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Deveria se chamar, de fato, Casa da Maria. Embora tenha sido batizada de Casa Painel, em homenagem ao Bar Painel que seu pai manteve no Rio nos anos 1980, tudo ali parece nascer de um desejo muito pessoal de Maria Duarte: criar um lugar para estar com pessoas. Um espaço quase secreto, no coração da Glória, onde no máximo 50 pessoas se reúnem para ouvir boa música, experimentar delícias preparadas ali mesmo, beber um bom vinho e, sobretudo, encontrar boas pessoas.
A Casa ocupa o coração de um antigo casarão da Ladeira da Glória. No final do século XIX, antes mesmo da existência do Aterro do Flamengo, o imóvel era a casa de veraneio de uma família portuguesa. O mar chegava até ali. Décadas depois, a construção foi transformada em um edifício, mas sua sala principal preservou vestígios da arquitetura original: o pé-direito alto, os portais de cantaria, as paredes de tijolos e pedras.
É nesse espaço, ao mesmo tempo estúdio, palco, sala de estar e ponto de encontro, que acontece o projeto “Na Sala da Casa”, uma série de encontros musicais intimistas cujos ingressos costumam desaparecer tão logo são colocados à disposição. Depois do Samba de Fato, a programação agora ganha novo fôlego nesta segunda-feira, 10 de agosto, com a apresentação de Moreno Veloso e Domenico Lancellotti, em uma noite que dá sequência a uma agenda intensa de encontros musicais que a Casa prepara para as próximas semanas.
O projeto nasceu de um sonho antigo da Maria, produtora cultural que, depois de mais de duas décadas trabalhando nos bastidores da cultura brasileira, decidiu abrir as portas do próprio espaço para aquilo que sempre quis fazer: reunir amigos em torno das artes.

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Como surgiu a ideia de fazer o projeto Na Sala da Casa?
Era um desejo antigo, de muitos anos: criar um espaço de encontro dos amigos em torno das artes. No fundo, eu sempre quis ser artista e acabei me tornando gestora cultural. Então, era um sonho ter um estúdio de trabalho que também promovesse esse convívio com os amigos músicos, atores, atrizes, escritores, bailarinos. Mas parecia muito distante da minha realidade ter um espaço assim. Sempre trabalhei com cultura e não tinha nem apartamento próprio. Meu pai me deixou um sítio pequeno, que era o refúgio dele.
E em que momento esse sonho deixou de parecer tão distante?
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Na pandemia, eu estava sem trabalho, com minhas duas filhas pequenas e usando todas as minhas reservas. Entendi que precisava vender o sítio e comprar um apartamento. Era um momento de muita insegurança. Foi nessa busca, que me deparei com esse imóvel. E foi um susto! Fiquei emocionada, era como se tivesse chegado ao meu lugar. Decidi trocar o sítio pelo imóvel. E ali, em 2021, comecei a projetar o estúdio.
Esse imóvel tem uma história curiosa, né?
O prédio era originalmente a casa de praia de um comerciante português que morava em Teresópolis, no final do século XIX, antes do Aterro do Flamengo. As janelas davam para o mar. Em 1937, ele fez uma grande reforma, ampliou e construiu novos andares, recriou a fachada no estilo Art Déco, transformou a casa em um edifício e vendeu as oito unidades. A minha casa é justamente o coração da construção original, que manteve elementos da arquitetura colonial portuguesa: o pé-direito alto, os portais de cantaria, as paredes com tijolos e pedras rebocadas com óleo de baleia. Fiquei apaixonada!
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E quais foram as primeiras ocupações?
Em 2023, quando terminou a parte pesada da obra, entrei com a montagem de Os Irmãos Karamázov, que realizei com Caio Blat, Luisa Arraes e Marina Vianna. O processo criativo durou cinco meses, com ensaios diários, preparação corporal, elenco de 13 pessoas, música ao vivo, além das equipes de figurino, iluminação e acessibilidade trabalhando diariamente no estúdio. Foi maravilhoso e exaustivo, como qualquer processo criativo de teatro.

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Então o espaço começou, antes de tudo, como um lugar de trabalho?
