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Em que idade a libido atinge o pico? Estudo revela diferenças entre homens e mulheres

Redação by Redação
15 de fevereiro de 2026
in Saude
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Em que idade a libido atinge o pico? Estudo revela diferenças entre homens e mulheres

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Mitos persistentes sobre sexo têm sido derrubados pela ciência
Libido: hormônios influenciam, mas o desejo sexual também é moldado por fatores do estilo de vida e das relações (RealPeopleGroup/Divulgação)

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Não é de hoje que perdura a ideia de que homens atingem o auge do desejo sexual na casa dos 20 anos, embalados por níveis altos de testosterona. Depois dos 30, com a queda anual estimada de cerca de 1% desse hormônio, a libido entraria em declínio progressivo. Mas um novo estudo publicado na Scientific Reports sugere que as coisas não são bem assim e que, tanto para eles quanto para elas, a libido não se resume a explicações tão simplistas.

Pesquisadores da Universidade de Tartu, na Estônia, analisaram dados de 67.334 pessoas entre 20 e 84 anos. O grupo cruzou idade, gênero, orientação sexual, estado civil, número de filhos, escolaridade e profissão para entender como esses fatores se relacionam com o desejo sexual. 

O resultado mostra que particularidades de vida, fatores sociais e relacionais implicam em cerca de 28% da variação do desejo. Ou seja: a biologia é parte da equação, mas está longe de ser a única variável.

“Os hormônios são importantes, mas não são tudo, e sua importância relativa varia ao longo da vida”, afirmou Toivo Aavik, professor da Universidade de Tartu e um dos autores do estudo, à Euronews Health. 

Para além da testosterona

Entre os homens, o padrão encontrado contraria o senso comum. O desejo não atinge o pico na casa dos 20. Ele aparentemente continua aumentando até o início dos 40 anos e só depois começa a cair de forma gradual. Isso chama atenção porque a testosterona já está em queda nessa fase. Ou seja: a curva do desejo não acompanha automaticamente a curva hormonal.

Já após os 60, a queda se torna mais evidente, possivelmente associada a condições de saúde. Entre os fatores associados a níveis mais altos de desejo, o estudo identificou diferenças relacionadas à ocupação profissional. Operadores de máquinas, gestores seniores, motoristas e militares, por exemplo, relataram maior libido.

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Já pessoas que trabalham em escritório e com atendimento ao cliente apresentaram níveis mais baixos. Embora o estudo não estabeleça causalidade, os achados sugerem que rotina, estresse ocupacional, autonomia e dinâmica social podem influenciar a experiência do desejo.

Mulheres: queda mais acentuada após os 50

No caso das mulheres, o desejo tende a atingir níveis mais altos entre os 20 e os 30 anos e diminui de forma mais acentuada após os 50, fase que coincide com a menopausa e a queda do estrogênio.

A diferença média entre homens e mulheres, aliás, foi uma das mais consistentes do estudo. Mesmo no pico feminino, os níveis médios ficaram abaixo da média masculina na maior parte da vida adulta.

Mas os próprios pesquisadores destacam que estamos falando de médias estatísticas, não de destinos individuais. Houve mulheres com alto desejo em todas as faixas etárias e homens com níveis baixos ainda jovens.

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“Em muitas sociedades, a excitação sexual masculina é expressa de forma mais visível e socialmente legítima de ser relatada. As mulheres podem subnotificar o desejo em pesquisas por uma série de razões: normas internalizadas, incerteza sobre o que conta como ‘desejo’ ou preocupação com o estigma”, disse Aavik.

“Ao mesmo tempo, a experiência sexual feminina pode ser mais complexa. As mulheres podem sentir excitação sem rotulá-la como ‘desejo’ ou podem sentir um desejo que é mais condicionado pelo contexto”, acrescentou.

Variáveis

Entre os fatores que influenciam o desejo, a orientação sexual é um deles. Participantes bissexuais e pansexuais relataram níveis mais elevados de libido do que heterossexuais. Já pessoas que se identificaram como assexuais apresentaram, como esperado, os níveis mais baixos. Além disso, viver com um parceiro ou parceira esteve associado a níveis ligeiramente menores quando comparado a pessoas solteiras. 

Outro ponto que influencia são os filhos. Entre mulheres, mais filhos esteve associados a níveis ligeiramente mais baixos de desejo sexual. Já entre homens, ocorreu o oposto: o desejo aumentou conforme o número de filhos crescia.

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Uma possível explicação, segundo os autores, é a sobrecarga de responsabilidades, que tende a recair mais intensamente sobre elas. Outra hipótese é que níveis mais elevados de desejo masculino contribuam, ao longo do tempo, para famílias maiores.

O que o estudo não responde

Apesar do tamanho do estudo, que contou com vários participantes, o estudo tem limitações importantes.

Primeiro, trata-se de um estudo transversal. Isso significa que os dados foram coletados em um único momento, por meio de questionários. É como tirar uma fotografia, não acompanhar um filme ao longo do tempo. Assim, os pesquisadores conseguem identificar padrões e associações, mas não podem afirmar com certeza que uma coisa causa a outra.

Além disso, as informações foram autorrelatadas. Quando o tema é sexualidade, isso faz diferença. As respostas podem ser influenciadas por vergonha, expectativa social ou pela própria forma como cada pessoa entende o que é “desejo”. Alguns homens, por exemplo, podem se sentir mais confortáveis em relatar níveis altos de libido porque isso é socialmente esperado. Mulheres, por outro lado, podem minimizar ou interpretar de forma diferente o que sentem.

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Outro ponto importante é que o estudo não levou em conta fatores que também podem pesar bastante na vida sexual, como saúde mental, doenças crônicas, uso de medicamentos, níveis hormonais medidos diretamente ou traços de personalidade. E tudo isso pode influenciar a libido.

Por isso, o próprio Aavik reforça que os resultados devem ser lidos como médias estatísticas, não como regras universais. Em outras palavras: os dados mostram tendências, mas quando o assunto é desejo a experiência individual continua sendo mais complexa do que qualquer estatística.

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