
Continua após publicidade
Um ensaio clínico divulgado no último congresso da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia jogou luz sobre um medicamento capaz de aprimorar o tratamento da rinossinusite crônica com pólipos nasais. A droga, já utilizada para o tratamento de formas resistentes de asma, foi capaz de reduzir os pequenos tumores e diminuir a necessidade de cirurgias e corticoides.
O medicamento em questão é o tezepelumabe, um imunobiológico produzido pela AstraZeneca. Em um estudo com mais de 400 pacientes que não respondiam aos tratamentos convencionais, doses mensais da droga foram capazes de reduzir os pólipos e a congestão nasal a ponto de diminuir em 98% a necessidade de novas cirurgias. Os resultados foram publicados no The New England Journal of Medicine.
Para exercer seu efeito, o tezepelumabe age sobre a linfopoietina estromal tímica (TSLP), uma molécula que desencadeia o processo inflamatório. “A inflamação na rinossinusite crônica é muito peculiar, chamada de inflamação tipo 2, desencadeada pela exposição a alérgenos, poluentes, irritantes e microrganismos”, afirma Luisa Karla Arruda, médica especialista em Alergia e Imunologia e professora de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. “Bloqueando a TSLP, o medicamento atua no início da cascata inflamatória, inibindo a rinossinusite crônica.”
Por enquanto, o medicamento ainda está em fase de análise pela Anvisa para o tratamento da rinossinusite crônica, mas ele já havia sido aprovado no país para o tratamento de indivíduos com formas resistentes de asma, portanto, indivíduos com ambas as condições já podem se beneficiar do tratamento.
Qual a diferença entre a sinusite comum e a rinossinusite crônica?
A rinossinusite (também conhecida apenas como sinusite) é caracterizada por uma inflamação das cavidades nasais. A forma aguda é a mais comum, sendo desencadeada pela exposição a alérgenos, vírus e bactérias, mas cessando após a extinção da infecção ou após o tratamento da crise alérgica.
Continua após a publicidade
Já a forma crônica costuma durar por mais tempo. “ Os sintomas são semelhantes, mas eles se desenvolvem de forma mais lenta e persistem por mais de 12 semanas”, explica Mariane Yuri, otorrinolaringologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “Além disso, pode estar associada à presença de pólipos nasais, que são estruturas inflamatórias que crescem dentro do nariz e dos seios da face.”
As causas podem ser muitas e varias desde infecções até tumores e doenças autoimunes. O tratamento varia de acordo com o paciente, mas geralmente é feito com sprays nasais, antibióticos e corticoides. Casos mais graves podem ser tratados com imunobiológicos, que são anticorpos que agem na inflamação, ou com cirurgias. Sem o tratamento adequado, a doença pode evoluir para abscessos, alterações na visão, sangramentos, crostas e mau cheiro nasal, meningite e até infecção generalizada.
Embora já existam imunobiológicos eficazes para o tratamento da rinossinusite crônica, a chegada da nova droga foi bem recebida pelos especialistas. “O tezepelumabe demonstrou reduzir significativamente o volume dos pólipos nasais, melhorar a obstrução nasal e o olfato, além de diminuir a necessidade de cirurgia, tudo isso com poucos efeitos colaterais”, diz Yuri. “No entanto, ainda não há evidências de que ele seja superior a outros imunobiológicos já disponíveis no mercado. Estudos comparativos diretos ainda são necessários.”
Continua após a publicidade
O único problema é o preço. Uma caixinha com duas doses pode passar facilmente dos 12 mil reais, o que torna o tratamento inacessível para muitas pessoas. Contudo, embora ele não seja indicado para todos os pacientes e não estejam no rol de cobertura dos planos de saúde, especialistas relatam experiência positiva ao tentar conseguir o tratamento gratuitamente em sistemas públicos e privados se comprovada a falha de outras terapias.
Domine o fato. Confie na fonte.
10 grandes marcas em uma única assinatura digital
ECONOMIZE ATÉ 65% OFF
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.













