
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, confirmou hoje que o governo vai regulamentar por decreto, ainda nesta semana, a lei da reciprocidade tarifária, e vai buscar novos mercados para commodities brasileiras, como petróleo, café e carne, em resposta à taxação de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Brasil, conforme reportagem do jornal O Estado. S. Paulo.
O que aconteceu
O governo criou um grupo de trabalho com a Casa Civil e os MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e da Fazenda, a Secretaria de Relações Institucionais e empresários para analisar as tarifas. O GT, que será coordenado pelo vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin, se reunirá a partir desta segunda-feira (14) para preparar medidas até o 1º de agosto, quando a taxação está prevista para começar a valer.
E ao longo da semana, vamos fazer o decreto de regulamentação da reciprocidade e vamos analisar e preparar as medidas até o dia 1º de agosto. (…) Se for efetivada [a tarifa], nós adotaremos várias medidas para proteger o interesse da economia brasileira, do emprego e da atividade econômica do nosso país
Rui Costa, ministro da Casa Civil
Em resposta à taxação em 50%, divulgada por Trump na quarta-feira (9), Lula anunciou que deve implementar uma taxa de reciprocidade, caso a tarifa americano seja imposta. Segundo Rui Costa, no entanto, outras medidas também podem ser adotadas.
A afirmação foi feita hoje após entrega de 260 unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida em Salvador. Durante a entrevista a jornalistas, o ministro também destacou que o governo vai buscar novos mercados para vender as commodities brasileiras. “Nós vamos buscar abrir outros mercados, de outros países para colocar nossos produtos”.
Rui Costa ainda levantou a hipótese de que a tarifa nem seja efetivada em agosto e classificou o tarifaço de Trump como “um absurdo, chega a ser inacreditável”. “Quando vimos a notícia, nos primeiros momentos, ninguém acreditou. Teve de confirmar com a embaixada se era verdade ou não. Isso nunca aconteceu na história da diplomacia internacional, seja por enviar a carta por rede social. A carta até hoje não chegou fisicamente. Muito menos fazer a chantagem a um país ou nação”, afirmou.
O que é a lei da reciprocidade
A Lei da Reciprocidade foi criada como reação à guerra comercial iniciada por Trump contra diversos países. Ela foi aprovada na Câmara em 2 de abril de 2025, após acordo entre governo e oposição, e no Senado no dia seguinte, sendo sancionada sem vetos por Lula em 11 de abril e entrando em vigor no dia 14, após publicação no Diário Oficial da União.
O projeto ganhou prioridade após os EUA anunciarem tarifas sobre produtos brasileiros. Na época, Trump havia imposto sobretaxa de 10% sobre todas as exportações do Brasil e de 25% sobre aço e alumínio, setores nos quais o Brasil é o terceiro maior exportador para o mercado americano. Bancadas como a ruralista pressionaram pela aprovação rápida para proteger as exportações brasileiras.
A investida dos EUA contra o Brasil
Nesta semana, Trump foi às redes sociais para revelar que estava taxando em 50% todos os produtos brasileiros exportados aos EUA. Na justificativa, o republicano fez uma vinculação direta entre a punição e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo de tentativa de golpe de Estado. Atendendo a outra ala dentro do Casa Branca, ainda mencionou os ataques do Brasil contra as “big techs”.
Reforço a coação dos Brics. No início da semana, o presidente americano já tinha ido às redes sociais alertar que “qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics terá de pagar uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política”. Na Casa Branca, a porta-voz do governo americano, Karoline Leawitt, justificou o ataque, apontando que o Brics tem como objetivo “prejudicar os interesses dos EUA”.
Tarifaço é mais do que evitar a prisão de Bolsonaro. De acordo com o colunista Jamil Chade, as barreiras comerciais dos EUA são fruto da convergência dos interesses de grupos ideológicos, de empresários de tecnologia e dos anti-China. “O Brics, o avanço do Brasil sobre as plataformas digitais e a pressão da ala mais radical da direita americana por socorrer seus aliados bolsonaristas levaram à medida. A meta: criar condições para que a eleição de 2026 no Brasil abra espaço para um governo alinhado aos interesses políticos e econômicos de Trump”, afirma.
Entidades que representam o agronegócio nacional se posicionaram com preocupação em relação à sobretaxa norte-americana. A medida é apontada como “injusta” e “não recíproca”. Segundo a Amcham Brasil, o tarifaço trará consequências para toda a economia. “Trata-se de uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”, disse a entidade em nota.
(*) Com informações do jornal O Estado de S. Paulo
























