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Fibrilação atrial: a arritmia silenciosa que prepara o terreno para o AVC

Redação by Redação
13 de janeiro de 2026
in Saude
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fibrilacao-atrial:-a-arritmia-silenciosa-que-prepara-o-terreno-para-o-avc

Fibrilação atrial: a arritmia silenciosa que prepara o terreno para o AVC

coração
Alerta: mesmo sem sintomas de fibrilação atrial, risco de AVC e outras complicações continua aumentado (Ilustração: Veja Saúde/VEJA)

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Recentemente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) publicaram um documento conjunto para alertar tanto a comunidade médica quanto o público leigo sobre a importância de reconhecer e tratar uma anormalidade do ritmo cardíaco chamada fibrilação atrial, também conhecida como FA. Essa condição, cada vez mais frequente na população, pode passar despercebida, mas está diretamente associada a complicações graves, em especial o acidente vascular cerebral (AVC).

A fibrilação atrial é, hoje, a arritmia cardíaca mais comum no Brasil e no mundo, e o número de casos tem crescido de forma significativa nas últimas décadas. Dados epidemiológicos globais mostram que, em 2021, cerca de 52,5 milhões de pessoas no mundo viviam com a anormalidade, um aumento de 137% em relação a 1990.

O crescimento é ainda mais expressivo em pessoas acima de 65 anos, refletindo o envelhecimento da população e a maior presença de fatores de risco. Estamos vivendo mais, mas também acumulando mais condições que favorecem o aparecimento dessa arritmia.

Ela ocorre quando os átrios – as câmaras superiores do coração – começam a bater de forma desorganizada, rápida e irregular, perdendo parte de sua eficiência. A contração atrial efetiva praticamente desaparece e o músculo cardíaco assume um movimento fibrilatório, como um “tremor”.

Como consequência, o esvaziamento do átrio deixa de ser eficiente, o sangue pode se acumular e formar trombos, ou coágulos, dentro do coração. Esses coágulos podem se deslocar para o cérebro e causar um acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Reconhecer a fibrilação atrial e tratá-la de forma adequada reduz de maneira significativa esse risco.

Continua após a publicidade

Os fatores de risco para desenvolver a condição ajudam a entender por que ela cresce tanto. Há fatores intrínsecos, como idade avançada, sexo masculino e predisposição genética, que são fatores não modificáveis, mas orientam quem deve ser acompanhado mais de perto.

Somam-se a eles as comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes, doenças da tireoide, refluxo gastroesofágico e outras doenças cardíacas, cujo controle adequado reduz a chance de novos episódios. E há os fatores ambientais e de estilo de vida: privação e má qualidade do sono (em especial, a apneia obstrutiva), obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool criam um terreno fértil para o aparecimento da FA. Quando defendemos atividade física, peso saudável, boa higiene do sono e redução de cigarro e álcool, estamos falando de prevenção de arritmia e não apenas de “bem-estar”.

Na prática, a fibrilação atrial se manifesta de formas muito diferentes. Alguns pacientes se queixam de palpitações, falta de ar, tontura, cansaço, intolerância ao esforço, dor no peito ou sensação de coração “descompassado”. Outros não sentem absolutamente nada. É justamente essa possibilidade de ser assintomática que a torna tão preocupante: mesmo sem sintomas, o risco de AVC e outras complicações continua aumentado.

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O diagnóstico depende do registro do ritmo cardíaco, tradicionalmente, por meio do eletrocardiograma. Porém, como a FA pode surgir e desaparecer espontaneamente, o traçado pode estar normal na consulta. Nesse cenário, smartwatches e outros dispositivos vestíveis passaram a registrar o ritmo cardíaco ao longo do dia, aumentando a chance de identificar irregularidades transitórias e trazendo à luz casos que antes ficavam invisíveis.

Quando a fibrilação atrial é confirmada, o tratamento se organiza em três pilares. O primeiro é prevenir o AVC, geralmente com medicamentos anticoagulantes que reduzem a formação de coágulos no coração. O segundo é controlar fatores de risco e comorbidades, com foco em qualidade de vida e redução de recorrências. O terceiro é restaurar ou manter o ritmo normal do coração, com medicamentos específicos ou por meio da ablação, procedimento minimamente invasivo que cauteriza pequenas áreas responsáveis pela arritmia.

