No caso de Patrícia, ela ingressou em um curso de administração na modalidade de ensino à distância, mas as dificuldades permaneceram mesmo com o acesso à capacitação profissional. “Fiquei sete anos fora do mercado por causa dos filhos, depois consegui um estágio quando estava na faculdade e fiquei um ano e meio. Mas é complicado, porque é caro pagar alguém para ficar com meus filhos”, afirma.
Trabalho invisível
Esse trabalho que envolve o cuidado com o lar e a família ainda hoje é visto, pela maior parte das pessoas, como uma obrigação das mulheres. No entanto, apesar de parecerem invisíveis ou apenas uma parte da rotina, essas atribuições demandam bastante tempo delas: segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), as brasileiras dedicam até 25 horas por semana aos afazeres domésticos, enquanto os homens dedicam cerca de 11 horas.
Essa demanda de tempo também as desvia do trajeto para usufruir plenamente dos direitos socioeconômicos, como a oportunidade de um trabalho remunerado e o acesso à educação que as levaria ao desenvolvimento social.
“No meu ponto de vista, era preciso um projeto que viabilizasse que as mães pudessem trabalhar meio período no horário em que seus filhos estão na escola, para que elas pudessem também ter a dignidade de ter o seu dinheiro”, afirma Patrícia.
A socióloga e historiadora Elizabeth Viana explica que, apesar de ser uma questão que envolve as mulheres como um todo, é comum ver essa desigualdade de gênero associada à raça, afetando principalmente mulheres negras. Além disso, mesmo sem uma ocupação formal, é este trabalho de cuidado desempenhado por elas que contribui para a manutenção econômica e do núcleo familiar.













