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Em passagem pelo Rio para participar do Rio2C, o executivo Eric Schrier, presidente de Disney Television Studios e responsável pela estratégia de produções originais da companhia em 25 países, reservou um tempo para conversar com VEJA sobre o papel crescente do Brasil dentro da operação internacional da empresa.
Em um momento em que as plataformas de streaming disputam audiência em mercados cada vez mais fragmentados, Schrier afirma que o Brasil deixou de ser apenas um território consumidor para se tornar uma peça estratégica na expansão da Disney. Segundo ele, o país está entre as prioridades da companhia para ampliar a base de assinantes do Disney+ e desenvolver produções capazes de dialogar com públicos de diferentes partes do mundo.
“O Brasil é um dos nossos mercados prioritários, onde acreditamos existir uma grande oportunidade de crescimento para o Disney+”, afirmou.
A lógica por trás da aposta brasileira
A estratégia da Disney, segundo Schrier, parte de uma premissa simples: produzir conteúdo que faça sentido primeiro para o público local.
“Nossa estratégia criativa e de negócios é fazer algo que os brasileiros possam assistir e enxergar a si mesmos, sua cultura e sua realidade.”
Para ele, o erro seria tentar criar produções locais já pensando em agradar audiências internacionais.
“Minha suposição é que, se algo for ótimo aqui, vai viajar pelo mundo.”
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O executivo destaca que todas as produções brasileiras da companhia passam a integrar automaticamente o catálogo internacional do Disney+, ampliando as chances de descoberta por espectadores de outros países.
“Minha esperança é que esse conteúdo funcione para diferentes audiências. Estamos aprendendo cada vez mais sobre como essas histórias podem atravessar fronteiras.”
O fenômeno das histórias sem fronteiras
Schrier atribui parte da crescente circulação de produções internacionais ao comportamento do público após a pandemia.
“Pessoas ficaram presas em casa e não havia tanto conteúdo novo sendo produzido. Elas passaram a usar os serviços de streaming para assistir a conteúdos feitos em outras partes do mundo.”
Segundo ele, esse movimento foi amplificado pelas redes sociais.
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“As pessoas podem conversar sobre o que estão assistindo e compartilhar recomendações. Isso acelerou o interesse por conteúdo internacional.”
O executivo cita o sucesso dos dramas sul-coreanos como exemplo de uma transformação estrutural do mercado audiovisual.
“Estamos vendo que o conteúdo consegue viajar. O público está muito mais aberto a assistir produções de outros países.”
Ele lembra que séries coreanas vêm registrando forte desempenho na América Latina e que fenômenos como a série sul-coreana Squid Game ajudaram a consolidar essa tendência.
Impuros e a força das histórias brasileiras
Ao falar sobre o desempenho de produções nacionais, Schrier cita repetidamente a série brasileira Impuros como um caso emblemático. “O que tentamos fazer é criar séries que realmente ressoem com o público.”
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Mais do que números de audiência, ele afirma que o objetivo da Disney é gerar engajamento emocional. “Fandom é uma parte muito importante do que fazemos. Queremos que as pessoas amem essas séries.”
Durante sua visita ao Brasil, Schrier disse ter percebido pessoalmente a dimensão do fenômeno. “Estar aqui me dá uma noção muito melhor do tamanho de Impuros do que estar em Burbank.”
Ele conta que chegou a perguntar ao motorista que o acompanhava se conhecia a série. “‘Claro que conheço Impuros. Todo mundo está falando sobre ela’, ele me respondeu.”
Segundo o executivo, é justamente esse tipo de presença cultural que interessa à companhia. “Quando uma série entra no zeitgeist, quando as pessoas falam sobre ela e gostam dela, isso impulsiona o fandom e, consequentemente, assinaturas e engajamento na plataforma.”
Marvel e Star Wars não são o modelo para o Brasil
Embora a Disney seja dona de algumas das maiores franquias do entretenimento, Schrier afirma que a empresa não pretende reproduzir a lógica de Marvel ou Star Wars nas produções brasileiras.
