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“Prepare o seu coração pras coisas que vou contar”. Foi ao som de Geraldo Vandré que Lula abriu ontem o jantar com deputados líderes da base aliada e do centrão, na Granja do Torto. A música tocou até o final e o presidente se emocionou. Fez um discurso de agradecimento aos parlamentares e elogiou o presidente da Câmara, Hugo Motta. Segundo Lula, Motta teve um ano difícil, mas é compreensivo já que se trata do líder mais jovem do Legislativo.
“Foi um sentimento meio de troca de chave, já partindo para o modo eleitoral”, resumiu Jonas Donizete, líder do PSB. O tom de agradecimento pelos três anos de convivência se estendeu aos demais parlamentares e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também estava presente, assim como Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, Rui Costa, da Casa Civil, e o vice Geraldo Alckmin, além de outros.
Lula não pediu abertamente apoio a nenhum partido, mas se mostrou animado com a eleição e disse que vai trabalhar muito para ganhar. Repetiu os feitos na economia – como a Reforma Tributária, o aumento do emprego e os programas sociais – que vão estabelecer a base de comparação com o governo anterior, de Jair Bolsonaro. “Ele repetiu muitas vezes a palavra agradecimento”, afirmou o líder do PT, Pedro Uczai.
Mas os recados estavam todos nas entrelinhas. Na percepção de aliados de Lula, há três meses, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como favorito para concorrer à Presidência pela direita, um encontro ampliado com a presença de líderes do centrão, do PP ao União Brasil, seria impossível. Agora, eles se deparam com a possibilidade real de Lula se reeleger.
O clima no Parlamento mudou. Hugo Motta tem interesse em eleger o pai, Nabor Wanderley, senador. A Paraíba é francamente lulista. E ainda tem que pavimentar o caminho para sua reeleição na Câmara, com apoio do PT. O reconhecimento de que a relação com o Planalto está mais próxima ficou claro nos discursos e na primeira votação do ano, com a aprovação do Gás do Povo, programa que distribui botijões de gás gratuito para famílias de baixa renda e será mote de campanha.
Nas próximas semanas, o PT se dedicará com mais afinco a formar as chapas estaduais. A grande dúvida é São Paulo e Minas Gerais. Aliados não veem espaço político para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não ser candidato ao governo ou senado por São Paulo. Se Lula perder por uma diferença grande no estado, cairá na conta do ministro. E mais: o MDB já não descarta participar da chapa petista indicando o vice de Lula. Nomes como o ministro dos Transportes, Renan Calheiros (Alagoas), e do governador do Pará, Helder Barbalho, são os favoritos. Mas essa será a última questão a ser resolvida, somente nas convenções do meio do ano e depois da montagem das chapas estaduais.
O jantar terminou com o samba-enredo em homenagem a Lula da escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, e o convite para cada deputado assistir ao desfile na Sapucaí. Lula estará no camarote junto com o prefeito Eduardo Paes (PSD) fazendo o que mais gosta: política.
Opinião
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.













