
A Nasa diz que a tripulação da Artemis 2 bateu o recorde de maior distância já atingida da Terra, 406 mil quilômetros contra 400 mil da Apollo 13, na década de 1970. Como é possível comprovar esse e outros feitos da missão?
Dá para checar os dados?
A agência espacial americana divulga dados de telemetria das missões. As informações enviadas por sensores para o centro de comando na Terra não chegam em tempo real, mas ficam disponíveis ao público. Os sistemas também monitoram qualidade do ar, temperatura e saúde dos astronautas. Dados como batimento cardíaco e pressão arterial viajam via rádio pela DSN (Rede do Espaço Profundo).
Dados de telemetria da Artemis 2 podem ser acessados. De acordo com a AEB (Agência Espacial Brasileira), informações são acessadas por meio da Horizons, uma extensa base de dados aberta com tabelas e posições de velocidade de satélites e corpos celestes do Sistema Solar. “Esses dados são amplamente utilizados na comunidade internacional, e possuem sal credibilidade validada em diferentes instituições”, informou a agência em nota.
A agência descreve cada detalhe, e os dados podem ser analisados por especialistas. “Com o conhecimento necessário, pessoas conseguem realizar cálculos para validar a trajetória e distâncias percorridas”, diz o professor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Petrônio Noronha.
O cálculo da trajetória ajuda a comprovar o novo recorde de 406 mil quilômetros. A força e o impulso aplicados na espaçonave receberam planejamento específico para superar a marca da Apollo 13.
Impacto em missões futuras

A divulgação de informações permite aprimorar as viagens espaciais seguintes. Na missão Artemis 1, de 2022, a Nasa detectou uma temperatura na cápsula maior do que a esperada durante a volta à Terra. O problema motivou mudanças no escudo térmico da espaçonave atual. “Essa elevação imprevista da temperatura fez com que a agência fizesse ajustes”, afirma Noronha. A alteração protege os astronautas da Artemis 2.
Provas contra teorias da conspiração

O tamanho das operações espaciais reforça a veracidade da missão. Segundo Noronha, a Nasa não gastaria bilhões de dólares em um foguete de quase 100 metros apenas para criar imagens de inteligência artificial.
O envolvimento de milhares de profissionais dificulta qualquer tentativa de farsa. O professor avalia que, se a missão fosse uma enganação, algum funcionário envolvido no projeto já teria vazado a informação.
Lançamentos como a Artemis 2 envolvem múltiplos parceiros. Apesar de a Nasa liderar a missão, módulos da espaçonave foram feitos pela ESA (Agência Espacial Europeia). Há ainda cooperação com a Universidade Nacional da Austrália, que tem auxiliado na comunicação a laser da missão com a Terra, além de múltiplas empresas e parceiros. Inclusive, foram levados pequenos satélites da Argentina, Alemanha, Coreia do Sul e Arábia Saudita para a realização de experimentos.