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“Não vamos tentar fazer uma série da Marvel para o público brasileiro. Não é isso que estamos tentando fazer.” A ideia, segundo ele, é justamente complementar essas marcas com histórias mais conectadas à realidade local.
“São séries muito mais enraizadas no mundo real e mais relevantes localmente do que algo como Marvel ou Star Wars.” O foco está em narrativas contemporâneas, dramas humanos e histórias culturalmente identificáveis.
“Estamos concentrando os grandes efeitos especiais e produções de ação em nossas marcas globais e complementando isso com séries localmente relevantes.”
O que mudou na estratégia internacional da Disney
Schrier assumiu a coordenação internacional da área há três anos, justamente quando a indústria de streaming passava por uma forte revisão de investimentos.
Segundo ele, a Disney precisou reorganizar completamente sua abordagem. “Quando lançamos o Disney+, havia um forte desejo de fazer conteúdo internacional, mas fazíamos isso de forma pouco estratégica.”
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Na avaliação do executivo, os projetos eram excessivamente regionalizados e careciam de coordenação entre os diferentes mercados. “Quando cheguei, revisitamos tudo o que estávamos produzindo e pensamos: como construímos uma estratégia?”
A resposta foi integrar os conteúdos locais ao planejamento geral da companhia. “Nossa estratégia passou a ser produzir conteúdos que complementem o catálogo global, em vez de tentar replicá-lo.”
Ele cita como exemplo a decisão de evitar projetos que disputem espaço diretamente com séries já existentes. “Se fazemos The Handmaid’s Tale, não vamos criar outra série distópica no Brasil que pareça The Handmaid’s Tale.”
Construindo uma fábrica de talentos
Além da produção de conteúdo, Schrier afirma que a Disney está ampliando sua estrutura na América Latina para descobrir novos criadores.
Segundo ele, a empresa reforçou equipes locais e pretende aprofundar relações com produtoras, roteiristas e showrunners brasileiros.
“Temos uma equipe incrível aqui e agora estamos indo ainda mais fundo nessas relações.”A mensagem levada ao Rio2C foi direta.
“Temos grandes ambições para o conteúdo local. Tragam suas melhores histórias.” O objetivo, segundo ele, é posicionar a Disney como referência criativa no mercado.
“Queremos ser o melhor lugar para as pessoas trabalharem em televisão e ser um farol de qualidade.”
O que falta para o Brasil virar uma potência exportadora
Questionado sobre as lições que o Brasil poderia absorver da Coreia do Sul, hoje referência mundial em exportação cultural, Schrier evita receitas prontas.
Para ele, o principal desafio está em identificar vozes originais. “É responsabilidade das nossas equipes encontrar talentos e vozes que ainda não foram descobertos.”
Ele acredita que o Brasil possui uma identidade cultural única e histórias ainda pouco exploradas internacionalmente. “Existe uma cultura e uma sensibilidade muito particulares no Brasil.”
O executivo cita a série Amor da Minha Vida como exemplo de narrativa profundamente brasileira que pode encontrar público em outros países.
“O mundo conhece o Brasil pelo futebol e pelo carnaval. Mas existem histórias como Amor da Minha Vida, sobre uma jovem em busca do amor, que parecem autenticamente brasileiras.”
América Latina no centro do crescimento
Para os próximos cinco anos, Schrier prevê uma presença ainda maior da América Latina na estratégia da companhia.
“A América Latina é um mercado muito importante não apenas para nossa estratégia de originais locais, mas para toda a Walt Disney Company.”
O executivo afirma que a região é vista como uma das principais frentes de expansão da empresa e que o Brasil ocupa posição central nesse plano.
“Queremos construir cada vez mais fãs da Disney, do Disney+, do Hulu e das nossas marcas na América Latina.”
Ao final da conversa, Schrier resumiu sua visão sobre o potencial das produções brasileiras em uma frase que, para ele, explica o próprio fascínio pelo trabalho que realiza.
“O que me tira da cama todos os dias é encontrar histórias que transcendem idiomas e culturas.”
E concluiu:
“Estou muito animado para encontrar mais séries no Brasil capazes de fazer exatamente isso.”

