A vestibulanda Giulia Diniz, 24, acordava às 4h30 no Lauzane Paulista, na zona norte de São Paulo. Pegava um ônibus e um metrô até a Vila Mariana, na zona sul, onde estudava no cursinho Poliedro. Em um “dia bom”, o trajeto levava cerca de uma hora e meia. Em outros, passava de três horas. O desgaste acumulado fez com que ela trocasse o modelo presencial pelo online.
Formada no ensino médio em 2018, Giulia fez cinco anos de cursinho até ser aprovada em medicina na Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Nesse período, alternou entre aulas presenciais e a distância e concluiu que a escolha entre os modelos depende tanto do estágio da preparação quanto das condições de cada aluno.
Mesmo achando o EAD (ensino a distância) eficiente, Giulia decidiu voltar ao presencial no último ano, apesar do “perrengue” do deslocamento. “Senti que, naquele momento, precisava do ambiente da sala de aula. Faltava a troca direta com professores e colegas e a motivação de estar cercada por pessoas focadas no mesmo objetivo”, diz.
Para quem se prepara para o vestibular, a decisão entre cursinho presencial ou online faz parte da estratégia de estudo, mas não tem resposta única. Não depende apenas da qualidade do curso, mas também do perfil do estudante e do momento de vida.
Segundo o diretor dos cursos pré-vestibulares do Poliedro, Luiz Otávio, o aluno precisa entender se funciona melhor com autonomia ou com supervisão mais próxima. “É se conhecer, saber o que dá certo para você e entender o momento que está vivendo. Isso é essencial para que essas ferramentas deem certo”, afirma.
Para ele, o modelo online tende a funcionar melhor para estudantes com maior maturidade e rotina de estudos já consolidada, capazes de lidar com distrações domésticas, como internet, barulho ou a presença da família.
Já o presencial costuma beneficiar quem tem mais dificuldade de foco ou ainda está estruturando hábitos de estudo. O ambiente físico, com horários fixos e interação constante, ajuda a manter a disciplina.
No caso de Giulia, a experiência híbrida, vivendo os dois modelos, foi importante para a aprovação. O processo, diz, exige humildade para reconhecer falhas e lidar com a comparação constante com colegas que já entraram na faculdade. “Se conheça, conheça seus defeitos e suas qualidades e seja justo com você. Não adianta achar que o online vai ser mais fácil se você não consegue ter disciplina”, afirma.
A trajetória do vestibulando Felipe Greco, 26, seguiu outro caminho até a aprovação em medicina. Morador de Paulínia, no interior de São Paulo, ele começou a estudar no modelo online em 2020, durante a pandemia, quando ficou muito perto de passar na Unicamp. Após o resultado, decidiu migrar para o cursinho presencial.
A mudança teve relação com o que ele chama de “método escolar”. Felipe buscava professores e coordenadores que regulassem seu ritmo de estudo e impusessem um cronograma rígido. “A escola é um tutor de fato, que vai dizendo ‘agora vem para cá, agora vai para ali’. Você entra nesse fluxo. Em casa você precisa ser o seu próprio tutor”, afirma.
Ele estudava em Campinas e fazia o trajeto de carro, que levava cerca de 45 minutos por trecho. O ambiente doméstico, segundo ele, dificultava a concentração. “Eu tinha a cama do lado, TV do lado, comida a hora que quisesse. Também tinha demandas da casa e da família”, diz.
No último ano de cursinho, em 2025, Felipe achou que era o momento de voltar ao online. O deslocamento pesou na decisão. Ele gastava cerca de uma hora e meia por dia no carro. No EAD, passou a usar esse tempo para descansar ou praticar exercícios.
A estratégia deu certo. De volta ao online, Felipe passou a usar o tempo que gastava no trânsito para resolver mais questões. Deixou de assistir aulas teóricas de exatas, área em que já ia bem, e concentrou os estudos em exercícios. O resultado veio: aprovação em medicina na USP de Ribeirão Preto.
As histórias de Giulia e Felipe se encaixam num movimento maior. A pandemia empurrou os cursinhos para o digital em 2020. Quando tudo voltou, muitos mantiveram a opção online. Davidson Sampaio, supervisor pedagógico do pré-vestibular da Organização Educacional Farias Brito, acompanhou a guinada. “Foi um boom. De repente, o cursinho online deixou de ser alternativa e virou opção real para muita gente que antes não teria acesso”, diz.
Apesar de ampliar o alcance do conhecimento, o professor alerta para o risco da falta de rigor científico em parte dos conteúdos. “A internet é, por si só, uma ferramenta de democratização, mas é sempre importante checar a fonte”, diz. “Ela amplia o acesso, mas também permite a circulação de informações sem crédito acadêmico, o que pode trazer prejuízos.”
Na visão dele, dar aula online pede mais objetividade. Sem as pausas naturais da sala de aula —apagar a lousa, mexer em equipamentos—, o professor precisa ser mais direto. Um dos desafios, porém, é a perda do retorno imediato do aluno. Sampaio nota que muitos deixam a câmera desligada, o que dificulta acompanhar se estão entendendo a matéria. “O olho no olho tem valor pedagógico, humano, social e cultural”, diz.
Para Felipe, no online ficou mais difícil separar o espaço de descanso do de estudo. “Você fica o tempo todo naquele ambiente, não desliga”, diz. Uma saída para os estudantes é recriar a disciplina do ambiente físico, simulando o presencial em casa, trocando de roupa como se fosse sair, organizando o espaço de estudo e desativando as notificações do celular para preservar o foco.
De acordo com os professores, independentemente do formato escolhido, o mais importante é manter uma rotina estruturada e encarar o estudo com seriedade.
