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Como a indústria farmacêutica transformou a caneta de Ozempic em um comprimido que chega ao mercado neste ano

Redação by Redação
22 de janeiro de 2026
in Saude
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Como a indústria farmacêutica transformou a caneta de Ozempic em um comprimido que chega ao mercado neste ano

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Oferta de Verão: VEJA por apenas 7,99

comprimido-wegovy
Wegovy pill: a nova geração de medicamentos para perda de peso tem eficácia semelhante à das canetas (Foto: Novo Nordisk/Reprodução)

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Transformar medicamentos que precisam ser injetados na pele ou na veia em um singelo comprimido engolido com um copo de água. Esse foi, durante décadas, um dos maiores desafios da indústria farmacêutica. Um desafio que persiste e ainda hoje mobiliza pesquisas com a insulina para o controle do diabetes ou com os anticorpos monoclonais que tratam doenças autoimunes.

Mas um desafio que foi vencido com a classe de remédios mais bem-sucedida dos últimos anos: os análogos de GLP-1, princípio ativo das canetas para o tratamento da obesidade. Tudo indica que, a partir de 2026, veremos comprimidos com os ingredientes de Ozempic e Wegovy chegarem ao mercado. A primeira geração de pílulas diárias e potentes para a perda de peso. 

Para quem é leigo, a conversão pode parecer simples. Mas não é. Depende de conseguir driblar uma das maiores barreiras do corpo humano, o ambiente ácido do estômago, e assegurar a absorção do remédio pelo aparelho digestivo.

E isso é extremamente complexo de se fazer com uma molécula grande e frágil como o análogo de GLP-1. “A história de como a semaglutida quebrou esse paradigma não é apenas a história de um novo medicamento, mas um marco de como a persistência científica e a inovação estratégica superaram um obstáculo que definia os limites da farmacologia”, afirma Priscilla Mattar, vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil.

A companhia dinamarquesa conseguiu transformar o princípio ativo das canetas de Ozempic e Wegovy numa pílula de uso diário, o Wegovy oral, aprovado pela agência regulatória americana e recém-comercializado nos Estados Unidos.

wegovy-pill
Wegovy pill: comprimido acaba de chegar às drogarias dos EUA (Foto: Novo Nordisk/Reprodução)

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Em paralelo, outro comprimido baseado em GLP-1, a orforgliprona, da concorrente Eli Lilly, está na corrida pela liberação e chegada às farmácias lá fora. Ambas já protagonizaram estudos clínicos robustos demonstrando segurança e eficácia – muito próximas das versões injetáveis. E há uma expectativa, por ora sem confirmação oficial, de que, ainda neste ano, possam também ser aprovadas no Brasil.

+ LEIA TAMBÉM: Estudo mostra a quem vem pílula ‘prima’ do Mounjaro

Obstáculos vencidos

VEJA teve acesso aos bastidores desse desafio farmacológico encarado pela Novo Nordisk. Ele gira em torno de uma molécula biológica, a semaglutida, que nada mais é que uma proteína modificada.

Quando a gente ingere uma proteína, inevitavelmente ela é degradada pelo estômago. Se essa substância for um remédio, significa que ele não vai chegar à próxima etapa para ser absorvido, cair na corrente sanguínea e atuar no organismo. Em outras palavras, isso é “fatal” para a medicação. Não é por outra razão que tentativas de transformar produtos como a insulina em uma cápsula falharam constantemente.

“Nosso desafio, portanto, era duplo: proteger a molécula da destruição e, ao mesmo tempo, encontrar uma forma de convencer o estômago a absorvê-la”, expõe Mattar. O que os cientistas da Novo Nordisk fizeram foi tentar desenvolver uma tecnologia para superar essa barreira – uma busca iniciada, na realidade, ainda na década de 1990.

