Continua após publicidade
Junho será um mês dedicado à música na Casa Museu Eva Klabin. Entre a música de concerto, a redescoberta de registros raros da obra de João Gilberto e a força da canção pop contemporânea, a instituição apresenta uma programação que evidencia a diversidade de sua atuação cultural. O público poderá acompanhar o encontro inédito entre a flautista Andrea Ernest Dias e a pianista Érika Ribeiro, no dia 14, a performance de Marina Nemésio e Rodrigo Coelho dedicada a gravações pouco conhecidas de João Gilberto, no dia 20, e o show de Davi Sabbag, no dia 27, dentro do projeto Pôr do Sol.
Embora partam de universos distintos, as três apresentações compartilham um interesse comum pela escuta atenta, pela pesquisa artística e pela aproximação entre intérpretes e público. Em diferentes formatos, os concertos reafirmam a Casa Museu Eva Klabin como um espaço onde tradição e contemporaneidade convivem em permanente diálogo.

Música de concerto em diálogo com a música brasileira
No dia 14 de junho, às 16h, Andrea Ernest Dias e Érika Ribeiro dividem o palco pela primeira vez em um recital concebido especialmente para a série Concertinhos de Eva. Referências em seus instrumentos e reconhecidas pela pesquisa dedicada à música brasileira, as artistas apresentam um programa que atravessa repertórios eruditos e populares, aproximando compositores de diferentes épocas por meio de uma escuta ligada à natureza, à imaginação sonora e às possibilidades de diálogo entre flauta e piano.
O repertório reúne obras de Sofia Gubaidulina, Tom Jobim, Léa Freire, Francisca Aquino, Moacir Santos e outros compositores, construindo pontes entre a música de câmara e a canção brasileira. A ideia de natureza aparece como um dos fios condutores do concerto, seja nos cantos de pássaros evocados por determinadas obras, seja nas paisagens sonoras sugeridas pelos instrumentos.
Mais do que executar partituras, Andrea e Érika propõem uma reflexão sobre o papel contemporâneo do intérprete. Para elas, a tradição musical permanece viva justamente por sua capacidade de transformação. “A tradição também compreende a sua própria reinvenção. Respeitar o repertório não significa mantê-lo intocado; também passa pela liberdade de se inserir nele e até pela transgressão. Especialmente na música brasileira, falar em erudito e popular de forma separada é muito reducionista”, afirma Érika Ribeiro.
Continua após a publicidade
A pianista destaca ainda que a interpretação contemporânea exige uma relação ativa com as obras. “O intérprete não é mais alguém que pega a partitura apenas para reproduzir. A ideia é entrar na tradição, entender o contexto cultural da obra e vivê-la a partir do nosso próprio lugar. Isso pode envolver improvisação, arranjo, escolha de trechos ou nova instrumentação. É uma forma de trazer o repertório para a realidade de quem interpreta.”
Andrea Ernest Dias ressalta que o encontro nasce da convergência entre pesquisas musicais desenvolvidas ao longo de décadas. “Não se trata de dizer que estamos fazendo algo revolucionário, mas de colocar em diálogo duas instrumentistas que vêm trilhando caminhos próprios de investigação musical e chegam juntas a uma sonoridade muito particular”, afirma.
Registros inéditos revelam um João Gilberto pouco conhecido
Na semana seguinte, em 20 de junho, às 17h, a série Concertinhos de Eva recebe a cantora Marina Nemésio e o violonista Rodrigo Coelho para uma apresentação dedicada a um capítulo pouco conhecido da trajetória de João Gilberto. Às vésperas do solstício de inverno, a dupla apresenta no Rio uma performance inspirada em um conjunto de fitas gravadas em 1958 durante um sarau e que vieram a público apenas décadas depois.
Conhecido como “Na Casa de Chico Pereira”, o material registra um momento singular da trajetória do músico, quando João havia retornado ao Rio de Janeiro, um ano antes do lançamento de “Chega de Saudade”, marco fundador da bossa nova. Entre canções inéditas, composições sem título e interpretações raramente ouvidas, o registro oferece uma oportunidade rara de contato com um artista ainda em processo de transformação.
Continua após a publicidade
A partir dessas gravações, Rodrigo Coelho e Marina Nemésio criam uma performance inédita na cidade. O repertório combina clássicos da primeira fase de João Gilberto, como “Saudade Fez um Samba” e “Bim-Bom”, com canções pouco conhecidas do público, revelando nuances de uma obra que continua a influenciar gerações de músicos brasileiros.
O encontro entre o violão detalhista de Rodrigo e a delicadeza vocal de Marina busca recriar não apenas as canções, mas também a atmosfera intimista desses registros históricos, aproximando o público de um momento decisivo da música brasileira do século XX.
