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Tenho certeza que o filme Hamnet, que se destaca com o conhecimento herbal de Agnes, personagem de Jessie Buckley, com suas plantas medicinais elisabetanas ancestrais para cura e proteção contra a peste, inspirou você! Eu fui nas nuvens!
As ervas em Hamnet não são apenas medicina, mas uma linguagem de sobrevivência e luto que Agnes usa para tentar controlar o incontrolável e refletem a medicina do século XVI, a teoria dos miasmas e a conexão do feminino com a natureza. Para mim, como terapeuta psicanalista integrativa que usa as ervas para ativar o inconsciente e trazer lembranças ancestrais, foi também uma confirmação de que o feminino não sobrevive sem essas sabedorias que chegam da linhagem feminina.

Quem viu o filme pôde observar que Agnes usou ervas incluindo Arruda (purificação), Alecrim (memória/antisséptico), Zimbro (fumaça), Camomila (conforto) e Meimendro (tóxico/simbolismo de veneno), entre outras ervas como a lavanda, hortelã, ulmária, absinto, angélica, valeriana e confrei. Muitas vezes repetindo um mantra antigo feitiço anglo-saxão, que invoca plantas para combater venenos e doenças ensinado por sua mãe sobre a Artemísia, chamando-a de “a mais velha das plantas” ou “Unna”, usada para proteção, visão e intuição.
Para falar dessa imersão e do poder das ervas e da Artemísia, conversei com algumas amigas terapeutas especializadas no assunto. Vamos aprender mais?
Palmira Margarida, doutora pela UFRJ especialista em perfumaria antiga e mitologias femininas, é historiadora pela UFF, perfumista botânica e fundadora da Escola Perfumaria Ancestral. Ela diz: Há uma informação que toda mulher deveria saber: As deusas antigas nasceram das plantas!
“Nossas ancestrais observavam as plantas não apenas pelo uso prático, mas como espelhos simbólicos da própria existência humana. Antes mesmo da linguagem química moderna, elas compreendiam ciclos, ritmos, comportamentos e efeitos sutis das plantas sobre o corpo e a psique. Assim nasceram muitos arquétipos femininos associados ao mundo vegetal.
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Um dos exemplos mais fascinantes sobre isso é a conexão da erva artemísia com a deusa grega Ártemis. “O gênero botânico Artemisia recebeu esse nome em homenagem a Ártemis, divindade ligada à natureza selvagem, à lua, à autonomia feminina, à caça e à proteção das mulheres. A planta expressa qualidades similares ao que o arquétipo da deusa Ártemis passa às mulheres”.
Segundo Palmira, a Artemisia contém bioativos que influenciam nos hormônios femininos e por isso, a tradição popular já a associava ao cuidado feminino, especialmente em momentos de transição hormonal como TPM, climatério e menopausa.

“É a erva da bruxa não à toa, ela é a ponta, a reconexão entre mulheres e o seu estado mais interior e visceral. Ela coloca a mulher para transbordar, se reencontrar. É justamente nesse ponto que o arquétipo de Ártemis se torna profundamente atual. Na mitologia, ela representa independência, liberdade corporal, reconexão e autonomia feminina. É a mulher que caminha pela mata, segura de si, dona do próprio território, capaz de proteger a si mesma e às outras.
Na perfumaria industrial a artemísia não é das matérias-primas mais usadas na indústria contemporânea, que privilegia acordes mais comerciais. No entanto, dentro de uma abordagem botânica e ritualística, trata-se de uma nota herbácea intensa, vibrante e terapêutica.
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Palmira costuma utilizá-la em composições voltadas a mulheres que relatam exaustão emocional, sensação de perda de identidade ou necessidade de reconexão com sua própria força. “Também para as que sentem que estão na pré menopausa ou menopausa.
“O feminino da artemísia é o da feiticeira, a mulher dona do próprio nariz, e não de uma Ártemis e tantas outras encarnam, é potência, vitalidade, autonomia e presença. Ártemis não é princesa esperando resgate. É rainha do próprio território”.