Sim, o estúdio também passou a receber os ensaios dos shows do Pedrinho Miranda, que eu produzo. Fizemos o baile de audição do novo álbum do Forró da Gávea, lançado pela Biscoito Fino. Até que, no início deste ano, me dediquei a montar o “teatro de bolso”, que já estava no projeto original da obra, e a começar a produzir as apresentações intimistas. Precisava de alguns equipamentos para montar um espaço cênico mínimo e, principalmente, desenhar a dinâmica desses eventos. Minha parceria com o Pedro e a convergência com o desejo do Samba de Fato de voltar a tocar motivaram o início do projeto de música Na Sala da Casa.
E como foi perceber que havia ali uma demanda por esse tipo de encontro?
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Fizemos quatro encontros semanais do Samba de Fato em julho, que foram um laboratório para a gente. E uma injeção de ânimo: receber o retorno emocionado do público e perceber o interesse dos músicos por um espaço dedicado à música, com escuta atenta e afetuosa.
Quem mais está no projeto?
O Pedro Miranda é o maior entusiasta da realização do estúdio e meu parceiro nos projetos e na vida. Pensamos em tudo juntos. Tudo é pauta para novas ideias para o estúdio. Nos projetos de música, ele naturalmente cuida da curadoria. A série Na Sala da Casa, que acontece semanalmente de julho a setembro, foi pautada por ele. E planejo, com alguns amigos, projetos de teatro, literatura, bate-papos e oficinas.
Qual o tipo de programação que você imagina para o espaço e o que já tem programado?
Eu quero fomentar esse ponto de encontro dos amigos em torno das artes. Amigos artistas e amigos amantes das artes. Penso muito em apresentações acústicas de música. Sonho em trazer artistas de outras cidades e países para essa troca intimista. Gostaria muito de fazer um projeto de literatura voltado para adolescentes e jovens, além de leituras de textos teatrais, novas montagens, pequenas exposições e palestras. Adoraria fazer um projeto envolvendo música e gastronomia.
O que já está programado para este ano?
Temos uma programação intensa pela frente. Em agosto, ainda teremos Moreno Veloso e Domenico Lancellotti, no dia 10; Lívia Nestrovski e Fred Ferreira, no dia 17; Joana Queiroz e Manami Kakudo, no dia 22; Pedro Miranda Trio, no dia 24; e Giuliano Eriston, no dia 31. Em setembro, a programação segue com Moyseis Marques, no dia 7; Edu Neves e Guto Wirtti, no dia 14; Nina Wirtti e Patrick Angelo, no dia 21; e Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker, no dia 28.
Os encontros são divulgados nos perfis dos artistas e enviamos as informações para os amigos por mensagem direta. Quem se anima, responde e recebe um link para fazer a reserva. Como são apenas 50 lugares, costuma esgotar rápido.

A comida já entrou nessa história. Como nasceu essa mistura entre música e gastronomia?
A série de música Na Sala da Casa traz um pouco dessa ideia de envolver música e comida. Nos quatro encontros com o Samba de Fato, o Pedrinho foi para a cozinha e preparou um cardápio para acompanhar as apresentações. Temos outras nove apresentações marcadas, semanalmente, até setembro. Para a próxima edição, com Moreno e Dom, convidamos a Dona Cátia do Acarajé. Ela também estará com a gente no Painel Roberto Mendes, que pretendemos fazer no início de outubro.
Um projeto tão pequeno e cuidadoso também precisa encontrar uma maneira de se sustentar. Como fazer essa conta fechar?
Esse é o desafio, fazer essa equação funcionar. Se não, não se sustenta e termina. Eu quero acreditar que é possível. A gente propõe uma contribuição consciente e generosa do público, e os artistas que convidamos entendem e se envolvem com a proposta do espaço. E buscamos parceiros. Acabamos de confirmar o apoio da Hocus Pocus.
Você acha que shows e eventos mais intimistas são uma tendência?