Davi Sabbag celebra diversidade e afeto no jardim da Casa
Encerrando a programação musical do mês, no dia 27 de junho, às 17h, o cantor, compositor e produtor Davi Sabbag leva aos jardins da Casa Museu Eva Klabin uma versão exclusiva de seu mais recente trabalho, Anjo Mau, em formato voz e guitarra.
O show integra o projeto Pôr do Sol e acontece durante o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, reforçando o recorte curatorial adotado pela iniciativa em 2026. Depois de dedicar edições anteriores às mulheres e aos artistas negros, o projeto volta seu olhar para criadores da comunidade LGBTQIAPN+, celebrando diferentes trajetórias da música brasileira contemporânea.
Continua após a publicidade
Conhecido nacionalmente como vocalista da Banda Uó, grupo que marcou o imaginário pop brasileiro dos anos 2010, Davi construiu uma carreira solo marcada pela experimentação sonora e pela afirmação de experiências dissidentes. Em Anjo Mau, lançado em 2025, o artista transforma vivências ligadas à repressão religiosa, ao desejo e à identidade em matéria-prima para a criação.
“O ‘Anjo Mau’ é esse lugar de questionamento. É um anjo que não aceita simplesmente as coisas como são, que pergunta por que tem que ser assim e transforma essa inquietação em música”, explica o cantor.
No formato especialmente concebido para a Casa Museu Eva Klabin, elementos que atravessam sua obra — como referências à música eletrônica, eurodance, trance, ritmos brasileiros e latinidades — aparecem condensados em uma apresentação intimista, na qual voz e guitarra assumem o centro da narrativa musical.
Para Davi, a proximidade entre artista e público oferece uma experiência de escuta cada vez mais rara. “Mesmo amando um grande espetáculo, esse show tem a ver com uma escuta mais sentada, mais próxima. Esses momentos trazem outra perspectiva do trabalho, porque permitem ver de perto como a música chega nas pessoas.”
Continua após a publicidade
Três formas de escutar
Ao reunir a pesquisa musical de Andrea Ernest Dias e Érika Ribeiro, a revisitação histórica proposta por Marina Nemésio e Rodrigo Coelho e a criação contemporânea de Davi Sabbag, a programação de junho revela diferentes caminhos possíveis para a música brasileira. Entre repertórios consagrados, descobertas históricas e novas narrativas artísticas, a Casa Museu Eva Klabin reafirma sua vocação como espaço de encontro, circulação cultural e formação de público, oferecendo ao visitante três experiências distintas de escuta em um mesmo mês.
Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.
Continua após publicidade
Junho será um mês dedicado à música na Casa Museu Eva Klabin. Entre a música de concerto, a redescoberta de registros raros da obra de João Gilberto e a força da canção pop contemporânea, a instituição apresenta uma programação que evidencia a diversidade de sua atuação cultural. O público poderá acompanhar o encontro inédito entre a flautista Andrea Ernest Dias e a pianista Érika Ribeiro, no dia 14, a performance de Marina Nemésio e Rodrigo Coelho dedicada a gravações pouco conhecidas de João Gilberto, no dia 20, e o show de Davi Sabbag, no dia 27, dentro do projeto Pôr do Sol.
Embora partam de universos distintos, as três apresentações compartilham um interesse comum pela escuta atenta, pela pesquisa artística e pela aproximação entre intérpretes e público. Em diferentes formatos, os concertos reafirmam a Casa Museu Eva Klabin como um espaço onde tradição e contemporaneidade convivem em permanente diálogo.

Música de concerto em diálogo com a música brasileira
No dia 14 de junho, às 16h, Andrea Ernest Dias e Érika Ribeiro dividem o palco pela primeira vez em um recital concebido especialmente para a série Concertinhos de Eva. Referências em seus instrumentos e reconhecidas pela pesquisa dedicada à música brasileira, as artistas apresentam um programa que atravessa repertórios eruditos e populares, aproximando compositores de diferentes épocas por meio de uma escuta ligada à natureza, à imaginação sonora e às possibilidades de diálogo entre flauta e piano.
O repertório reúne obras de Sofia Gubaidulina, Tom Jobim, Léa Freire, Francisca Aquino, Moacir Santos e outros compositores, construindo pontes entre a música de câmara e a canção brasileira. A ideia de natureza aparece como um dos fios condutores do concerto, seja nos cantos de pássaros evocados por determinadas obras, seja nas paisagens sonoras sugeridas pelos instrumentos.
Mais do que executar partituras, Andrea e Érika propõem uma reflexão sobre o papel contemporâneo do intérprete. Para elas, a tradição musical permanece viva justamente por sua capacidade de transformação. “A tradição também compreende a sua própria reinvenção. Respeitar o repertório não significa mantê-lo intocado; também passa pela liberdade de se inserir nele e até pela transgressão. Especialmente na música brasileira, falar em erudito e popular de forma separada é muito reducionista”, afirma Érika Ribeiro.