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O pulo do gato ocorreu com a aquisição de um sistema, batizado de SNAC, criado por outra empresa, a Emisphere Technologies, que já o utilizava para potencializar a absorção oral da vitamina B12. O laboratório dinamarquês passou a explorar essa tecnologia no seu análogo de GLP-1 de ação semanal, a semaglutida.

O SNAC envolve o princípio ativo do comprimido, criando um microambiente que neutraliza a acidez gástrica – como se fosse uma capa protetora -, o que impede que as enzimas digestivas destruam o medicamento.

Além disso, esse sistema de encapsulamento interage com as células da parede do estômago, aumentando sua permeabilidade e facilitando o processo de absorção até a corrente sanguínea. Foi uma sacada e tanto, porque, nas tentativas anteriores, o foco foi buscar a absorção apenas no intestino.

“É crucial entender que a semaglutida oral é a mesma molécula da versão injetável. Ou seja, mesmo em um comprimido, continua sendo um medicamento biológico”, esclarece Mattar.

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Se o obstáculo inicial foi vencido com a adoção da tecnologia SNAC, um segundo apareceria no horizonte. Mesmo com esse sistema, a absorção é muito baixa. Apenas 1% do remédio oral chega efetivamente à circulação.

Esse novo desafio, descoberto na fase de estudos clínicos, moveu uma caçada dos pesquisadores para encontrar uma dosagem adequada. Foi assim que desvendaram que, para chegar a um correspondente via oral da dose injetável de 1 mg de semaglutida (como nas canetas de Ozempic), seria preciso botar 14 mg do princípio ativo no comprimido.

A baixa disponibilidade da molécula para alcançar a equivalência do injetável também justificou a administração diária. Além disso, como pode haver alta variabilidade na absorção, dependendo da pessoa e do que ela ingere, a equipe da Novo Nordisk chegou ao consenso de que os pacientes devem tomar o remédio em jejum, com no máximo meio copo de água, e esperar 30 minutos antes de comer ou usar outras medicações. É o que garante o funcionamento e a consistência dessa estratégia toda.

+ LEIA TAMBÉM: Existe efeito rebote quando se para de usar as canetas emagrecedoras?

Da pesquisa à farmácia

Os estudos clínicos demonstraram que a semaglutida oral, na forma comercial Rybelsus (disponível no Brasil desde 2022), traz benefícios ao tratamento do diabetes tipo 2, melhorando os níveis de açúcar no sangue. Mas a carga do princípio ativo precisava ser maior se a meta fosse perder peso e enfrentar a obesidade. Daí começaram os testes com uma versão em comprimido com a dose de 25 mg de semaglutida.

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As pesquisas, bem-sucedidas, deram origem ao que hoje conhecemos como Wegovy pill, recentemente liberada no exterior. O comprimido diário demonstrou eficácia na perda de peso semelhante à do Wegovy injetável, com 2,4 mg de semaglutida uma vez por semana, sendo aprovada pela FDA (a Anvisa americana) e já produzida comercialmente, como mostra o vídeo abaixo.

https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/01/NovoNordisk_WegovyPill_BrollPackage_v7-1.mp4

A chegada dessas medicações ao mercado consolida um movimento que amplifica o arsenal terapêutico (do diabetes e da obesidade), o leque de escolhas para o paciente – levantamentos sugerem que 80% das pessoas com diabetes, por exemplo, preferem um medicamento oral – e potencialmente o acesso, uma vez que comprimidos não dependem da logística e da cadeia de refrigeração dos remédios injetáveis.

“Com essa inovação, oferecemos todos os benefícios e o perfil de segurança da semaglutida em um comprimido, o que abre uma nova fronteira para o tratamento da obesidade“, prevê Marília Fonseca, diretora médica da Novo Nordisk no Brasil. Eis outro desafio – e dos mais urgentes para a saúde pública.