Patrícia Carvalho, alquimista das ervas e criadora da Oficina das Ervas, situada em Visconde de Mauá, sugere a Artemísia no banho energético feminino, que é um chamado da alma. “Um momento de reconexão. Um presente da Mãe Natureza. É o momento em que a mulher silencia o mundo externo para ouvir o próprio ventre, onde mora sua sabedoria ancestral”.
Patrícia pede para antes do banho, você se conectar com o corpo, honrar os ciclos e reafirmar a própria força para se sentir merecedora desta sabedoria ancestral que habita no feminino. “Ao preparar as ervas, ela não apenas aquece a água — ela desperta memórias antigas, reconecta-se às suas raízes e honra os ciclos que fluem dentro de si. Aqui escolhemos a Artemísia , a Lavanda e o Alecrim. Quando a Artemisia vulgaris toca a água, ativa a energia lunar, intuitiva e protetora. A Lavandula angustifolia (Alfazema) envolve o campo emocional em suavidade e acolhimento. O Rosmarinus officinalis (Alecrim) desperta a força interior, reacendendo a chama da vitalidade e da autoconfiança”, diz Patrícia.
Como preparar:
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- Ferva 1 litro de água
- Desligue o fogo
- Acrescente um punhado das ervas e flores
- Tampe e deixe em infusão por 10–15 minutos
- Coe
Ao derramar a infusão do pescoço para baixo, a mulher pode visualizar toda energia densa sendo dissolvida.
“Que as dores antigas escorram pelo ralo.
Que as palavras não ditas sejam libertadas.
Que o medo se transforme em luz.
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Esse não é apenas um banho.
É um rito de passagem.
É um retorno ao sagrado feminino.
Entre aromas, vapores e intenção, ela se lembra: É cíclica como a lua.
É profunda como as águas.
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É força e suavidade ao mesmo tempo.
E ao final, envolta em paz, ela renasce — mais leve, mais consciente, mais inteira”.
Agnes é descrita como alguém que mistura “ciência e misticismo”. Ela usa infusões de camomila e eyebright (eufrásia) para tratar a pele dolorida e outras ervas para curar um corte na testa de William. A arruda foi usada por Agnes para “limpar” a casa de energias negativas e doenças, o Alecrim foi queimado para criar fumaça purificadora e como símbolo de memória. já o zimbro foi utilizado para perfumar e desinfetar o ambiente. a camomila foi preparada em infusões para acalmar febres e o pânico.
Para Rachel das Flores, terapeuta especializada em medicina caseiras com ervas e flores, Doutora em Alimentação, Nutrição e Saúde, pós-graduada em Ciências da Homeopatia e em Fitoterapia e Plantas Medicinais, a Artemísia tem a frequência do feminino selvagem. “ Ao contrário da Lavanda que é mais doce, mais leve e calma, a Artemísia tem energia de movimento, ela “corre com os lobos”, um feminino que não é domado”.
Segundo Rachel, na fitoenergia, a Artemísia é usada para dar esse movimento e para dar força no dia-a-dia, de levantar e correr atrás do que deseja, dar aquele ar de desafio ( eu vou, vou conseguir, eu aconteço ). “ Ela é indicada num movimento para as mulheres que precisam dar volta por cima, para recuperação emocional. A Artemísia tem o poder de restaurar o feminino autêntico, que tem a coragem de ser quem se é! Ela não aceita que os outros digam quem ela deve ser, é um momento para resgatar a nossa ancestralidade, a nossa origem, se enxergar como uma mulher de valor e a partir disso a gente ir para o mundo e conquistar o mundo com a nossa verdade e nossa essência”.
Para quem não sabe, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (2026), é dirigido por Chloé Zhai e é um drama histórico aclamado baseado no romance de Maggie O’Farrell. Foca no luto de Agnes (Jessie Buckley) e Shakespeare (Paul Mescal) pela morte de seu filho de 11 anos em 1596, explorando como essa dor inspirou a criação da icônica tragédia. O filme é um forte concorrente ao Oscar 2026 com 8 indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz.
