A transição de Campos Neto do topo da regulação bancária para uma das fintechs mais poderosas do continente reacende um debate sobre a chamada “porta giratória”, quando ex-reguladores, ainda influentes, passam a atuar em favor de empresas privadas que devem ser supervisionadas por seus antigos órgãos.
Em nota, o Nubank disse que a gestão de Campos Neto no BC “implementou uma agenda ampla ancorada nos pilares de inclusão financeira, educação financeira, aumento da concorrência e sustentabilidade” e citou as passagens prévias dele por instituições financeiras privados, como Santander, Claritas e Bozano Simonsen.
O tema é amplamente discutido nos Estados Unidos, onde os laços entre reguladores e entidades supervisionadas são constantemente temas de críticas políticas e acadêmicas. No Brasil, o debate da porta giratória esteve presente nos últimos 25 anos, embora a regulação não estabeleça outra obrigação além da quarentena antes de seguir para a iniciativa privada.
Os dois ex-presidentes do Banco Central do Brasil, antes de Campos Neto, passaram ao largo dos rumores de conflitos de interesse porque foram exercer cargos no sistema multilateral. Alexandre Tombini (2011-2016), indicado por Dilma Rousseff, e Ilan Goldfajn (2016-2018), no governo Michel Temer, seguiram carreiras em instituições internacionais como o FMI (Fundo Monetário Internacional e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), mantendo interlocução com o sistema financeiro global.
Henrique Meirelles (2003-2010), presidente do BC nos mandatos Lula 1 e 2, assumiu uma posição no grupo J&F, controlador da JBS, e anos depois retornou ao setor público como ministro da Fazenda. Embora a J&F seja uma holding, não uma instituição financeira supervisionada pela autoridade monetária, ela controla o Banco Original, instituição financeira fundada em 2011 a partir da fusão de dois bancos, o Banco JBS e o Banco Matone.
Armínio Fraga (1999-2003), indicado ao cargo no governo FHC 2, fundou a gestora Gávea Investimentos logo após deixar o BC, em um movimento que gerou debate sobre conflitos de interesse. Fraga, aliás, havia sido atacado pela então oposição petista por ter trabalhado anteriormente no fundo do financista internacional George Soros.
























