
Após o anúncio de tarifas feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) publicou um texto explicando como o cálculo foi feito. Internautas perceberam que as contas do governo seguem a mesma lógica que chatbots de inteligência artificial propuseram.
O que aconteceu
Governo Trump usou cálculo básico para aplicar tarifas. Para cada país, o USTR tomou o déficit comercial dos EUA no ano passado e dividiu o número pelo valor das importações. No caso da China, por exemplo, os EUA tiveram um déficit de US$ 295 bilhões, e as importações americanas da China somaram US$ 438 bilhões em 2024. O resultado da divisão do déficit pelo total das importações é 0,673, ou 67,3%. Foi esse número, arredondado para 67%, que apareceu na tabela divulgada ontem pelo governo.
Para Trump, número representa o valor da barreira comercial que os produtos americanos enfrentam. A alíquota da tarifa americana de reciprocidade foi calculada dividindo esse resultado por dois – 33,5% arredondado para 34% no exemplo chinês. O USTR também calculou a média do déficit dos EUA com todos os países do mundo. Nesse caso, o resultado foi 20%. É daí que surgiu a tarifa mínima de 10%, aplicada a países com quem os EUA não têm déficit, como o Brasil.
Economista pediu para IAs proporem fórmulas. Rohit Krishnan, economista e engenheiro especialista em inteligência artificial, afirmou que versões de várias inteligências artificiais usaram mesma lógica do governo Trump após seu pedido, gerando fórmulas muito semelhantes àquela apresentada pelo Escritório do Representante Comercial. A partir de suas descobertas, cita que talvez seja “a primeira aplicação em larga escala da tecnologia de IA à geopolítica”. A publicação de Rohit foi feita apenas 3 horas depois do anúncio das tarifas.
This might be the first large-scale application of AI technology to geopolitics.. 4o, o3 high, Gemini 2.5 pro, Claude 3.7, Grok all give the same answer to the question on how to impose tariffs easily. pic.twitter.com/r1GGubcz8c
— rohit (@krishnanrohit) April 3, 2025
IAs apresentam ideias semelhantes para cálculo
A reportagem do UOL questionou quatro programas de inteligência artificial para saber como elas abordariam o problema. Todas as IAs disseram que não utilizaram dados disponíveis na internet nos últimos dias. No entanto, não é possível afirmar com exatidão se as tarifas divulgadas por Trump ‘contaminaram’ as repostas. Leia os resultados:
Deepseek. A inteligência artificial chinesa apresentou estratégia bastante parecida com a de Trump, mas considerou a elasticidade dos produtos a serem taxados como fator essencial na conta. O Deepseek entende que uma maneira de zerar o déficit comercial é aplicando as tarifas universais, mas apresenta opções “mais realistas”: incentivos à produção doméstica, ajuste cambial pela desvalorização do dólar ou a aplicação de tarifas seletivas em “setores estratégicos”.

Copilot. A inteligência artificial da Microsoft seguiu a mesma linha de pensamento do DeepSeek, construindo uma fórmula idêntica, contabilizando a elasticidade como fator relevante para a conta. Apesar disso, alerta que a fórmula é uma simplificação e que cada país deveria ter um cálculo próprio, contabilizando a relação com o país do déficit com o país para o déficit total.

Grok. A Inteligência artificial do X (antigo Twitter), sugeriu que a conta fosse realizada da mesma maneira que o governo Trump a realizou: dividindo o valor bruto das exportações pelo valor bruto das importações. A IA sugeriu que a tarifa média para todos os países ficasse fixa em 28,7%, resultado da divisão das exportações pelas importações, mas entendeu que fosse melhor ajustar a tarifa por país ou produto. Entretanto, aconselhou que se pensasse sobre a elasticidade de produtos específicos, já que algumas demandas (como sobre petróleo) não vão cessar e dificilmente podem ser abastecidas sem importações.

Gemini. A inteligência artificial do Google se recusou a fornecer uma fórmula para calcular tarifas, dizendo que “não existe uma fórmula mágica para eliminar o déficit comercial por meio de tarifas”. A IA ainda ressaltou que a aplicação de medidas protecionistas deve ser pensada com fatores como a elasticidade da demanda, uma possível retaliação dos países, e o impacto em consumidores e empresas.