Beijos!
Helen
Domine o fato. Confie na fonte.
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Tenho certeza que o filme Hamnet, que se destaca com o conhecimento herbal de Agnes, personagem de Jessie Buckley, com suas plantas medicinais elisabetanas ancestrais para cura e proteção contra a peste, inspirou você! Eu fui nas nuvens!
As ervas em Hamnet não são apenas medicina, mas uma linguagem de sobrevivência e luto que Agnes usa para tentar controlar o incontrolável e refletem a medicina do século XVI, a teoria dos miasmas e a conexão do feminino com a natureza. Para mim, como terapeuta psicanalista integrativa que usa as ervas para ativar o inconsciente e trazer lembranças ancestrais, foi também uma confirmação de que o feminino não sobrevive sem essas sabedorias que chegam da linhagem feminina.

Quem viu o filme pôde observar que Agnes usou ervas incluindo Arruda (purificação), Alecrim (memória/antisséptico), Zimbro (fumaça), Camomila (conforto) e Meimendro (tóxico/simbolismo de veneno), entre outras ervas como a lavanda, hortelã, ulmária, absinto, angélica, valeriana e confrei. Muitas vezes repetindo um mantra antigo feitiço anglo-saxão, que invoca plantas para combater venenos e doenças ensinado por sua mãe sobre a Artemísia, chamando-a de “a mais velha das plantas” ou “Unna”, usada para proteção, visão e intuição.
Para falar dessa imersão e do poder das ervas e da Artemísia, conversei com algumas amigas terapeutas especializadas no assunto. Vamos aprender mais?
Palmira Margarida, doutora pela UFRJ especialista em perfumaria antiga e mitologias femininas, é historiadora pela UFF, perfumista botânica e fundadora da Escola Perfumaria Ancestral. Ela diz: Há uma informação que toda mulher deveria saber: As deusas antigas nasceram das plantas!
“Nossas ancestrais observavam as plantas não apenas pelo uso prático, mas como espelhos simbólicos da própria existência humana. Antes mesmo da linguagem química moderna, elas compreendiam ciclos, ritmos, comportamentos e efeitos sutis das plantas sobre o corpo e a psique. Assim nasceram muitos arquétipos femininos associados ao mundo vegetal.
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Um dos exemplos mais fascinantes sobre isso é a conexão da erva artemísia com a deusa grega Ártemis. “O gênero botânico Artemisia recebeu esse nome em homenagem a Ártemis, divindade ligada à natureza selvagem, à lua, à autonomia feminina, à caça e à proteção das mulheres. A planta expressa qualidades similares ao que o arquétipo da deusa Ártemis passa às mulheres”.
Segundo Palmira, a Artemisia contém bioativos que influenciam nos hormônios femininos e por isso, a tradição popular já a associava ao cuidado feminino, especialmente em momentos de transição hormonal como TPM, climatério e menopausa.

“É a erva da bruxa não à toa, ela é a ponta, a reconexão entre mulheres e o seu estado mais interior e visceral. Ela coloca a mulher para transbordar, se reencontrar. É justamente nesse ponto que o arquétipo de Ártemis se torna profundamente atual. Na mitologia, ela representa independência, liberdade corporal, reconexão e autonomia feminina. É a mulher que caminha pela mata, segura de si, dona do próprio território, capaz de proteger a si mesma e às outras.
Na perfumaria industrial a artemísia não é das matérias-primas mais usadas na indústria contemporânea, que privilegia acordes mais comerciais. No entanto, dentro de uma abordagem botânica e ritualística, trata-se de uma nota herbácea intensa, vibrante e terapêutica.
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Palmira costuma utilizá-la em composições voltadas a mulheres que relatam exaustão emocional, sensação de perda de identidade ou necessidade de reconexão com sua própria força. “Também para as que sentem que estão na pré menopausa ou menopausa.
