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Chay Suede estreou no palco 15 anos depois de começar sua carreira, nessa sexta (15/01), com “Peça infantil — A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay”, no Teatro Casa Grande, no Leblon, sob a direção de Felipe Hirsch (em seu 51º espetáculo), e com dramaturgia dividida com o escritor e tradutor Caetano Galindo.
A peça é tudo menos infantil, com humor filosófico misturando histórias reais e inventadas envolvendo episódios da infância e adolescência de Chay com referências clássicas da literatura, como “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy” (Laurence Sterne) e “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis), brincando com o conceito de biografia — ou autoficção — deixando a plateia pensando se aquilo tudo aconteceu ou foi inventado na hora. Uma das preocupações do ator era a família, porque algumas passagens são, digamos, bem “cabeludas”. Mas como o personagem diz, ele veio para confundir e não pra explicar: “Tudo é mentira, menos o que parece mentira. Tudo é verdade, menos a verdade.”
Para Chay, o processo foi um tanto terapêutico, com a experiência se transformando em “divã” criativo, onde muitas histórias foram usadas e outras deixadas de fora – ele agradece por isso.
Na plateia, amigos e parentes até reconheceram algumas delas, outras eram dúvidas, assim como para quem não conhece o ator, mas ele diz que: “Mesmo as histórias que eu contei moram em memórias antigas e talvez eu mesmo tenha fantasiado sobre elas, aumentado uns pontos, diminuindo outros. Eu mesmo me perco. Quem for assistir, vai sair na dúvida”.
A cenografia é de Daniela Thomas, que usou vídeos para compor a atmosfera de memórias.
Chay comenta a estreia: “Não sei nem por onde começar a dizer o que tenho a dizer sobre o quanto esta obra (de natureza diversa) me transformou e segue transformando. Escrevemos essa história com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e em momento algum fizemos qualquer resistência à tentação recorrente de roubar ideias e umas (muitas) frases de tantos, tantos outros autores e artistas. E, pra ser sincero, não posso afirmar que, mesmo as ideias (e histórias) que, em teoria deveriam ser minhas, sejam de fato minhas. Já não sei se tenho maturidade para enxergar com clareza onde começa uma coisa e termina outra. Por muitas vezes pensei não ser meu o mundo do teatro, a não ser quando eu era quem estava sentado nas cadeiras da plateia, assistindo às enormes peças do meu diretor favorito, Felipe Hirsch. E foi ele quem me convenceu do contrário; convidou meu outro ídolo, Caetano Galindo para a dramaturgia, que por sua vez, escreveu, escreveu, jamais tinha escrito assim. E eu, é claro, decorei e decorei, e apanhei (o texto tem frases rebuscadas, mas com subtexto moderno). No fundo, foi pouco. Os meses de ensaio passaram rápido até demais, mas foram longos o bastante para abrir e cicatrizar feridas. Só depois de muito cataplasma e curativo renascemos (mais puros e lanhados do que nunca) e aqui estamos”.
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A peça é tudo menos infantil, com humor filosófico misturando histórias reais e inventadas envolvendo episódios da infância e adolescência de Chay com referências clássicas da literatura, como “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy” (Laurence Sterne) e “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis), brincando com o conceito de biografia — ou autoficção — deixando a plateia pensando se aquilo tudo aconteceu ou foi inventado na hora. Uma das preocupações do ator era a família, porque algumas passagens são, digamos, bem “cabeludas”. Mas como o personagem diz, ele veio para confundir e não pra explicar: “Tudo é mentira, menos o que parece mentira. Tudo é verdade, menos a verdade.”
Para Chay, o processo foi um tanto terapêutico, com a experiência se transformando em “divã” criativo, onde muitas histórias foram usadas e outras deixadas de fora – ele agradece por isso.
Na plateia, amigos e parentes até reconheceram algumas delas, outras eram dúvidas, assim como para quem não conhece o ator, mas ele diz que: “Mesmo as histórias que eu contei moram em memórias antigas e talvez eu mesmo tenha fantasiado sobre elas, aumentado uns pontos, diminuindo outros. Eu mesmo me perco. Quem for assistir, vai sair na dúvida”.
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Chay comenta a estreia: “Não sei nem por onde começar a dizer o que tenho a dizer sobre o quanto esta obra (de natureza diversa) me transformou e segue transformando. Escrevemos essa história com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e em momento algum fizemos qualquer resistência à tentação recorrente de roubar ideias e umas (muitas) frases de tantos, tantos outros autores e artistas. E, pra ser sincero, não posso afirmar que, mesmo as ideias (e histórias) que, em teoria deveriam ser minhas, sejam de fato minhas. Já não sei se tenho maturidade para enxergar com clareza onde começa uma coisa e termina outra. Por muitas vezes pensei não ser meu o mundo do teatro, a não ser quando eu era quem estava sentado nas cadeiras da plateia, assistindo às enormes peças do meu diretor favorito, Felipe Hirsch. E foi ele quem me convenceu do contrário; convidou meu outro ídolo, Caetano Galindo para a dramaturgia, que por sua vez, escreveu, escreveu, jamais tinha escrito assim. E eu, é claro, decorei e decorei, e apanhei (o texto tem frases rebuscadas, mas com subtexto moderno). No fundo, foi pouco. Os meses de ensaio passaram rápido até demais, mas foram longos o bastante para abrir e cicatrizar feridas. Só depois de muito cataplasma e curativo renascemos (mais puros e lanhados do que nunca) e aqui estamos”.
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