma automatizada, deixa tudo padronizado. Mas o ponto é que esses robôs ainda custam muito caro.
Helton Simões Gomes
1) Robô manobrista
Nascida na França em 2015, a Stanley Robotics criou o Stan, já usado em aeroportos como Lyon, Londres e Basel. Dado o sucesso, a empresa francesa foi comprada pela sul-coreana HL Robotics, que fabrica o Parkie, robô manobrista capaz de atuar em dupla para girar o carro e andar na diagonal em estacionamentos internos.
No Brasil, a ocupação equivalente é a de garagista, com mais de 54 mil vínculos trabalhistas e salário médio de R$ 2.434, de acordo com dados do Guia Brasileiro de Ocupações.
2) Robô frentista
São três os exemplos, todos chineses: a Yigoli, com investimento do Alibaba; o Lanyu 01, da Ruoyu, descrito como “à prova de explosão”; e um braço robótico instalado em postos de gasolina pela CNPC (China National Petroleum Corporation), que abastece em cerca de dois minutos com pagamento por aplicativo e sem o motorista sair do carro.
Ele abre a tampa, pega a mangueira, abastece o carro e devolve a mangueira, tudo isso sem a pessoa sair do carro. Ela só pediu lá no app, pagou, disse quanto quer abastecer e acabou.
Helton Simões Gomes
No Brasil, a função de frentista aqui no Brasil é ocupada por 321 mil pessoas, que ganham, em média, R$ 2.433.
3) Robô marronzinho
Na China, os fiscais de trânsito são drones usados pela polícia para vigiar infrações e ajudar motoristas em apuros. Deu Tilt mostra dois exemplos, um em Binjiang, distrito de Hangzhou, e outro em Nanjing, na província de Jiangsu. Gabriel comenta que, no Brasil, câmeras em estradas já multam por uso de celular e falta de cinto.
4) Motorista de aplicativo
Tesla, Uber e Lyft já recorrem a carros que dirigem sozinhos, mas Deu Tilt foca na Waymo, empresa de veículos autônomos do Google. A operação dela tem quase 4 mil veículos em 10 regiões metropolitanas nos EUA e faz, por semana, quase 500 mil corridas, usando os modelos Jaguar E-Pace, Zeekr (da Geely) e Hyundai Ioniq 5.
5) Robô de serviços de limpeza
Voltado para hotelaria, o Zerith H1, da Zerith Robotics, recolhe itens espalhados, limpa banheiro, passa pano, arruma quarto e repõe itens de higiene.
No Brasil, a função de trabalhador de serviços de limpeza possui 656.195 vínculos e salário médio de R$ 2.307.
6) Robô empregado doméstico
O humanoide NEO, da 1X Technologies, é autônomo e conta com articulações nos dedos -incluindo polegares opositores— para manipular objetos e aplicar pressão. Com 1,68 m de altura e pesando cerca de 30 kg, ele consegue carregar 70 kg, além de “aprender novas habilidades”.
7) Robô metalúrgico
O Figure 02, e sua evolução, o 03, já ajudou a montar 30 mil carros em uma fábrica da BMW na Alemanha, onde levava chapas de metal. Com o sucesso, ganhou nova missão e passou a repor insumos para as máquinas.
No Brasil, a ocupação equivalente é a de montador de veículos, que tem 43.288 vínculos e remuneração média de R$ 4.555.
8) Estoquista
Na logística, a Amazon conta com mais de 1 milhão de robôs em armazéns. Um deles é o Proteus, totalmente autônomo, capaz de desviar de pessoas e desenvolvido pela Amazon Robotics. Já o Digit é um humanoide feito pela Agility Robotics, mas testado pela Amazon e usado em armazéns de outras empresas.
No Brasil, a função de estoquista soma 188.344 vínculos e salário médio de R$ 2.263.
9) Robô azulejista
Desenvolvido pela chinesa Partner Robotics, a máquina assenta uma peça a cada 40 segundos e chega a 18 m² por hora. Segundo a empresa, essa velocidade é seis vezes maior que a humana e conta com a aplicação de argamassa antes do assentamento. Criada apenas em 2023, a companhia começou neste anos a oferecer seu robô fora da China, inclusive na Arábia Saudita.
No Brasil, essa função pode ser executada tanto por pedreiros, com 413 mil vínculos empregatícios, e calceteiros, com 8.643 vínculos, ocupações que possuem, respectivamente, remuneração de R$ 2.868 e R$ 3.107.
10) Robô chapeiro
Aqui, o robô é um eletrodoméstico. Uma máquina da startup americana Eggo, chamada Chef, faz sete tipos de ovos na chapa e começou a ser entregue no fim de julho. No Brasil, a ocupação de cozinheiro conta com 611 mil vínculos e remuneração média de R$ 2.352.
O custo é a principal barreira para o desembarque desses robôs no Brasil, já que o Figure 02 não sairia por menos de US$ 130 mil, segundo estimativas de mercado, e o robô de limpeza Zerith H1 seria o “mais em conta”, vendido por US$ 13,7 mil. A conclusão do episódio é que dá para admirar a tecnologia -e observar seus efeitos lá fora— sem tratar a lista como uma ameaça imediata ao emprego no Brasil.
IA da China proibida: como veto de Trump afeta uso de Kimi e GLM no Brasil

