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Hoje citaremos essa fábula na qual uma pomba salva uma formiga que está em um rio, jogando-lhe uma folha para conduzi-la à margem; depois, a formiga pica um caçador para salvar a pomba, demonstrando a importância de ser ajudado e saber retribuir. Quando decidimos ser médicos, entramos nessa longa jornada, mas, diferentemente da fábula, poucos têm a chance de encontrar sua folha.
A carreira médica — digo, a dos verdadeiros médicos, que estudam, usam seu talento e cuidam de pessoas para alcançar reconhecimento e estabilidade financeira — é mais difícil do que a de um grande astro de qualquer esporte. Além de não termos patrocinadores como nas práticas esportivas, não recebemos incentivo financeiro e, em geral, dependemos de nossos próprios recursos ou de familiares para a formação. O apoio do público é escasso, e raramente somos admirados pelos adversários. O mais comum é sermos criticados ou invejados. Poucos conseguem uma folha para tirá-los do rio e permitir que descansem na rica e verde terra firme.
Como na história, começamos na floresta — ou melhor, na faculdade — e alguns logo já querem chegar à margem do emprego, quer dizer, do rio. Há os que permanecem mais tempo se dedicando à longa jornada de suas vidas, ganhando ou perdendo anos nos formigueiros vazios das residências, mestrados e doutorados. Sofrem com a escassez de recursos e o pouco acesso à diversão pela mata, mas tudo com o propósito de encarar o rio mais preparados. Muitas formigas julgam isso uma perda de tempo, até porque não há garantia de que alguém lhes jogará uma folha. Outras sequer caem no rio e buscam a lama das margens para seguir seu caminho.
Ao entrarmos nas águas da profissão, enfrentaremos as pedras da concorrência cheias de limo, as fontes de sedução dos empresários da medicina, o abismo da disparidade salarial do setor público, condições de trabalho nem sempre ideais, correntes de egos, invejas e críticas que teremos que tentar ignorar — o que não é nada fácil, pois não somos formigas, e sim humanos.
As que melhor flutuam e avançam com mais facilidade são alvos de olhares das que não sabem como conduzir sua trajetória nesse rio. Elas precisam aguentar firme e se manter flutuando. Muitos as julgam como trapaceiras, beneficiadas ou sortudas, mesmo sem conhecer a verdadeira história de sua luta. Para algumas, pode até ser essa a sua verdade, mas não para a maioria.
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Nesse rio, existem várias espécies: as que se acomodam e ficam por lá a vida toda, seguindo o caminho que a correnteza lhes leva, e são felizes assim; outras, revoltadas, mesmo sabendo que não buscaram o treinamento adequado; e há também as que farão de tudo por uma folha, mesmo cheia de espinhos. Existem ainda as que se prepararam para entrar, mas que nunca terão a certeza de que a folha aparecerá ao longo do trajeto; lutarão pelo merecimento de recebê-la e a buscarão por ela o tempo todo.
Aqueles que recebem a folha devem saber que ela não foi dada por acaso. Eu tive essa felicidade e me dediquei por anos a salvar milhares de pombas com obesidade de baixa renda.
Nunca poderemos esquecer que seguimos toda essa trajetória porque queremos ser bons médicos e, assim como na fábula, valorizar a bênção de ser levados de volta para a margem. A floresta saberá cuidar de você, pois é sábia em oferecer riqueza e solo fértil àqueles que respeitam o ciclo da gratidão, simbolizado pela folha. Sempre há tempo para retribuir essa dádiva e manter o equilíbrio do bem, para que novas folhas possam ser levadas ao rio.

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Hoje citaremos essa fábula na qual uma pomba salva uma formiga que está em um rio, jogando-lhe uma folha para conduzi-la à margem; depois, a formiga pica um caçador para salvar a pomba, demonstrando a importância de ser ajudado e saber retribuir. Quando decidimos ser médicos, entramos nessa longa jornada, mas, diferentemente da fábula, poucos têm a chance de encontrar sua folha.
A carreira médica — digo, a dos verdadeiros médicos, que estudam, usam seu talento e cuidam de pessoas para alcançar reconhecimento e estabilidade financeira — é mais difícil do que a de um grande astro de qualquer esporte. Além de não termos patrocinadores como nas práticas esportivas, não recebemos incentivo financeiro e, em geral, dependemos de nossos próprios recursos ou de familiares para a formação. O apoio do público é escasso, e raramente somos admirados pelos adversários. O mais comum é sermos criticados ou invejados. Poucos conseguem uma folha para tirá-los do rio e permitir que descansem na rica e verde terra firme.
Como na história, começamos na floresta — ou melhor, na faculdade — e alguns logo já querem chegar à margem do emprego, quer dizer, do rio. Há os que permanecem mais tempo se dedicando à longa jornada de suas vidas, ganhando ou perdendo anos nos formigueiros vazios das residências, mestrados e doutorados. Sofrem com a escassez de recursos e o pouco acesso à diversão pela mata, mas tudo com o propósito de encarar o rio mais preparados. Muitas formigas julgam isso uma perda de tempo, até porque não há garantia de que alguém lhes jogará uma folha. Outras sequer caem no rio e buscam a lama das margens para seguir seu caminho.
Ao entrarmos nas águas da profissão, enfrentaremos as pedras da concorrência cheias de limo, as fontes de sedução dos empresários da medicina, o abismo da disparidade salarial do setor público, condições de trabalho nem sempre ideais, correntes de egos, invejas e críticas que teremos que tentar ignorar — o que não é nada fácil, pois não somos formigas, e sim humanos.
As que melhor flutuam e avançam com mais facilidade são alvos de olhares das que não sabem como conduzir sua trajetória nesse rio. Elas precisam aguentar firme e se manter flutuando. Muitos as julgam como trapaceiras, beneficiadas ou sortudas, mesmo sem conhecer a verdadeira história de sua luta. Para algumas, pode até ser essa a sua verdade, mas não para a maioria.
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Nesse rio, existem várias espécies: as que se acomodam e ficam por lá a vida toda, seguindo o caminho que a correnteza lhes leva, e são felizes assim; outras, revoltadas, mesmo sabendo que não buscaram o treinamento adequado; e há também as que farão de tudo por uma folha, mesmo cheia de espinhos. Existem ainda as que se prepararam para entrar, mas que nunca terão a certeza de que a folha aparecerá ao longo do trajeto; lutarão pelo merecimento de recebê-la e a buscarão por ela o tempo todo.
Aqueles que recebem a folha devem saber que ela não foi dada por acaso. Eu tive essa felicidade e me dediquei por anos a salvar milhares de pombas com obesidade de baixa renda.
Nunca poderemos esquecer que seguimos toda essa trajetória porque queremos ser bons médicos e, assim como na fábula, valorizar a bênção de ser levados de volta para a margem. A floresta saberá cuidar de você, pois é sábia em oferecer riqueza e solo fértil àqueles que respeitam o ciclo da gratidão, simbolizado pela folha. Sempre há tempo para retribuir essa dádiva e manter o equilíbrio do bem, para que novas folhas possam ser levadas ao rio.

























