Com mais de 5 mil lojas em todos os continentes, a H&M é muito maior do que a Renner, que tem 600 estabelecimentos no Brasil, na Argentina e no Uruguai, e do que a C&A, que conta com 1,8 mil pontos de venda na Europa, na América Latina e na Ásia. Mas ainda deve demorar muito para a sueca ter presença relevante em território brasileiro e conseguir “roubar” clientes de outras varejistas — até porque todas estão em uma briga acirrada com as “blusinhas” das asiáticas Shein, Shopee, Temu e companhia, em um ambiente de negócios bem complicado.
Os produtos da H&M no Brasil têm preços, em média, 28% menores do que os praticados pelas lojas brasileiras, indicando uma estratégia de marketing que, pelo menos inicialmente, não é de confronto direto com a Renner e a C&A, segundo analistas. Vai ser necessário a sueca ampliar muito as operações e o faturamento a ponto de intimidar as outras.
Dada a escala pequena das operações e o nível de preços, consideramos o impacto competitivo inicial sobre os varejistas locais limitado.
Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima, analistas do BTG Pactual
Historicamente, sempre foi muito difícil para outros grupos de comércio de vestuário entrar no Brasil porque o país oferece barreiras “naturais” à concorrência com a sua estrutura tributária complexa, leis trabalhistas rígidas e grandes diferenças regionais, o que dificulta entender o público rapidamente.
Porém, a H&M está correndo para se adaptar rapidamente. A fim de driblar os custos de logística e as oscilações cambiais, decidiu produzir em parcerias com oficinas locais seus calçados e itens de praia e jeans. O objetivo é, em breve, fabricar no país todo o seu catálogo — um sinal de ambição para crescer e incomodar a Renner e a C&A em algum momento.
























