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Depois de décadas sem novidades no arsenal terapêutico contra a gonorreia, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana semelhante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, aprovou um novo medicamento para o tratamento dessa infecção sexualmente transmissível (IST).
Indicada para pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, a zoliflodacina (que leva o nome comercial Nuzolvence), é um medicamento oral de dose única – um detalhe relevante quando se fala em adesão ao tratamento de ISTs.
Estimativas globais apontam mais de 82 milhões de novos casos de gonorreia por ano. O problema é que a bactéria responsável pela infecção, a Neisseria gonorrhoeae, vem acumulando resistência a praticamente todos os antibióticos usados historicamente no seu tratamento.
Hoje, resta basicamente uma única opção recomendada: a ceftriaxona. E sinais de resistência a esse antibiótico já começaram a aparecer, com aumento expressivo de casos resistentes em algumas regiões do mundo. Justamente por isso, a importância do novo medicamento.
Uma nova classe, um novo mecanismo
A zoliflodacina pertence a uma classe inédita de antibióticos, as espiropirimidinetrionas, e atua por um mecanismo diferente dos fármacos disponíveis hoje. Ela inibe a topoisomerase tipo II, uma enzima importante para a replicação e a sobrevivência da bactéria.
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Em estudos laboratoriais, o medicamento demonstrou atividade contra todas as cepas resistentes da gonorreia. Os resultados foram publicados na revista The Lancet.
Além dos resultados clínicos, o desenho do estudo também chama atenção. Foi o maior ensaio clínico já realizado para um novo tratamento contra a gonorreia e um dos mais diversos do ponto de vista geográfico e populacional.
Ao todo, 930 participantes foram incluídos em 16 centros de pesquisa distribuídos por cinco países e quatro continentes: Bélgica, Holanda, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos. O estudo priorizou regiões com alta prevalência da infecção e incluiu grupos historicamente sub-representados em pesquisas clínicas, como mulheres, adolescentes e pessoas vivendo com HIV.
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Outra coisa que chama atenção no medicamento é a forma como foi desenvolvido. A zoliflodacina é o primeiro antibiótico aprovado fruto de um modelo de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos, liderado pela Global Antibiotic Research and Development Partnership (GARDP), em parceria com a Innoviva Specialty Therapeutics.
Para o infectologista Edward Hook, professor da Universidade do Alabama e coordenador do protocolo do estudo, o cenário atual pede por respostas urgentes. “A ausência de novos tratamentos para gonorreia por décadas, somada ao avanço da resistência antimicrobiana, criou desafios significativos para o controle de uma infecção comum e potencialmente grave”, afirmou.
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Além dos resultados clínicos, o desenho do estudo também chama atenção. Foi o maior ensaio clínico já realizado para um novo tratamento contra a gonorreia e um dos mais diversos do ponto de vista geográfico e populacional.
Ao todo, 930 participantes foram incluídos em 16 centros de pesquisa distribuídos por cinco países e quatro continentes: Bélgica, Holanda, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos. O estudo priorizou regiões com alta prevalência da infecção e incluiu grupos historicamente sub-representados em pesquisas clínicas, como mulheres, adolescentes e pessoas vivendo com HIV.
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Para o infectologista Edward Hook, professor da Universidade do Alabama e coordenador do protocolo do estudo, o cenário atual pede por respostas urgentes. “A ausência de novos tratamentos para gonorreia por décadas, somada ao avanço da resistência antimicrobiana, criou desafios significativos para o controle de uma infecção comum e potencialmente grave”, afirmou.
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