Pai da tecnologia das interfaces cérebro-máquina, Miguel Nicolelis é reconhecido internacionalmente por pesquisar há quase 40 anos como as áreas da robótica, inteligência artificial e neurociência podem convergir para restituir a capacidade de movimentos de pessoas com paralisias neurológicas.
Para Nicolelis, que desenvolve implantes corticais em pesquisas desde os anos 1990, o principal gargalo dos implantes invasivos segue sem solução: a biocompatibilidade, que faz o dispositivo perder desempenho com o tempo.
Dependendo da qualidade dos neurocirurgiões, da qualidade do material, você estende um pouquinho, mas o troço para de funcionar. Os implantes param de funcionar. Nós temos o recorde até hoje na literatura, que é mais de seis anos de um macaco ainda ter algum sinal útil para você continuar a usar.
Miguel Nicolelis
Ele também aponta um risco prático: depois de meses, os filamentos do implante podem aderir ao tecido por reações inflamatórias, o que torna a retirada perigosa. Para ele, isso pesa na decisão de indicar o procedimento a pacientes.
Se você for tentar tirar, você vai trazer um chunk [pedaço] de cérebro normal. Imagina você fazer isso num paciente que é paraplégico ou quadriplégico.
Miguel Nicolelis
Além do desafio biológico, Nicolelis diz que falta viabilidade econômica: não há neurocirurgiões nem robôs em quantidade suficiente para implantar o dispositivo na escala em que é necessária, além de a intervenção custar US$ 250 mil.
























