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Muitos vão pela prosa. A virada impossível, o perna de pau virado pra lua, o vira-casaca da rua. A primeira vez no Maraca, a camisa da sorte, o lance de Pelé. Cada alma ali tem um suprimento inesgotável dessas memórias deliciosamente suspeitas.
Ora alegram com a despretensão de uma anedota no bar. Ora ventilam peripécias e comovem. Ora inflamam, polemizam, sem jamais traírem a elegância. Frustram o algoritmo. No fim das contas, refrescam mais do que a cerveja a tiracolo.
Outros preferem a contemplação. Garimpam uniformes, figurinhas, flâmulas, fotos, troféus, livros, almanaques. Devoram os pedaços de paraíso com o olhar infantil no parque de diversão. Se pudessem, levariam todos os brinquedos e os poriam num altar.
Muitos outros pescam ídolos que dão pinta entre os mortais. Descem do pôster, do imaginário, e apimentarem os papos com a eletricidade de um cavaco no fundo de quintal.
Conversam amarradões. Conversa de bamba. Conversam como quem curte o drible inventado no chão de terra ou o inefável comichão da grama onde as pernas bailam e arrepiam a arquibancada.
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Afonsinho, Pintinho, Carlos Roberto, Zico, Gil, Deley, Paulinho Pereira, Nielsen etc. etc. Como é bom vê-los ou revê-los. Feras com sangue de fábula. Pulsam verões de histórias docemente sacanas, singelamente saudosas, histórias superiores à ficção, desapegadas de verdades, estatísticas, arrogâncias. Tiram onda mesmo sem querer.
Colecionadores, ex-jogadores, fãs, curiosos, todos ali beiram um platonismo de chuteiras. Buscam não propriamente afagos nostálgicos. À paixão compartilhada, rogam um mundo que faça sentido. Costumam ser atendidos.
Ali o passado não é uma foto na parede. Ali o passado flui como o rio que dá vida ao pescador. Ali ele nos banha com a transcendência da arte. Alívio aos tempos brutos.
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Talvez por isso encontros como a feira Geral acolham uma galera crescente. A primeira edição do ano, entrada franca, está marcada para 31 de janeiro e 1º de fevereiro, das 11h às 22h, no Mercado Produtor do Uptown (Av. das Américas 5.500, Barra).
Organizada pelo colecionador e artista gráfico Luís Quedinho, com apoio cultural do Museu da Pelada e do Jornal dos Sports, a iniciativa congrega pavilhões, gerações, corações em torno do vasto capital simbólico do futebol. “É mais do que um brechó a céu aberto”, anima-se Quedinho. Ele conta as novidades:
“A feira cresceu. Está com 54 expositores, de várias partes do país e até da Argentina, do Chile e da Guatemala. Agora a da Loja do Galinho está conosco, grande reforço”, empolga-se. “Teremos também a exposição Camisa Raiz, com peças do Bonsucesso, Campo Grande, Ceres, Olaria, entre outras, dos anos 70, 80, 90. Três telões vão passar vários jogos, como a final da Super Copa do Brasil. É só chegar”.
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Convite assim é pênalti. Disso sabem boleiros de toda espécie.
______
Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.
Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
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Muitos vão pela prosa. A virada impossível, o perna de pau virado pra lua, o vira-casaca da rua. A primeira vez no Maraca, a camisa da sorte, o lance de Pelé. Cada alma ali tem um suprimento inesgotável dessas memórias deliciosamente suspeitas.
Ora alegram com a despretensão de uma anedota no bar. Ora ventilam peripécias e comovem. Ora inflamam, polemizam, sem jamais traírem a elegância. Frustram o algoritmo. No fim das contas, refrescam mais do que a cerveja a tiracolo.
Outros preferem a contemplação. Garimpam uniformes, figurinhas, flâmulas, fotos, troféus, livros, almanaques. Devoram os pedaços de paraíso com o olhar infantil no parque de diversão. Se pudessem, levariam todos os brinquedos e os poriam num altar.
Muitos outros pescam ídolos que dão pinta entre os mortais. Descem do pôster, do imaginário, e apimentarem os papos com a eletricidade de um cavaco no fundo de quintal.
Conversam amarradões. Conversa de bamba. Conversam como quem curte o drible inventado no chão de terra ou o inefável comichão da grama onde as pernas bailam e arrepiam a arquibancada.
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Colecionadores, ex-jogadores, fãs, curiosos, todos ali beiram um platonismo de chuteiras. Buscam não propriamente afagos nostálgicos. À paixão compartilhada, rogam um mundo que faça sentido. Costumam ser atendidos.
Ali o passado não é uma foto na parede. Ali o passado flui como o rio que dá vida ao pescador. Ali ele nos banha com a transcendência da arte. Alívio aos tempos brutos.
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Organizada pelo colecionador e artista gráfico Luís Quedinho, com apoio cultural do Museu da Pelada e do Jornal dos Sports, a iniciativa congrega pavilhões, gerações, corações em torno do vasto capital simbólico do futebol. “É mais do que um brechó a céu aberto”, anima-se Quedinho. Ele conta as novidades:
“A feira cresceu. Está com 54 expositores, de várias partes do país e até da Argentina, do Chile e da Guatemala. Agora a da Loja do Galinho está conosco, grande reforço”, empolga-se. “Teremos também a exposição Camisa Raiz, com peças do Bonsucesso, Campo Grande, Ceres, Olaria, entre outras, dos anos 70, 80, 90. Três telões vão passar vários jogos, como a final da Super Copa do Brasil. É só chegar”.
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Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.
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