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Em passagem pelo Rio para participar do Rio2C, o executivo Eric Schrier, presidente de Disney Television Studios e responsável pela estratégia de produções originais da companhia em 25 países, reservou um tempo para conversar com VEJA sobre o papel crescente do Brasil dentro da operação internacional da empresa.
Em um momento em que as plataformas de streaming disputam audiência em mercados cada vez mais fragmentados, Schrier afirma que o Brasil deixou de ser apenas um território consumidor para se tornar uma peça estratégica na expansão da Disney. Segundo ele, o país está entre as prioridades da companhia para ampliar a base de assinantes do Disney+ e desenvolver produções capazes de dialogar com públicos de diferentes partes do mundo.
“O Brasil é um dos nossos mercados prioritários, onde acreditamos existir uma grande oportunidade de crescimento para o Disney+”, afirmou.
A lógica por trás da aposta brasileira
A estratégia da Disney, segundo Schrier, parte de uma premissa simples: produzir conteúdo que faça sentido primeiro para o público local.
“Nossa estratégia criativa e de negócios é fazer algo que os brasileiros possam assistir e enxergar a si mesmos, sua cultura e sua realidade.”
Para ele, o erro seria tentar criar produções locais já pensando em agradar audiências internacionais.
“Minha suposição é que, se algo for ótimo aqui, vai viajar pelo mundo.”
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O executivo destaca que todas as produções brasileiras da companhia passam a integrar automaticamente o catálogo internacional do Disney+, ampliando as chances de descoberta por espectadores de outros países.
“Minha esperança é que esse conteúdo funcione para diferentes audiências. Estamos aprendendo cada vez mais sobre como essas histórias podem atravessar fronteiras.”
O fenômeno das histórias sem fronteiras
Schrier atribui parte da crescente circulação de produções internacionais ao comportamento do público após a pandemia.
“Pessoas ficaram presas em casa e não havia tanto conteúdo novo sendo produzido. Elas passaram a usar os serviços de streaming para assistir a conteúdos feitos em outras partes do mundo.”
Segundo ele, esse movimento foi amplificado pelas redes sociais.
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“As pessoas podem conversar sobre o que estão assistindo e compartilhar recomendações. Isso acelerou o interesse por conteúdo internacional.”
O executivo cita o sucesso dos dramas sul-coreanos como exemplo de uma transformação estrutural do mercado audiovisual.
“Estamos vendo que o conteúdo consegue viajar. O público está muito mais aberto a assistir produções de outros países.”
Ele lembra que séries coreanas vêm registrando forte desempenho na América Latina e que fenômenos como a série sul-coreana Squid Game ajudaram a consolidar essa tendência.
Impuros e a força das histórias brasileiras
Ao falar sobre o desempenho de produções nacionais, Schrier cita repetidamente a série brasileira Impuros como um caso emblemático. “O que tentamos fazer é criar séries que realmente ressoem com o público.”
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Mais do que números de audiência, ele afirma que o objetivo da Disney é gerar engajamento emocional. “Fandom é uma parte muito importante do que fazemos. Queremos que as pessoas amem essas séries.”
Durante sua visita ao Brasil, Schrier disse ter percebido pessoalmente a dimensão do fenômeno. “Estar aqui me dá uma noção muito melhor do tamanho de Impuros do que estar em Burbank.”
Ele conta que chegou a perguntar ao motorista que o acompanhava se conhecia a série. “‘Claro que conheço Impuros. Todo mundo está falando sobre ela’, ele me respondeu.”
Segundo o executivo, é justamente esse tipo de presença cultural que interessa à companhia. “Quando uma série entra no zeitgeist, quando as pessoas falam sobre ela e gostam dela, isso impulsiona o fandom e, consequentemente, assinaturas e engajamento na plataforma.”
Marvel e Star Wars não são o modelo para o Brasil
Embora a Disney seja dona de algumas das maiores franquias do entretenimento, Schrier afirma que a empresa não pretende reproduzir a lógica de Marvel ou Star Wars nas produções brasileiras.