Acho que os grandes eventos proporcionam outras emoções. Mas, sem dúvida, acho que a gente está vivendo numa dinâmica sem tempo e espaço de afeto e de escuta para estar com o outro, em torno de alguma coisa maior que a nossa pequena vida privada. Já faz tempo que a gente fica nos nossos apartamentos, vivendo no automático. E, com a pandemia, a gente precisou acreditar que a internet resolve a comunicação. Sinto falta dessa qualidade de encontro
Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
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Deveria se chamar, de fato, Casa da Maria. Embora tenha sido batizada de Casa Painel, em homenagem ao Bar Painel que seu pai manteve no Rio nos anos 1980, tudo ali parece nascer de um desejo muito pessoal de Maria Duarte: criar um lugar para estar com pessoas. Um espaço quase secreto, no coração da Glória, onde no máximo 50 pessoas se reúnem para ouvir boa música, experimentar delícias preparadas ali mesmo, beber um bom vinho e, sobretudo, encontrar boas pessoas.
A Casa ocupa o coração de um antigo casarão da Ladeira da Glória. No final do século XIX, antes mesmo da existência do Aterro do Flamengo, o imóvel era a casa de veraneio de uma família portuguesa. O mar chegava até ali. Décadas depois, a construção foi transformada em um edifício, mas sua sala principal preservou vestígios da arquitetura original: o pé-direito alto, os portais de cantaria, as paredes de tijolos e pedras.
É nesse espaço, ao mesmo tempo estúdio, palco, sala de estar e ponto de encontro, que acontece o projeto “Na Sala da Casa”, uma série de encontros musicais intimistas cujos ingressos costumam desaparecer tão logo são colocados à disposição. Depois do Samba de Fato, a programação agora ganha novo fôlego nesta segunda-feira, 10 de agosto, com a apresentação de Moreno Veloso e Domenico Lancellotti, em uma noite que dá sequência a uma agenda intensa de encontros musicais que a Casa prepara para as próximas semanas.
O projeto nasceu de um sonho antigo da Maria, produtora cultural que, depois de mais de duas décadas trabalhando nos bastidores da cultura brasileira, decidiu abrir as portas do próprio espaço para aquilo que sempre quis fazer: reunir amigos em torno das artes.

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Como surgiu a ideia de fazer o projeto Na Sala da Casa?
Era um desejo antigo, de muitos anos: criar um espaço de encontro dos amigos em torno das artes. No fundo, eu sempre quis ser artista e acabei me tornando gestora cultural. Então, era um sonho ter um estúdio de trabalho que também promovesse esse convívio com os amigos músicos, atores, atrizes, escritores, bailarinos. Mas parecia muito distante da minha realidade ter um espaço assim. Sempre trabalhei com cultura e não tinha nem apartamento próprio. Meu pai me deixou um sítio pequeno, que era o refúgio dele.
E em que momento esse sonho deixou de parecer tão distante?
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Na pandemia, eu estava sem trabalho, com minhas duas filhas pequenas e usando todas as minhas reservas. Entendi que precisava vender o sítio e comprar um apartamento. Era um momento de muita insegurança. Foi nessa busca, que me deparei com esse imóvel. E foi um susto! Fiquei emocionada, era como se tivesse chegado ao meu lugar. Decidi trocar o sítio pelo imóvel. E ali, em 2021, comecei a projetar o estúdio.
Esse imóvel tem uma história curiosa, né?
O prédio era originalmente a casa de praia de um comerciante português que morava em Teresópolis, no final do século XIX, antes do Aterro do Flamengo. As janelas davam para o mar. Em 1937, ele fez uma grande reforma, ampliou e construiu novos andares, recriou a fachada no estilo Art Déco, transformou a casa em um edifício e vendeu as oito unidades. A minha casa é justamente o coração da construção original, que manteve elementos da arquitetura colonial portuguesa: o pé-direito alto, os portais de cantaria, as paredes com tijolos e pedras rebocadas com óleo de baleia. Fiquei apaixonada!
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Em 2023, quando terminou a parte pesada da obra, entrei com a montagem de Os Irmãos Karamázov, que realizei com Caio Blat, Luisa Arraes e Marina Vianna. O processo criativo durou cinco meses, com ensaios diários, preparação corporal, elenco de 13 pessoas, música ao vivo, além das equipes de figurino, iluminação e acessibilidade trabalhando diariamente no estúdio. Foi maravilhoso e exaustivo, como qualquer processo criativo de teatro.

