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O ouro olímpico do Lucas e a coragem de não fugir

manchete by manchete
21 de fevereiro de 2026
in Saude
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O ouro olímpico do Lucas e a coragem de não fugir

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Lucas Pinheiro
Lucas Pinheiro com a medalha de ouro conquistada na Olimpíada de Inverno, a primeira para o Brasil na história dos Jogos (Agence Zoom/Agence Zoom/Getty Images)

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Lucas Pinheiro Braathen tinha 24 anos quando tomou a decisão mais difícil da sua carreira. Ele estava no topo do esqui alpino. Representava a Noruega — um dos países mais competitivos do mundo no esporte. Tinha patrocínio, estrutura, projeção. Mas algo não estava certo.

Em entrevista recente, Lucas disse algo que me chamou a atenção como psicóloga clínica: “Eu estava em uma situação que não estava alinhada com o meu propósito.” Então, ele fez o que a maioria das pessoas não tem coragem de fazer. Parou. Saiu. Recomeçou.

Largou a equipe norueguesa e escolheu representar o Brasil. Não porque fosse mais fácil. Mas porque era o único jeito de viver inteiro. E não é que ele trouxe um ouro inédito na Olimpíada de Inverno para o nosso país?

O custo de viver pela metade

A vida inteira, Lucas viveu dividido. No Brasil, era “o gringo.” Na Noruega, era “o brasileiro.” Ele disse em entrevista: “Eu sempre senti que não me encaixava em lugar nenhum.”

E quem já viveu isso sabe: não é só uma questão de identidade. É uma questão psicológica. Porque, quando você não se sente inteiro, o cérebro faz o que ele sempre faz diante do desconforto: evita.

E evitação psicológica tem uma característica muito específica. Funciona no curto prazo. Mas te destrói no longo prazo. Você esconde uma parte de si para caber. Você adapta seu jeito para ser aceito. Você silencia o que te incomoda para não criar conflito.

E por alguns dias — ou meses, ou anos — isso alivia. Mas, a longo prazo, você acorda um dia e não se reconhece mais.

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Eu também já fui como Lucas

Quando comecei na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, alguém olhou para mim e disse: “You look so Latina.” E eu traduzi aquilo imediatamente como: “Você não pertence aqui.”

Então fiz o que meu cérebro me mandou fazer: me adaptei. Mudei meu jeito de falar. Mudei meu jeito de me vestir. Mudei até meu jeito de rir. Para caber.

E funcionou — por um tempo. Mas o preço foi alto: eu perdi a mim mesma. Porque aqui está o que a ciência nos ensina sobre evitação psicológica. Você pode fugir do desconforto. Mas não pode fugir de quem você é. E quanto mais você tenta, mais vazio fica.

A decisão que Lucas tomou — e o que a ciência diz

Pesquisas em psicologia mostram algo claro: pessoas que vivem alinhadas com seus valores têm melhores resultados de longo prazo do que pessoas que vivem organizadas por emoção.

Viver organizado por emoção significa:

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  • Buscar alívio.
  • Evitar desconforto.
  • Escolher o que é mais fácil agora.

Viver organizado por valores significa:

  • Aceitar custo.
  • Sustentar desconforto.
  • Escolher o que faz sentido — mesmo quando dói.

Lucas podia ter ficado na Noruega. Era mais seguro. Mais previsível. Mas ele escolheu outra coisa.

Ele disse: “Eu queria mostrar que não importa de onde você vem. O que importa é o seu sonho, o seu propósito.” E mais: “Eu queria me conectar com o meu propósito para inspirar gerações de crianças que cresceram como eu, entre culturas, e mostrar que elas pertencem.”

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Isso não é só coragem. Isso é alinhamento. E alinhamento não é sobre sentir-se bem. É sobre viver coerente.

O que aconteceu depois

Lucas pagou o preço. Ele teve que recomeçar. Teve que provar seu valor de novo. Teve que enfrentar críticas. Mas ele integrou suas identidades. Parou de viver pela metade.

E chegou ao topo — não apesar de ser inteiro, mas porque era inteiro. Na semana passada, ele conquistou a primeira medalha olímpica de Inverno do Brasil. O ouro foi o resultado visível. Mas a escolha foi o trabalho invisível.

As perguntas que ficam são: você está vivendo organizado por emoção — ou por valores? Você está escolhendo alívio — ou coerência? Qual parte de você está sendo silenciada para que o mundo te aceite?

Proponho um exercício para a próxima semana: identifique UMA decisão que você está adiando porque te deixa desconfortável.

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Pergunte: “Estou evitando isso porque não faz sentido — ou porque tenho medo?”

Esse dado é o começo de viver alinhado. Porque o mundo não precisa de mais gente que cabe. Precisa de gente inteira.

Se esse texto mexeu com você, me escreva no Instagram. Me conte: qual decisão você está evitando porque te assusta ser inteiro? Eu leio. E respondo. Aliás, se quiser se aprofundar sobre isso tudo, te convido a continuar no meu livro Viver com Ousadia. Nos vemos na próxima coluna.

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Lucas Pinheiro com a medalha de ouro conquistada na Olimpíada de Inverno, a primeira para o Brasil na história dos Jogos (Agence Zoom/Agence Zoom/Getty Images)

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Em entrevista recente, Lucas disse algo que me chamou a atenção como psicóloga clínica: “Eu estava em uma situação que não estava alinhada com o meu propósito.” Então, ele fez o que a maioria das pessoas não tem coragem de fazer. Parou. Saiu. Recomeçou.

Largou a equipe norueguesa e escolheu representar o Brasil. Não porque fosse mais fácil. Mas porque era o único jeito de viver inteiro. E não é que ele trouxe um ouro inédito na Olimpíada de Inverno para o nosso país?

O custo de viver pela metade

A vida inteira, Lucas viveu dividido. No Brasil, era “o gringo.” Na Noruega, era “o brasileiro.” Ele disse em entrevista: “Eu sempre senti que não me encaixava em lugar nenhum.”

E quem já viveu isso sabe: não é só uma questão de identidade. É uma questão psicológica. Porque, quando você não se sente inteiro, o cérebro faz o que ele sempre faz diante do desconforto: evita.

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Ele disse: “Eu queria mostrar que não importa de onde você vem. O que importa é o seu sonho, o seu propósito.” E mais: “Eu queria me conectar com o meu propósito para inspirar gerações de crianças que cresceram como eu, entre culturas, e mostrar que elas pertencem.”

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