Continua após a publicidade
A pianista destaca ainda que a interpretação contemporânea exige uma relação ativa com as obras. “O intérprete não é mais alguém que pega a partitura apenas para reproduzir. A ideia é entrar na tradição, entender o contexto cultural da obra e vivê-la a partir do nosso próprio lugar. Isso pode envolver improvisação, arranjo, escolha de trechos ou nova instrumentação. É uma forma de trazer o repertório para a realidade de quem interpreta.”
Andrea Ernest Dias ressalta que o encontro nasce da convergência entre pesquisas musicais desenvolvidas ao longo de décadas. “Não se trata de dizer que estamos fazendo algo revolucionário, mas de colocar em diálogo duas instrumentistas que vêm trilhando caminhos próprios de investigação musical e chegam juntas a uma sonoridade muito particular”, afirma.
Registros inéditos revelam um João Gilberto pouco conhecido
Na semana seguinte, em 20 de junho, às 17h, a série Concertinhos de Eva recebe a cantora Marina Nemésio e o violonista Rodrigo Coelho para uma apresentação dedicada a um capítulo pouco conhecido da trajetória de João Gilberto. Às vésperas do solstício de inverno, a dupla apresenta no Rio uma performance inspirada em um conjunto de fitas gravadas em 1958 durante um sarau e que vieram a público apenas décadas depois.
Conhecido como “Na Casa de Chico Pereira”, o material registra um momento singular da trajetória do músico, quando João havia retornado ao Rio de Janeiro, um ano antes do lançamento de “Chega de Saudade”, marco fundador da bossa nova. Entre canções inéditas, composições sem título e interpretações raramente ouvidas, o registro oferece uma oportunidade rara de contato com um artista ainda em processo de transformação.
Continua após a publicidade
A partir dessas gravações, Rodrigo Coelho e Marina Nemésio criam uma performance inédita na cidade. O repertório combina clássicos da primeira fase de João Gilberto, como “Saudade Fez um Samba” e “Bim-Bom”, com canções pouco conhecidas do público, revelando nuances de uma obra que continua a influenciar gerações de músicos brasileiros.
O encontro entre o violão detalhista de Rodrigo e a delicadeza vocal de Marina busca recriar não apenas as canções, mas também a atmosfera intimista desses registros históricos, aproximando o público de um momento decisivo da música brasileira do século XX.
Davi Sabbag celebra diversidade e afeto no jardim da Casa
Encerrando a programação musical do mês, no dia 27 de junho, às 17h, o cantor, compositor e produtor Davi Sabbag leva aos jardins da Casa Museu Eva Klabin uma versão exclusiva de seu mais recente trabalho, Anjo Mau, em formato voz e guitarra.
O show integra o projeto Pôr do Sol e acontece durante o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, reforçando o recorte curatorial adotado pela iniciativa em 2026. Depois de dedicar edições anteriores às mulheres e aos artistas negros, o projeto volta seu olhar para criadores da comunidade LGBTQIAPN+, celebrando diferentes trajetórias da música brasileira contemporânea.
Continua após a publicidade
Conhecido nacionalmente como vocalista da Banda Uó, grupo que marcou o imaginário pop brasileiro dos anos 2010, Davi construiu uma carreira solo marcada pela experimentação sonora e pela afirmação de experiências dissidentes. Em Anjo Mau, lançado em 2025, o artista transforma vivências ligadas à repressão religiosa, ao desejo e à identidade em matéria-prima para a criação.
“O ‘Anjo Mau’ é esse lugar de questionamento. É um anjo que não aceita simplesmente as coisas como são, que pergunta por que tem que ser assim e transforma essa inquietação em música”, explica o cantor.
No formato especialmente concebido para a Casa Museu Eva Klabin, elementos que atravessam sua obra — como referências à música eletrônica, eurodance, trance, ritmos brasileiros e latinidades — aparecem condensados em uma apresentação intimista, na qual voz e guitarra assumem o centro da narrativa musical.
Para Davi, a proximidade entre artista e público oferece uma experiência de escuta cada vez mais rara. “Mesmo amando um grande espetáculo, esse show tem a ver com uma escuta mais sentada, mais próxima. Esses momentos trazem outra perspectiva do trabalho, porque permitem ver de perto como a música chega nas pessoas.”
Continua após a publicidade
Três formas de escutar
Ao reunir a pesquisa musical de Andrea Ernest Dias e Érika Ribeiro, a revisitação histórica proposta por Marina Nemésio e Rodrigo Coelho e a criação contemporânea de Davi Sabbag, a programação de junho revela diferentes caminhos possíveis para a música brasileira. Entre repertórios consagrados, descobertas históricas e novas narrativas artísticas, a Casa Museu Eva Klabin reafirma sua vocação como espaço de encontro, circulação cultural e formação de público, oferecendo ao visitante três experiências distintas de escuta em um mesmo mês.
Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.













