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Imortal da Academia Brasileira de Letras, Evanildo Bechara morreu nesta quinta 22), aos 97 anos, e está sendo velado nesta sexta (23) no Petit Trianon da ABL. O gramático, linguista e filólogo considerado a maior referência no assunto no Brasil, deixa vaga não apenas a cadeira 33, que teve como primeiro titular Raul Pompeia. Ele também fará falta no dia a dia da instituição, onde desempenhava papeis considerados imprescindíveis. Até pouco tempo atrás, presidia a Comissão de Lexicografia e Lexicologia da instituição, responsável pela edição de documentos essenciais, como o “Dicionário da Língua Portuguesa” e o “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, o Volp. Além disso, respondia “com muita propriedade às dúvidas de especialistas como Shahira Mahmud e Feiga Fiszon sobre a inserção de novas palavras no léxico, pois a língua é dinâmica e pede essas providências”, contou há dois anos o também imortal Arnaldo Niskier, em artigo publicado no site da academia no qual elogia sua “vitalidade extraordinária”.
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Nascido em Recife, em 1928, Evanildo era professor titular e emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), além de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Ele também ocupava a cadeira de número 16 da Academia Brasileira de Filologia. Autor de várias das principais obras gramaticais da língua portuguesa destinadas tanto a pessoas leigas quanto profissionais da área, como a Moderna Gramática Portuguesa, que já teve 40 edições desde seu primeiro lançamento em 1961, o professor ainda atuava como editor na revista Confluência, dedicada a temas linguísticos editada pelo Liceu Literário. Entre 1971 e 1976, editou a Littera, voltada para professores de português e literatura de língua portuguesa. “Evanildo Bechara era o maior especialista em língua portuguesa, com fama que ultrapassa nossas fronteiras. Foi o representante brasileiro na reforma ortográfica feita com Portugal”, disse à Folha de São Paulo o presidente da ABL, Merval Pereira.
Apesar de dificuldades de visão, aos 95 anos ainda lançou uma atualização de seu clássico “Lições de Português pela Análise Sintática” e uma edição comemorativa de “Primeiros Ensaios sobre Língua Portuguesa”, sua estreia em publicações de cunho científico. “Não é contra os estrangeirismos, mas a forma como entram em nossa língua: ‘Língua é uso’, diz Bechara. ‘É algo que se concretiza no falar das pessoas’”, contou Nisckier, em seu artigo.” segundo ele, era com essa inspiração que Bechara dirigia a Comissão de Lexicografia e Lexicologia desde 2017. “Em 2009, foi responsável pela quinta edição do Volp, que se tornou um instrumento histórico. A partir da sua edição, todo o país passou a escrever da mesma forma, livros, jornais e revistas”, destacou, lembrando ainda que, quando instado a se pronunciar sobre a chamada linguagem neutra, o gramático afirmou que se tratava de um fenômeno mais de “opinião” do que de “ciência”. E que por isso ainda não aderira à inovação.
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“Bechara enfrentou algumas críticas por causa da palavra ‘dorama’, por ele sugerida para entrar no Dicionário da Academia como inovação necessária. Significa drama em japonês e coreano. É uma prova de que o dicionário não pode ser estático. Sujeita-se também às inovações inevitáveis do idioma, pela influência de outras línguas”, relembro o imortal, no artigo, acrescentando que o colega rebateu as críticas, considerando que, assim como entram, algumas palavras podem sair do dicionário. “Citou a existência do “desuso”, que devemos igualmente considerar. Ele está aberto a essas discussões, que, na verdade, somente enriquecem o nosso idioma. Sua grande obra aborda todas essas questões. Serão consideradas de forma permanente”, observou.
Evanildo Bechara estava internado no Hospital Placi, em Botafogo, e morreu por falência múltipla de órgãos.
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