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“Não vamos tentar fazer uma série da Marvel para o público brasileiro. Não é isso que estamos tentando fazer.” A ideia, segundo ele, é justamente complementar essas marcas com histórias mais conectadas à realidade local.
“São séries muito mais enraizadas no mundo real e mais relevantes localmente do que algo como Marvel ou Star Wars.” O foco está em narrativas contemporâneas, dramas humanos e histórias culturalmente identificáveis.
“Estamos concentrando os grandes efeitos especiais e produções de ação em nossas marcas globais e complementando isso com séries localmente relevantes.”
O que mudou na estratégia internacional da Disney
Schrier assumiu a coordenação internacional da área há três anos, justamente quando a indústria de streaming passava por uma forte revisão de investimentos.
Segundo ele, a Disney precisou reorganizar completamente sua abordagem. “Quando lançamos o Disney+, havia um forte desejo de fazer conteúdo internacional, mas fazíamos isso de forma pouco estratégica.”
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Na avaliação do executivo, os projetos eram excessivamente regionalizados e careciam de coordenação entre os diferentes mercados. “Quando cheguei, revisitamos tudo o que estávamos produzindo e pensamos: como construímos uma estratégia?”
A resposta foi integrar os conteúdos locais ao planejamento geral da companhia. “Nossa estratégia passou a ser produzir conteúdos que complementem o catálogo global, em vez de tentar replicá-lo.”
Ele cita como exemplo a decisão de evitar projetos que disputem espaço diretamente com séries já existentes. “Se fazemos The Handmaid’s Tale, não vamos criar outra série distópica no Brasil que pareça The Handmaid’s Tale.”
Construindo uma fábrica de talentos
Além da produção de conteúdo, Schrier afirma que a Disney está ampliando sua estrutura na América Latina para descobrir novos criadores.
Segundo ele, a empresa reforçou equipes locais e pretende aprofundar relações com produtoras, roteiristas e showrunners brasileiros.
“Temos uma equipe incrível aqui e agora estamos indo ainda mais fundo nessas relações.”A mensagem levada ao Rio2C foi direta.
“Temos grandes ambições para o conteúdo local. Tragam suas melhores histórias.” O objetivo, segundo ele, é posicionar a Disney como referência criativa no mercado.
“Queremos ser o melhor lugar para as pessoas trabalharem em televisão e ser um farol de qualidade.”
O que falta para o Brasil virar uma potência exportadora
Questionado sobre as lições que o Brasil poderia absorver da Coreia do Sul, hoje referência mundial em exportação cultural, Schrier evita receitas prontas.
Para ele, o principal desafio está em identificar vozes originais. “É responsabilidade das nossas equipes encontrar talentos e vozes que ainda não foram descobertos.”
Ele acredita que o Brasil possui uma identidade cultural única e histórias ainda pouco exploradas internacionalmente. “Existe uma cultura e uma sensibilidade muito particulares no Brasil.”
O executivo cita a série Amor da Minha Vida como exemplo de narrativa profundamente brasileira que pode encontrar público em outros países.
“O mundo conhece o Brasil pelo futebol e pelo carnaval. Mas existem histórias como Amor da Minha Vida, sobre uma jovem em busca do amor, que parecem autenticamente brasileiras.”
América Latina no centro do crescimento
Para os próximos cinco anos, Schrier prevê uma presença ainda maior da América Latina na estratégia da companhia.
“A América Latina é um mercado muito importante não apenas para nossa estratégia de originais locais, mas para toda a Walt Disney Company.”
O executivo afirma que a região é vista como uma das principais frentes de expansão da empresa e que o Brasil ocupa posição central nesse plano.
“Queremos construir cada vez mais fãs da Disney, do Disney+, do Hulu e das nossas marcas na América Latina.”
Ao final da conversa, Schrier resumiu sua visão sobre o potencial das produções brasileiras em uma frase que, para ele, explica o próprio fascínio pelo trabalho que realiza.
“O que me tira da cama todos os dias é encontrar histórias que transcendem idiomas e culturas.”
E concluiu:
“Estou muito animado para encontrar mais séries no Brasil capazes de fazer exatamente isso.”













