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Há uma beleza particular nas coisas que escapam do controle. Nas linhas que não se encontram, nos volumes que parecem desafiar a lógica e nas formas que revelam que a imperfeição também pode ser harmonia. É desse lugar que nasce Desconstrutivo, nova exposição de Antonio Bokel, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. Com curadoria de Daniela Avellar, a mostra reúne trabalhos produzidos entre 2025 e 2026 e apresenta um artista em plena transformação, interessado menos nas certezas da geometria e mais nas tensões que surgem quando ela deixa de obedecer às próprias regras.
Ao percorrer a galeria, o visitante percebe rapidamente que nada foi pensado apenas para ser observado à distância. Grandes pinturas, esculturas em cimento, bronze e aço corten, obras sobre papel, peças manipuláveis e trabalhos que incorporam espelhos criam uma narrativa em que cada ambiente revela uma nova forma de experimentar espaço, matéria e perspectiva. A exposição convida o público a circular, mudar de ângulo e descobrir que a obra nunca é exatamente a mesma conforme o olhar se desloca.


A geometria, elemento presente na produção de Bokel há anos, aparece aqui completamente livre da rigidez que marcou o construtivismo histórico. Em vez de buscar equilíbrio absoluto, suas composições assumem cortes, desvios e interrupções que parecem refletir um mundo onde tudo está em constante transformação. Círculos permanecem abertos, planos se desencontram e volumes desafiam a expectativa de ordem, criando uma sensação permanente de movimento.
“O construtivismo acreditava na ideia de progresso e organização. Hoje me interessa justamente aquilo que interrompe essa lógica”, resume o artista. Em suas obras, a natureza, o acaso e o imprevisto entram em cena para romper qualquer sensação de perfeição, aproximando a geometria da experiência cotidiana e das incertezas da vida contemporânea.
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Entre os destaques está azul para o preto, preto para o azul, em que pintura, objeto e espelho se unem para criar um jogo de reflexos que muda conforme o espectador se movimenta. Já Desencontro coloca lado a lado uma pintura e uma escultura em bronze polido, sugerindo que duas formas semelhantes perderam, de propósito, a possibilidade de se encaixar. Em Vai Vem, uma estrutura em aço corten e bronze transforma a ideia de instabilidade em presença física, fazendo do equilíbrio um estado sempre provisório.


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Segundo Daniela Avellar, a força da mostra está justamente nesse gesto de desmontar para reconstruir. Ao fragmentar estruturas conhecidas, Bokel cria novas possibilidades de leitura sem perder o caráter lúdico que atravessa sua produção. Existe uma leveza que acompanha essas rupturas e faz com que o visitante seja convidado não apenas a observar, mas também a imaginar diferentes maneiras de reorganizar o que vê.
Outro aspecto marcante da exposição é a forma como elementos normalmente considerados secundários ganham protagonismo. Molduras, espelhos, chapas de vidro e estruturas de sustentação deixam de servir apenas como suporte para se transformar em parte essencial da linguagem visual. A pintura abandona a bidimensionalidade e passa a ocupar o espaço, aproximando-se da escultura e estabelecendo um diálogo direto com a arquitetura da galeria.
Essa relação torna-se ainda mais evidente na montagem, que utiliza a circulação entre as salas e a grande vitrine voltada para a Praia de Ipanema como parte da narrativa. O próprio título da exposição extrapola sua função informativa e surge como elemento visual, em uma referência sutil à poesia concreta, ampliando a conversa entre arte, linguagem e espaço urbano.
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Mais do que apresentar uma nova série de trabalhos, Desconstrutivo revela um momento de maturidade na trajetória de Antonio Bokel. Sua pesquisa deixa de buscar respostas definitivas para abraçar o improviso, a dúvida e as pequenas imperfeições que fazem parte da existência. O resultado é uma exposição que provoca sem afastar, desperta curiosidade sem exigir explicações e lembra que, muitas vezes, é justamente aquilo que parece fora do lugar que produz as imagens mais potentes.

Carioca, Antonio Bokel construiu uma carreira que transita entre pintura, escultura, instalação e intervenções urbanas. Com exposições realizadas no Brasil e no exterior, o artista integra importantes coleções públicas e privadas, entre elas as do MAR, do MAM Rio, da FGV Arte e da Coleção Gilberto Chateaubriand. Em Desconstrutivo, reafirma sua capacidade de reinventar a geometria e transformá-la em uma linguagem sensível, aberta e profundamente contemporânea.
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Há uma beleza particular nas coisas que escapam do controle. Nas linhas que não se encontram, nos volumes que parecem desafiar a lógica e nas formas que revelam que a imperfeição também pode ser harmonia. É desse lugar que nasce Desconstrutivo, nova exposição de Antonio Bokel, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. Com curadoria de Daniela Avellar, a mostra reúne trabalhos produzidos entre 2025 e 2026 e apresenta um artista em plena transformação, interessado menos nas certezas da geometria e mais nas tensões que surgem quando ela deixa de obedecer às próprias regras.
Ao percorrer a galeria, o visitante percebe rapidamente que nada foi pensado apenas para ser observado à distância. Grandes pinturas, esculturas em cimento, bronze e aço corten, obras sobre papel, peças manipuláveis e trabalhos que incorporam espelhos criam uma narrativa em que cada ambiente revela uma nova forma de experimentar espaço, matéria e perspectiva. A exposição convida o público a circular, mudar de ângulo e descobrir que a obra nunca é exatamente a mesma conforme o olhar se desloca.


A geometria, elemento presente na produção de Bokel há anos, aparece aqui completamente livre da rigidez que marcou o construtivismo histórico. Em vez de buscar equilíbrio absoluto, suas composições assumem cortes, desvios e interrupções que parecem refletir um mundo onde tudo está em constante transformação. Círculos permanecem abertos, planos se desencontram e volumes desafiam a expectativa de ordem, criando uma sensação permanente de movimento.
“O construtivismo acreditava na ideia de progresso e organização. Hoje me interessa justamente aquilo que interrompe essa lógica”, resume o artista. Em suas obras, a natureza, o acaso e o imprevisto entram em cena para romper qualquer sensação de perfeição, aproximando a geometria da experiência cotidiana e das incertezas da vida contemporânea.
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Outro aspecto marcante da exposição é a forma como elementos normalmente considerados secundários ganham protagonismo. Molduras, espelhos, chapas de vidro e estruturas de sustentação deixam de servir apenas como suporte para se transformar em parte essencial da linguagem visual. A pintura abandona a bidimensionalidade e passa a ocupar o espaço, aproximando-se da escultura e estabelecendo um diálogo direto com a arquitetura da galeria.
Essa relação torna-se ainda mais evidente na montagem, que utiliza a circulação entre as salas e a grande vitrine voltada para a Praia de Ipanema como parte da narrativa. O próprio título da exposição extrapola sua função informativa e surge como elemento visual, em uma referência sutil à poesia concreta, ampliando a conversa entre arte, linguagem e espaço urbano.
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Carioca, Antonio Bokel construiu uma carreira que transita entre pintura, escultura, instalação e intervenções urbanas. Com exposições realizadas no Brasil e no exterior, o artista integra importantes coleções públicas e privadas, entre elas as do MAR, do MAM Rio, da FGV Arte e da Coleção Gilberto Chateaubriand. Em Desconstrutivo, reafirma sua capacidade de reinventar a geometria e transformá-la em uma linguagem sensível, aberta e profundamente contemporânea.
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