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Sem um sobrenome digno, nem ao menos um ofício de família, Dunk faz parte da ampla população de zés-ninguéns de Westeros. Seus poucos atributos são questionáveis no brutal universo criado pelo autor George R.R. Martin na saga de fantasia Game of Thrones. Treinado por um cavaleiro andante de pouco renome, Dunk sabe lutar (mais ou menos), cavalgar (sem elegância), ainda que possua um caráter irreparável (qualidade de pouca valia por ali). Quando ele se inscreve em um torneio de justas, competição de cavalaria medieval, o último mérito que lhe resta é seu físico avantajado de 2 metros de altura — por isso, ele se autodenomina Sor Duncan, o Alto. Em terra de dragões e espadas, contudo, até gigantes devem dormir com um olho semiaberto. Tal lição será aprendida na marra pelo protagonista ingênuo de O Cavaleiro dos Sete Reinos, nova produção da HBO que estreia no domingo 18, com seis episódios semanais no canal e na plataforma de streaming HBO Max.
Leia + Peter Claffey, herói de novo spin-off de Game of Thrones: ‘Ser bom em Westeros é perigoso’

Segundo spin-off de Game of Thrones, após o bem-sucedido A Casa do Dragão, que ganhará terceira temporada ainda neste ano, O Cavaleiro dos Sete Reinos traz uma abordagem diferente da obra de Martin: baseada em três contos que se passam 100 anos antes dos eventos da série principal, a produção é mais intimista, ágil, cômica e até mais leve — dentro, claro, do permitido em um mundo de alta densidade dramática e violência. “Trata-se de outro olhar, para além de reis, rainhas e conspirações políticas”, disse a VEJA o ator irlandês Peter Claffey, que dá vida ao carismático Sor Duncan (leia a entrevista).

O fato de ser enxuta não torna a série inferior em qualidade, como comprovou a reportagem de VEJA, que visitou o set de filmagens em Glenarm, na Irlanda do Norte. O vilarejo, localizado num litoral bucólico, cercado por planícies vastas e com direito a um castelo do século XV, viu sua população de meras 504 pessoas dobrar com a chegada da comitiva de atores e figurantes — fora toda a equipe de bastidores — em um dos dias de gravação, quando o torneio principal foi rodado. A operação contou com dezenas de cavalos treinados, personagens essenciais da história. Próximo ao campo de justas, o cenário de um amplo acampamento servia de moradia aos cavaleiros e seus convidados — de familiares a prostitutas — durante a competição. O uso de galochas e muito repelente foi exigido da reportagem, reforços necessários para proteger os pés da lama e manter longe as vespas que moram por lá. De miudezas cenográficas a figurinos elaborados, toda a produção transborda cuidado com os detalhes — o que agradou, e muito, a George R.R. Martin. “Me senti andando dentro do meu livro”, declarou ele. Sem pudores, o escritor já criticou as adaptações anteriores que se desviaram de sua visão — aqui, por exemplo, o brasão da casa Targaryen ficou do jeito que Martin imaginou, com um dragão de duas patas e não quatro, como estampavam as bandeiras de Game of Thrones.
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O olhar apurado para sutilezas serve também para compensar o orçamento limitado. “A redução de gastos é uma realidade atual de toda a indústria televisiva. Nós somos uma espécie de teste”, disse a VEJA o showrunner Ira Parker. A estimativa é que cada episódio tenha custado 6 milhões de dólares — enquanto A Casa do Dragão gastou 20 milhões por capítulo. Já renovado para mais duas temporadas, fechando a história dos três contos, O Cavaleiro dos Sete Reinos é, ainda, fruto de um período de transição: parte do catálogo da Warner Bros., as produções da HBO em breve podem ganhar o selo da Netflix, caso esta vença a briga com a Paramount pela aquisição da Warner.

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Por enquanto, não será difícil ao novo spin-off provar seu valor. Além do selo atrativo de Game of Thrones, a série é moldada para tempos em que a sociedade anseia por exemplos de boa índole e moral. “Dunk é o Forrest Gump de Westeros”, analisa Parker. “Ele é um cara comum, divertido, sofre de ansiedade. Tudo o que ele tem são a persistência e a sorte.” Nessa trajetória, Sor Duncan vai aceitar como escudeiro um garotinho atrevido, Egg (Dexter Sol Ansell), que possui um segredo explosivo. Cara de pau, o cavaleiro inexperiente vai conhecer lordes importantes. Com alguns fará amizade, como o príncipe Baelor Targaryen, o Quebralanças (Bertie Carvel); com outros vai cultivar desavenças, como Aerion, o Monstruoso (Finn Bennett), também do clã loiro platinado. Nobres problemáticos e disputas enlameadas não faltam para turbinar essa agitada indústria da fantasia.
Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2026, edição nº 2977