A vestibulanda Giulia Diniz, 24, acordava às 4h30 no Lauzane Paulista, na zona norte de São Paulo. Pegava um ônibus e um metrô até a Vila Mariana, na zona sul, onde estudava no cursinho Poliedro. Em um “dia bom”, o trajeto levava cerca de uma hora e meia. Em outros, passava de três horas. O desgaste acumulado fez com que ela trocasse o modelo presencial pelo online.
Formada no ensino médio em 2018, Giulia fez cinco anos de cursinho até ser aprovada em medicina na Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Nesse período, alternou entre aulas presenciais e a distância e concluiu que a escolha entre os modelos depende tanto do estágio da preparação quanto das condições de cada aluno.
Mesmo achando o EAD (ensino a distância) eficiente, Giulia decidiu voltar ao presencial no último ano, apesar do “perrengue” do deslocamento. “Senti que, naquele momento, precisava do ambiente da sala de aula. Faltava a troca direta com professores e colegas e a motivação de estar cercada por pessoas focadas no mesmo objetivo”, diz.
Para quem se prepara para o vestibular, a decisão entre cursinho presencial ou online faz parte da estratégia de estudo, mas não tem resposta única. Não depende apenas da qualidade do curso, mas também do perfil do estudante e do momento de vida.
Segundo o diretor dos cursos pré-vestibulares do Poliedro, Luiz Otávio, o aluno precisa entender se funciona melhor com autonomia ou com supervisão mais próxima. “É se conhecer, saber o que dá certo para você e entender o momento que está vivendo. Isso é essencial para que essas ferramentas deem certo”, afirma.
Para ele, o modelo online tende a funcionar melhor para estudantes com maior maturidade e rotina de estudos já consolidada, capazes de lidar com distrações domésticas, como internet, barulho ou a presença da família.
Já o presencial costuma beneficiar quem tem mais dificuldade de foco ou ainda está estruturando hábitos de estudo. O ambiente físico, com horários fixos e interação constante, ajuda a manter a disciplina.
No caso de Giulia, a experiência híbrida, vivendo os dois modelos, foi importante para a aprovação. O processo, diz, exige humildade para reconhecer falhas e lidar com a comparação constante com colegas que já entraram na faculdade. “Se conheça, conheça seus defeitos e suas qualidades e seja justo com você. Não adianta achar que o online vai ser mais fácil se você não consegue ter disciplina”, afirma.
A trajetória do vestibulando Felipe Greco, 26, seguiu outro caminho até a aprovação em medicina. Morador de Paulínia, no interior de São Paulo, ele começou a estudar no modelo online em 2020, durante a pandemia, quando ficou muito perto de passar na Unicamp. Após o resultado, decidiu migrar para o cursinho presencial.
A mudança teve relação com o que ele chama de “método escolar”. Felipe buscava professores e coordenadores que regulassem seu ritmo de estudo e impusessem um cronograma rígido. “A escola é um tutor de fato, que vai dizendo ‘agora vem para cá, agora vai para ali’. Você entra nesse fluxo. Em casa você precisa ser o seu próprio tutor”, afirma.
Ele estudava em Campinas e fazia o trajeto de carro, que levava cerca de 45 minutos por trecho. O ambiente doméstico, segundo ele, dificultava a concentração. “Eu tinha a cama do lado, TV do lado, comida a hora que quisesse. Também tinha demandas da casa e da família”, diz.
No último ano de cursinho, em 2025, Felipe achou que era o momento de voltar ao online. O deslocamento pesou na decisão. Ele gastava cerca de uma hora e meia por dia no carro. No EAD, passou a usar esse tempo para descansar ou praticar exercícios.
A estratégia deu certo. De volta ao online, Felipe passou a usar o tempo que gastava no trânsito para resolver mais questões. Deixou de assistir aulas teóricas de exatas, área em que já ia bem, e concentrou os estudos em exercícios. O resultado veio: aprovação em medicina na USP de Ribeirão Preto.
As histórias de Giulia e Felipe se encaixam num movimento maior. A pandemia empurrou os cursinhos para o digital em 2020. Quando tudo voltou, muitos mantiveram a opção online. Davidson Sampaio, supervisor pedagógico do pré-vestibular da Organização Educacional Farias Brito, acompanhou a guinada. “Foi um boom. De repente, o cursinho online deixou de ser alternativa e virou opção real para muita gente que antes não teria acesso”, diz.
Apesar de ampliar o alcance do conhecimento, o professor alerta para o risco da falta de rigor científico em parte dos conteúdos. “A internet é, por si só, uma ferramenta de democratização, mas é sempre importante checar a fonte”, diz. “Ela amplia o acesso, mas também permite a circulação de informações sem crédito acadêmico, o que pode trazer prejuízos.”
Na visão dele, dar aula online pede mais objetividade. Sem as pausas naturais da sala de aula —apagar a lousa, mexer em equipamentos—, o professor precisa ser mais direto. Um dos desafios, porém, é a perda do retorno imediato do aluno. Sampaio nota que muitos deixam a câmera desligada, o que dificulta acompanhar se estão entendendo a matéria. “O olho no olho tem valor pedagógico, humano, social e cultural”, diz.
Para Felipe, no online ficou mais difícil separar o espaço de descanso do de estudo. “Você fica o tempo todo naquele ambiente, não desliga”, diz. Uma saída para os estudantes é recriar a disciplina do ambiente físico, simulando o presencial em casa, trocando de roupa como se fosse sair, organizando o espaço de estudo e desativando as notificações do celular para preservar o foco.
De acordo com os professores, independentemente do formato escolhido, o mais importante é manter uma rotina estruturada e encarar o estudo com seriedade.

