“O feminino da artemísia é o da feiticeira, a mulher dona do próprio nariz, e não de uma Ártemis e tantas outras encarnam, é potência, vitalidade, autonomia e presença. Ártemis não é princesa esperando resgate. É rainha do próprio território”.
Patrícia Carvalho, alquimista das ervas e criadora da Oficina das Ervas, situada em Visconde de Mauá, sugere a Artemísia no banho energético feminino, que é um chamado da alma. “Um momento de reconexão. Um presente da Mãe Natureza. É o momento em que a mulher silencia o mundo externo para ouvir o próprio ventre, onde mora sua sabedoria ancestral”.
Patrícia pede para antes do banho, você se conectar com o corpo, honrar os ciclos e reafirmar a própria força para se sentir merecedora desta sabedoria ancestral que habita no feminino. “Ao preparar as ervas, ela não apenas aquece a água — ela desperta memórias antigas, reconecta-se às suas raízes e honra os ciclos que fluem dentro de si. Aqui escolhemos a Artemísia , a Lavanda e o Alecrim. Quando a Artemisia vulgaris toca a água, ativa a energia lunar, intuitiva e protetora. A Lavandula angustifolia (Alfazema) envolve o campo emocional em suavidade e acolhimento. O Rosmarinus officinalis (Alecrim) desperta a força interior, reacendendo a chama da vitalidade e da autoconfiança”, diz Patrícia.
Como preparar:
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- Ferva 1 litro de água
- Desligue o fogo
- Acrescente um punhado das ervas e flores
- Tampe e deixe em infusão por 10–15 minutos
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“Que as dores antigas escorram pelo ralo.
Que as palavras não ditas sejam libertadas.
Que o medo se transforme em luz.
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É um rito de passagem.
É um retorno ao sagrado feminino.
Entre aromas, vapores e intenção, ela se lembra: É cíclica como a lua.
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E ao final, envolta em paz, ela renasce — mais leve, mais consciente, mais inteira”.
Agnes é descrita como alguém que mistura “ciência e misticismo”. Ela usa infusões de camomila e eyebright (eufrásia) para tratar a pele dolorida e outras ervas para curar um corte na testa de William. A arruda foi usada por Agnes para “limpar” a casa de energias negativas e doenças, o Alecrim foi queimado para criar fumaça purificadora e como símbolo de memória. já o zimbro foi utilizado para perfumar e desinfetar o ambiente. a camomila foi preparada em infusões para acalmar febres e o pânico.
Para Rachel das Flores, terapeuta especializada em medicina caseiras com ervas e flores, Doutora em Alimentação, Nutrição e Saúde, pós-graduada em Ciências da Homeopatia e em Fitoterapia e Plantas Medicinais, a Artemísia tem a frequência do feminino selvagem. “ Ao contrário da Lavanda que é mais doce, mais leve e calma, a Artemísia tem energia de movimento, ela “corre com os lobos”, um feminino que não é domado”.
Segundo Rachel, na fitoenergia, a Artemísia é usada para dar esse movimento e para dar força no dia-a-dia, de levantar e correr atrás do que deseja, dar aquele ar de desafio ( eu vou, vou conseguir, eu aconteço ). “ Ela é indicada num movimento para as mulheres que precisam dar volta por cima, para recuperação emocional. A Artemísia tem o poder de restaurar o feminino autêntico, que tem a coragem de ser quem se é! Ela não aceita que os outros digam quem ela deve ser, é um momento para resgatar a nossa ancestralidade, a nossa origem, se enxergar como uma mulher de valor e a partir disso a gente ir para o mundo e conquistar o mundo com a nossa verdade e nossa essência”.
Para quem não sabe, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (2026), é dirigido por Chloé Zhai e é um drama histórico aclamado baseado no romance de Maggie O’Farrell. Foca no luto de Agnes (Jessie Buckley) e Shakespeare (Paul Mescal) pela morte de seu filho de 11 anos em 1596, explorando como essa dor inspirou a criação da icônica tragédia. O filme é um forte concorrente ao Oscar 2026 com 8 indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz.
Beijos!
Helen
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