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Sim, o estúdio também passou a receber os ensaios dos shows do Pedrinho Miranda, que eu produzo. Fizemos o baile de audição do novo álbum do Forró da Gávea, lançado pela Biscoito Fino. Até que, no início deste ano, me dediquei a montar o “teatro de bolso”, que já estava no projeto original da obra, e a começar a produzir as apresentações intimistas. Precisava de alguns equipamentos para montar um espaço cênico mínimo e, principalmente, desenhar a dinâmica desses eventos. Minha parceria com o Pedro e a convergência com o desejo do Samba de Fato de voltar a tocar motivaram o início do projeto de música Na Sala da Casa.
E como foi perceber que havia ali uma demanda por esse tipo de encontro?
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Quem mais está no projeto?
O Pedro Miranda é o maior entusiasta da realização do estúdio e meu parceiro nos projetos e na vida. Pensamos em tudo juntos. Tudo é pauta para novas ideias para o estúdio. Nos projetos de música, ele naturalmente cuida da curadoria. A série Na Sala da Casa, que acontece semanalmente de julho a setembro, foi pautada por ele. E planejo, com alguns amigos, projetos de teatro, literatura, bate-papos e oficinas.
Qual o tipo de programação que você imagina para o espaço e o que já tem programado?
Eu quero fomentar esse ponto de encontro dos amigos em torno das artes. Amigos artistas e amigos amantes das artes. Penso muito em apresentações acústicas de música. Sonho em trazer artistas de outras cidades e países para essa troca intimista. Gostaria muito de fazer um projeto de literatura voltado para adolescentes e jovens, além de leituras de textos teatrais, novas montagens, pequenas exposições e palestras. Adoraria fazer um projeto envolvendo música e gastronomia.
O que já está programado para este ano?
Temos uma programação intensa pela frente. Em agosto, ainda teremos Moreno Veloso e Domenico Lancellotti, no dia 10; Lívia Nestrovski e Fred Ferreira, no dia 17; Joana Queiroz e Manami Kakudo, no dia 22; Pedro Miranda Trio, no dia 24; e Giuliano Eriston, no dia 31. Em setembro, a programação segue com Moyseis Marques, no dia 7; Edu Neves e Guto Wirtti, no dia 14; Nina Wirtti e Patrick Angelo, no dia 21; e Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker, no dia 28.
Os encontros são divulgados nos perfis dos artistas e enviamos as informações para os amigos por mensagem direta. Quem se anima, responde e recebe um link para fazer a reserva. Como são apenas 50 lugares, costuma esgotar rápido.

A comida já entrou nessa história. Como nasceu essa mistura entre música e gastronomia?
A série de música Na Sala da Casa traz um pouco dessa ideia de envolver música e comida. Nos quatro encontros com o Samba de Fato, o Pedrinho foi para a cozinha e preparou um cardápio para acompanhar as apresentações. Temos outras nove apresentações marcadas, semanalmente, até setembro. Para a próxima edição, com Moreno e Dom, convidamos a Dona Cátia do Acarajé. Ela também estará com a gente no Painel Roberto Mendes, que pretendemos fazer no início de outubro.
Um projeto tão pequeno e cuidadoso também precisa encontrar uma maneira de se sustentar. Como fazer essa conta fechar?
Esse é o desafio, fazer essa equação funcionar. Se não, não se sustenta e termina. Eu quero acreditar que é possível. A gente propõe uma contribuição consciente e generosa do público, e os artistas que convidamos entendem e se envolvem com a proposta do espaço. E buscamos parceiros. Acabamos de confirmar o apoio da Hocus Pocus.
Você acha que shows e eventos mais intimistas são uma tendência?
Acho que os grandes eventos proporcionam outras emoções. Mas, sem dúvida, acho que a gente está vivendo numa dinâmica sem tempo e espaço de afeto e de escuta para estar com o outro, em torno de alguma coisa maior que a nossa pequena vida privada. Já faz tempo que a gente fica nos nossos apartamentos, vivendo no automático. E, com a pandemia, a gente precisou acreditar que a internet resolve a comunicação. Sinto falta dessa qualidade de encontro
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