Foi o descobridor de conceitos matemáticos fundamentais como “matriz” e “discriminante” (lembra do b2-4ac da fórmula “de Bhaskara”?). Os livros se referem a ele como J. J. Sylvester (1814-1897), mas quando nasceu foi chamado James Joseph, filho de Abraham Joseph: o sobrenome Sylvester foi adicionado bem mais tarde, quando seu irmão mais velho emigrou para os Estados Unidos, cujas autoridades exigiam “nome completo”.
Aos 14 anos era estudante da Universidade de Londres, mas foi expulso na sequência de uma briga com outro aluno, a quem ameaçou com uma faca (não sabemos quem começou). De 1831 a 1837 estudou na Universidade de Cambridge, onde terminou com a segunda melhor nota no “tripos”, o célebre exame de matemática. Mas o diploma lhe foi negado porque sua religião judaica o impedia de aceitar os preceitos oficiais da Igreja da Inglaterra. No ano seguinte conseguiu seu primeiro emprego como professor de ciências na Universidade de Londres. Em 1841, a Universidade de Dublin, na Irlanda, concedeu-lhe os graus de bacharel e mestre (Cambridge só o fez em 1872).
No mesmo ano emigrou para os Estados Unidos, tornando-se o primeiro judeu professor universitário de matemática do país, na Universidade da Virgínia. Durou pouco: quatro meses depois se envolveu num incidente em que bateu num estudante com a bengala (desta vez, sabemos que foi o outro que começou). O aluno caiu no chão, desacordado, e Sylvester acreditou que o tinha matado. Felizmente, não foi o caso. Mas, quando percebeu que a universidade não iria punir o estudante como ele achava que deveria, Sylvester se demitiu e voltou à Inglaterra.
Durante alguns anos trabalhou em atuária e estudou direito. Assim conheceu o colega Arthur Cayley (1821-1895), com quem colaborou ao longo da vida. Dessa colaboração, que alçou a matemática britânica ao primeiro nível mundial, nasceram as teorias das matrizes e dos invariantes.
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Em 1855, tornou-se professor de matemática na Real Academia Militar, onde permaneceu até a aposentadoria (compulsória!) aos 55 anos. Inicialmente, a Academia recusou pagar a pensão na íntegra, mas ele não hesitou em levar o assunto para as páginas dos jornais e, após longa controvérsia, acabou vencendo.
Em 1876 regressou aos Estados Unidos, como primeiro professor de matemática da recém-criada Universidade Johns Hopkins. O salário de US$ 5.000 era ótimo para a época, mas Sylvester queria que fosse pago em ouro. Após negociação, concordou em abandonar essa exigência em troca de um aumento.
Dois anos depois, a universidade aceitou como estudante alguém que se identificava como C. Ladd. Quando descobriram que era uma mulher, Christine, tentaram reverter a decisão, mas Sylvester fincou o pé, insistindo que seria sua aluna. Prevaleceu, mas, para não criar um precedente, a universidade não permitia que o nome dela aparecesse em nenhum documento.
Por sua estatura científica e sua trajetória de vida de combate, Sylvester estava excepcionalmente capacitado para representar a comunidade matemática quando o cientista Thomas Henry Huxley (1825-1895) subiu o tom dos ataques à “matemática, que nada sabe da observação, da experimentação, da indução, da causalidade”. Foi no encontro de 1869 da Associação Britânica para o Avanço da Ciência e será o assunto da próxima semana.
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