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Unicef: violência no Complexo da Maré impacta na vacinação de crianças

Priscila Thereso - reporter da Radio Nacional by Priscila Thereso - reporter da Radio Nacional
24 de outubro de 2025
in Destaque
0
unicef:-violencia-no-complexo-da-mare-impacta-na-vacinacao-de-criancas

Unicef: violência no Complexo da Maré impacta na vacinação de crianças

O direito à saúde e a imunização ameaçados pela violência armada. Essa é a realidade dos moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Cerca de 80 crianças ficaram sem vacinas a cada dia de operação policial e reação do crime organizado no conjunto de favelas, em 2024 e no primeiro semestre deste ano. É o que aponta o estudo “A Primeira Infância na Maré, impactos da violência armada na saúde e imunização de crianças até 6 anos de vida”, lançado hoje pelas Redes da Maré e UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Segundo a chefe do escritório do UNICEF no Rio de Janeiro, Flavia Antunes, o medo e a insegurança impedem o acesso aos serviços de saúde:

“Quando você tem operação policial, a vacinação naquela região, das favelas da Maré, ela cai 90%. É uma queda muito significativa no dia que o posto de saúde está fechado, mas não só no dia, nos 15 dias seguintes em que o posto abre menos horas, ou que ele está totalmente aberto, essa vacinação, ela continua muito menor do que nos outros locais onde não tem operação policial”, diz. 

Ela ressalta a importância das vacinas na primeira infância:

“O que a gente quer mostrar é que a segurança pública, o modelo não protetivo da infância de segurança pública atualmente, ele está funcionando como um determinante social da saúde. Ele está impedindo que as crianças e adolescentes acessem o seu direito à vacinação. A gente está falando de vacinas absolutamente centrais nesse período, a poliomielite, sarampo, coqueluche, né, e o Brasil vem nessa trajetória de recuperação da sua cobertura vacinal. Nesse caso, a gente não está falando nem hesitação vacinal. As pessoas estão convencidas da importância da vacina. A questão é que elas não podem tomar essas vacinas, porque enquanto você estiver blindado na porta, você tem fala de vacinação vazia”, fala.

Além disso, a chefe do escritório do UNICEF destaca as consequências da não vacinação para a comunidade:

“E a imunidade de rebanho, ela é essencial para um território que tem muita gente, ou seja, que é densamente povoado, como o da Maré, e que tem desafios de saneamento, a gente sabe disso. Então, a imunidade de rebanho, ela acaba protegendo indiretamente quem não pode ser vacinado, como, por exemplo, recém-nascidos. Quando você compromete a imunidade coletiva, você impacta não somente as crianças, mas você amplia o risco de surto e de epidemia”, completa.

Também a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, manifestou preocupação e fez um alerta quanto às baixas coberturas vacinais e o grande risco que representa:

“A vacinação fez com que essas doenças que foram a maior causa de mortalidade infantil no país, deixassem de acontecer. Só que esse “parar de vacinar”, o vírus e as bactérias, eles continuam por aí. Ou eles podem entrar, como é o caso do sarampo, quando chega uma pessoa de fora. Se ela encontra uma população não vacinada, isso significa que a doença vai conseguir se instalar aqui”, afirma.

Como parte das recomendações, o estudo indica ampliar a vacinação em outros espaços, como escolas, centros de assistência social, além de equipes móveis para visitas domiciliares e identificação das famílias afetadas.

O direito à saúde e a imunização ameaçados pela violência armada. Essa é a realidade dos moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Cerca de 80 crianças ficaram sem vacinas a cada dia de operação policial e reação do crime organizado no conjunto de favelas, em 2024 e no primeiro semestre deste ano. É o que aponta o estudo “A Primeira Infância na Maré, impactos da violência armada na saúde e imunização de crianças até 6 anos de vida”, lançado hoje pelas Redes da Maré e UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Segundo a chefe do escritório do UNICEF no Rio de Janeiro, Flavia Antunes, o medo e a insegurança impedem o acesso aos serviços de saúde:

“Quando você tem operação policial, a vacinação naquela região, das favelas da Maré, ela cai 90%. É uma queda muito significativa no dia que o posto de saúde está fechado, mas não só no dia, nos 15 dias seguintes em que o posto abre menos horas, ou que ele está totalmente aberto, essa vacinação, ela continua muito menor do que nos outros locais onde não tem operação policial”, diz. 

Ela ressalta a importância das vacinas na primeira infância:

“O que a gente quer mostrar é que a segurança pública, o modelo não protetivo da infância de segurança pública atualmente, ele está funcionando como um determinante social da saúde. Ele está impedindo que as crianças e adolescentes acessem o seu direito à vacinação. A gente está falando de vacinas absolutamente centrais nesse período, a poliomielite, sarampo, coqueluche, né, e o Brasil vem nessa trajetória de recuperação da sua cobertura vacinal. Nesse caso, a gente não está falando nem hesitação vacinal. As pessoas estão convencidas da importância da vacina. A questão é que elas não podem tomar essas vacinas, porque enquanto você estiver blindado na porta, você tem fala de vacinação vazia”, fala.

Além disso, a chefe do escritório do UNICEF destaca as consequências da não vacinação para a comunidade:

“E a imunidade de rebanho, ela é essencial para um território que tem muita gente, ou seja, que é densamente povoado, como o da Maré, e que tem desafios de saneamento, a gente sabe disso. Então, a imunidade de rebanho, ela acaba protegendo indiretamente quem não pode ser vacinado, como, por exemplo, recém-nascidos. Quando você compromete a imunidade coletiva, você impacta não somente as crianças, mas você amplia o risco de surto e de epidemia”, completa.

Também a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, manifestou preocupação e fez um alerta quanto às baixas coberturas vacinais e o grande risco que representa:

“A vacinação fez com que essas doenças que foram a maior causa de mortalidade infantil no país, deixassem de acontecer. Só que esse “parar de vacinar”, o vírus e as bactérias, eles continuam por aí. Ou eles podem entrar, como é o caso do sarampo, quando chega uma pessoa de fora. Se ela encontra uma população não vacinada, isso significa que a doença vai conseguir se instalar aqui”, afirma.

Como parte das recomendações, o estudo indica ampliar a vacinação em outros espaços, como escolas, centros de assistência social, além de equipes móveis para visitas domiciliares e identificação das famílias afetadas.

Priscila Thereso - reporter da Radio Nacional

Priscila Thereso - reporter da Radio Nacional

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