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Sem um sobrenome digno, nem ao menos um ofício de família, Dunk faz parte da ampla população de zés-ninguéns de Westeros. Seus poucos atributos são questionáveis no brutal universo criado pelo autor George R.R. Martin na saga de fantasia Game of Thrones. Treinado por um cavaleiro andante de pouco renome, Dunk sabe lutar (mais ou menos), cavalgar (sem elegância), ainda que possua um caráter irreparável (qualidade de pouca valia por ali). Quando ele se inscreve em um torneio de justas, competição de cavalaria medieval, o último mérito que lhe resta é seu físico avantajado de 2 metros de altura — por isso, ele se autodenomina Sor Duncan, o Alto. Em terra de dragões e espadas, contudo, até gigantes devem dormir com um olho semiaberto. Tal lição será aprendida na marra pelo protagonista ingênuo de O Cavaleiro dos Sete Reinos, nova produção da HBO que estreia no domingo 18, com seis episódios semanais no canal e na plataforma de streaming HBO Max.
Leia + Peter Claffey, herói de novo spin-off de Game of Thrones: ‘Ser bom em Westeros é perigoso’

Segundo spin-off de Game of Thrones, após o bem-sucedido A Casa do Dragão, que ganhará terceira temporada ainda neste ano, O Cavaleiro dos Sete Reinos traz uma abordagem diferente da obra de Martin: baseada em três contos que se passam 100 anos antes dos eventos da série principal, a produção é mais intimista, ágil, cômica e até mais leve — dentro, claro, do permitido em um mundo de alta densidade dramática e violência. “Trata-se de outro olhar, para além de reis, rainhas e conspirações políticas”, disse a VEJA o ator irlandês Peter Claffey, que dá vida ao carismático Sor Duncan (leia a entrevista).

O fato de ser enxuta não torna a série inferior em qualidade, como comprovou a reportagem de VEJA, que visitou o set de filmagens em Glenarm, na Irlanda do Norte. O vilarejo, localizado num litoral bucólico, cercado por planícies vastas e com direito a um castelo do século XV, viu sua população de meras 504 pessoas dobrar com a chegada da comitiva de atores e figurantes — fora toda a equipe de bastidores — em um dos dias de gravação, quando o torneio principal foi rodado. A operação contou com dezenas de cavalos treinados, personagens essenciais da história. Próximo ao campo de justas, o cenário de um amplo acampamento servia de moradia aos cavaleiros e seus convidados — de familiares a prostitutas — durante a competição. O uso de galochas e muito repelente foi exigido da reportagem, reforços necessários para proteger os pés da lama e manter longe as vespas que moram por lá. De miudezas cenográficas a figurinos elaborados, toda a produção transborda cuidado com os detalhes — o que agradou, e muito, a George R.R. Martin. “Me senti andando dentro do meu livro”, declarou ele. Sem pudores, o escritor já criticou as adaptações anteriores que se desviaram de sua visão — aqui, por exemplo, o brasão da casa Targaryen ficou do jeito que Martin imaginou, com um dragão de duas patas e não quatro, como estampavam as bandeiras de Game of Thrones.
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O olhar apurado para sutilezas serve também para compensar o orçamento limitado. “A redução de gastos é uma realidade atual de toda a indústria televisiva. Nós somos uma espécie de teste”, disse a VEJA o showrunner Ira Parker. A estimativa é que cada episódio tenha custado 6 milhões de dólares — enquanto A Casa do Dragão gastou 20 milhões por capítulo. Já renovado para mais duas temporadas, fechando a história dos três contos, O Cavaleiro dos Sete Reinos é, ainda, fruto de um período de transição: parte do catálogo da Warner Bros., as produções da HBO em breve podem ganhar o selo da Netflix, caso esta vença a briga com a Paramount pela aquisição da Warner.

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Por enquanto, não será difícil ao novo spin-off provar seu valor. Além do selo atrativo de Game of Thrones, a série é moldada para tempos em que a sociedade anseia por exemplos de boa índole e moral. “Dunk é o Forrest Gump de Westeros”, analisa Parker. “Ele é um cara comum, divertido, sofre de ansiedade. Tudo o que ele tem são a persistência e a sorte.” Nessa trajetória, Sor Duncan vai aceitar como escudeiro um garotinho atrevido, Egg (Dexter Sol Ansell), que possui um segredo explosivo. Cara de pau, o cavaleiro inexperiente vai conhecer lordes importantes. Com alguns fará amizade, como o príncipe Baelor Targaryen, o Quebralanças (Bertie Carvel); com outros vai cultivar desavenças, como Aerion, o Monstruoso (Finn Bennett), também do clã loiro platinado. Nobres problemáticos e disputas enlameadas não faltam para turbinar essa agitada indústria da fantasia.
Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2026, edição nº 2977
