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Wegovy pill: a nova geração de medicamentos para perda de peso tem eficácia semelhante à das canetas (Foto: Novo Nordisk/Reprodução)

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Transformar medicamentos que precisam ser injetados na pele ou na veia em um singelo comprimido engolido com um copo de água. Esse foi, durante décadas, um dos maiores desafios da indústria farmacêutica. Um desafio que persiste e ainda hoje mobiliza pesquisas com a insulina para o controle do diabetes ou com os anticorpos monoclonais que tratam doenças autoimunes.

Mas um desafio que foi vencido com a classe de remédios mais bem-sucedida dos últimos anos: os análogos de GLP-1, princípio ativo das canetas para o tratamento da obesidade. Tudo indica que, a partir de 2026, veremos comprimidos com os ingredientes de Ozempic e Wegovy chegarem ao mercado. A primeira geração de pílulas diárias e potentes para a perda de peso. 

Para quem é leigo, a conversão pode parecer simples. Mas não é. Depende de conseguir driblar uma das maiores barreiras do corpo humano, o ambiente ácido do estômago, e assegurar a absorção do remédio pelo aparelho digestivo.

E isso é extremamente complexo de se fazer com uma molécula grande e frágil como o análogo de GLP-1. “A história de como a semaglutida quebrou esse paradigma não é apenas a história de um novo medicamento, mas um marco de como a persistência científica e a inovação estratégica superaram um obstáculo que definia os limites da farmacologia”, afirma Priscilla Mattar, vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil.

A companhia dinamarquesa conseguiu transformar o princípio ativo das canetas de Ozempic e Wegovy numa pílula de uso diário, o Wegovy oral, aprovado pela agência regulatória americana e recém-comercializado nos Estados Unidos.

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Quando a gente ingere uma proteína, inevitavelmente ela é degradada pelo estômago. Se essa substância for um remédio, significa que ele não vai chegar à próxima etapa para ser absorvido, cair na corrente sanguínea e atuar no organismo. Em outras palavras, isso é “fatal” para a medicação. Não é por outra razão que tentativas de transformar produtos como a insulina em uma cápsula falharam constantemente.

“Nosso desafio, portanto, era duplo: proteger a molécula da destruição e, ao mesmo tempo, encontrar uma forma de convencer o estômago a absorvê-la”, expõe Mattar. O que os cientistas da Novo Nordisk fizeram foi tentar desenvolver uma tecnologia para superar essa barreira – uma busca iniciada, na realidade, ainda na década de 1990.

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O SNAC envolve o princípio ativo do comprimido, criando um microambiente que neutraliza a acidez gástrica – como se fosse uma capa protetora -, o que impede que as enzimas digestivas destruam o medicamento.

Além disso, esse sistema de encapsulamento interage com as células da parede do estômago, aumentando sua permeabilidade e facilitando o processo de absorção até a corrente sanguínea. Foi uma sacada e tanto, porque, nas tentativas anteriores, o foco foi buscar a absorção apenas no intestino.

“É crucial entender que a semaglutida oral é a mesma molécula da versão injetável. Ou seja, mesmo em um comprimido, continua sendo um medicamento biológico”, esclarece Mattar.

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Esse novo desafio, descoberto na fase de estudos clínicos, moveu uma caçada dos pesquisadores para encontrar uma dosagem adequada. Foi assim que desvendaram que, para chegar a um correspondente via oral da dose injetável de 1 mg de semaglutida (como nas canetas de Ozempic), seria preciso botar 14 mg do princípio ativo no comprimido.

A baixa disponibilidade da molécula para alcançar a equivalência do injetável também justificou a administração diária. Além disso, como pode haver alta variabilidade na absorção, dependendo da pessoa e do que ela ingere, a equipe da Novo Nordisk chegou ao consenso de que os pacientes devem tomar o remédio em jejum, com no máximo meio copo de água, e esperar 30 minutos antes de comer ou usar outras medicações. É o que garante o funcionamento e a consistência dessa estratégia toda.

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https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/01/NovoNordisk_WegovyPill_BrollPackage_v7-1.mp4

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