Não existe uma receita única. A melhor estratégia precisa ser construída em conjunto entre médico e paciente, levando em conta sintomas, idade, outras doenças, características do coração e as expectativas de quem convive com a fibrilação atrial.

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Manter comorbidades bem controladas, cultivar hábitos de vida saudáveis e procurar avaliação médica sempre que houver qualquer irregularidade no ritmo cardíaco são atitudes que realmente fazem diferença.

Quando a informação é clara, o diagnóstico é oportuno e o tratamento é conduzido de forma adequada, a fibrilação atrial deixa de ser uma ameaça silenciosa e passa a ser uma condição passível de controle. Não falamos de um detalhe técnico, mas de uma oportunidade real de reduzir a ocorrência de AVC e preservar a qualidade de vida de milhões de pessoas.

*Fatima Dumas Cintra é cardiologista membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), especialista em arritmia cardíaca, professora adjunta da disciplina de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca

coração
Alerta: mesmo sem sintomas de fibrilação atrial, risco de AVC e outras complicações continua aumentado (Ilustração: Veja Saúde/VEJA)

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Recentemente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) publicaram um documento conjunto para alertar tanto a comunidade médica quanto o público leigo sobre a importância de reconhecer e tratar uma anormalidade do ritmo cardíaco chamada fibrilação atrial, também conhecida como FA. Essa condição, cada vez mais frequente na população, pode passar despercebida, mas está diretamente associada a complicações graves, em especial o acidente vascular cerebral (AVC).

A fibrilação atrial é, hoje, a arritmia cardíaca mais comum no Brasil e no mundo, e o número de casos tem crescido de forma significativa nas últimas décadas. Dados epidemiológicos globais mostram que, em 2021, cerca de 52,5 milhões de pessoas no mundo viviam com a anormalidade, um aumento de 137% em relação a 1990.

O crescimento é ainda mais expressivo em pessoas acima de 65 anos, refletindo o envelhecimento da população e a maior presença de fatores de risco. Estamos vivendo mais, mas também acumulando mais condições que favorecem o aparecimento dessa arritmia.

Ela ocorre quando os átrios – as câmaras superiores do coração – começam a bater de forma desorganizada, rápida e irregular, perdendo parte de sua eficiência. A contração atrial efetiva praticamente desaparece e o músculo cardíaco assume um movimento fibrilatório, como um “tremor”.

Como consequência, o esvaziamento do átrio deixa de ser eficiente, o sangue pode se acumular e formar trombos, ou coágulos, dentro do coração. Esses coágulos podem se deslocar para o cérebro e causar um acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Reconhecer a fibrilação atrial e tratá-la de forma adequada reduz de maneira significativa esse risco.

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Somam-se a eles as comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes, doenças da tireoide, refluxo gastroesofágico e outras doenças cardíacas, cujo controle adequado reduz a chance de novos episódios. E há os fatores ambientais e de estilo de vida: privação e má qualidade do sono (em especial, a apneia obstrutiva), obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool criam um terreno fértil para o aparecimento da FA. Quando defendemos atividade física, peso saudável, boa higiene do sono e redução de cigarro e álcool, estamos falando de prevenção de arritmia e não apenas de “bem-estar”.

Na prática, a fibrilação atrial se manifesta de formas muito diferentes. Alguns pacientes se queixam de palpitações, falta de ar, tontura, cansaço, intolerância ao esforço, dor no peito ou sensação de coração “descompassado”. Outros não sentem absolutamente nada. É justamente essa possibilidade de ser assintomática que a torna tão preocupante: mesmo sem sintomas, o risco de AVC e outras complicações continua aumentado.

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Quando a fibrilação atrial é confirmada, o tratamento se organiza em três pilares. O primeiro é prevenir o AVC, geralmente com medicamentos anticoagulantes que reduzem a formação de coágulos no coração. O segundo é controlar fatores de risco e comorbidades, com foco em qualidade de vida e redução de recorrências. O terceiro é restaurar ou manter o ritmo normal do coração, com medicamentos específicos ou por meio da ablação, procedimento minimamente invasivo que cauteriza pequenas áreas responsáveis pela arritmia.

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*Fatima Dumas Cintra é cardiologista membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), especialista em arritmia cardíaca, professora adjunta da disciplina de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca

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