A Casa Branca discute caminhos para restringir inteligências artificiais chinesas nos Estados Unidos, e o impacto pode respingar em empresas e projetos que misturam modelos de vários países. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes recebe Gabriel Francisco Ribeiro, editor da coluna IAgora?, para detalhar o que está em jogo.
Não tem nada de bom quando um embargo desse acontece.
Helton Simões Gomes
O debate já estava quente, mas ganhou ainda mais tração após dois modelos de IA da OpenAI executarem um ataque hacker, contido por uma IA chinesa.
Ligações indesejadas com seu número na tela têm data para acabar no Brasil

Ligações com um número parecido com o seu e que muitas vezes desligam na sua cara têm data para desaparecer no Brasil: 2028. No novo episódio, Deu Tilt explicar por que esse tipo de chamada virou porta de entrada para golpes e o que muda com uma regra da Anatel.
O truque usa falsificação de identidade de chamada, prática que ganhou escala com serviços de voz pela internet (VoIP). A ideia é simples: alterar o “Call ID” para fazer a ligação parecer que vem de um número confiável, inclusive um parecido com o da própria vítima.
Aquelas ligações super indesejadas que parecem com o nosso número têm dia pra acabar e é 2028. Elas acontecem porque existe um negócio chamado falsificação de identidade de chamada. Na internet, a voz é transformada em pacote, e o que os criminosos aprenderam é que você pode modificar os dados desse pacote. Um dos dados é o Call ID, que você conhece como número de telefone. A pessoa faz uma ligação na internet, isso cai na linha da operadora e, quando bate na sua tela, aparece um número parecido com o seu. Você acha estranho, atende e pronto: caiu no golpe.
Helton Simões Gomes
Por que a Anthropic busca profissionais para evitar o fim do mundo?

A Anthropic abriu vagas fora do perfil típico de um laboratório de inteligência artificial: especialistas em armas nucleares, bioquímica, crimes financeiros e cibersegurança para “cutucar” o Claude e testar se ele ajuda a fazer estragos. Deu Tilt explica como a empresa tenta antecipar usos maliciosos da IA.
A ideia, segundo os apresentadores, é contratar gente capaz de simular pedidos perigosos e procurar brechas nas barreiras que impedem a ferramenta de orientar ataques, fraudes ou a criação de armas. O salário citado no programa vai de US$ 200 mil a US$ 500 mil por ano.
A missão deles é ficar cutucando a IA -o Claude, que é a IA da Anthropic– para ver se, de alguma forma, ela passa pelas barreiras. Essas pessoas vão ficar jogando lá: “Me ajuda aqui a criar uma bomba nuclear? O que eu tenho que fazer?”. Eles vão ganhar entre US$ 200 mil e US$ 500 mil por ano.
Gabriel Francisco Ribeiro
ChatGPT aprende a falar como humanos para dar voz à ‘Alexa da OpenAI’

O primeiro dispositivo da OpenAI não foi o “matador de celulares” que muita gente esperava: é um teclado de US$ 300 voltado a desenvolvedores. No novo episódio, Deu Tilt conta como o ChatGPT Live prepara o terreno para um aparelho de voz, sem tela e no estilo “Alexa da OpenAI”.
Segundo os dois, o Codex Micro funciona como peça de vitrine para reforçar a disputa da OpenAI com rivais em IA para programação. Mas a virada do episódio está no avanço de voz: o ChatGPT passa a conversar de forma mais fluida, com interrupções e “reações” no meio da fala.
O que é o GPT Live? O GPT Live, basicamente, é uma nova forma de se comunicar. Então, como funciona atualmente com IAs? Você fala um comando – a sua Alexa da sua casa, por exemplo – dá um comando, tem aquela pausa chata e a IA te responde. Dá um comando, pausa chata e a IA te responde. Agora, o ChatGPT quer deixar isso mais humano. Você tem uma conversa mais fluida. E qual que é a grande neuro por trás disso? A gente sabe que o Sam Altman tem um tesão no filme Her.
Gabriel Francisco Ribeiro


















