Já sacou que tem uma nova prática social acontecendo diante dos nossos olhos, silenciosa, cruel e curiosamente bem aceita: o detox de velho.
Você conhece o detox de açúcar, de álcool, de redes sociais, de gente tóxica. Agora chegou o detox de gente velha.
Funciona assim: a pessoa começa a envelhecer de verdade, quando a gente bate 65/68 anos já começa visivelmente uma queda em todos os sentidos mas a sociedade parece acelerar esse desgaste.
Você esquece onde colocou as chaves, os óculos, repete muitas vezes a mesma frase, o que estava falando, a senha do banco ( a do Gov.Br você não lembra nunca) e seus parentes ou amigos mais próximos começam a panicar
Já exigem uma reorganização da casa, da vida. Da própria existência. Como se você realmente fosse incapaz. Até vai chegar esse dia, mas as famílias brasileiras – por pânico – estão retirando aquele sujeito da “sala” , que vai sendo isolado do mundo como quem tira uma poltrona velha porque já não combina com a decoração.
O velho começa a ser administrado.
E administrar, muitas vezes, é apenas uma palavra elegante para excluir.
“Não conta para ele porque vai confundir.”
“Não chama porque ele se cansa.”
“Não leva porque pode passar vergonha.”
“Não deixa sozinho.”
“Não dá opinião.”
“Não adianta explicar.”
E pronto.
Em pouco tempo, aquele adulto que trabalhou quarenta anos, criou filhos, assinou cheques, tomou decisões, viajou sozinho, fez negócios, enterrou os próprios pais e sobreviveu a um mundo inteiro passa a ser tratado como uma criança com cabelo branco.
É a infantilização da velhice.
E ela começa cada vez mais cedo.
Às vezes, antes mesmo de existir um diagnóstico.
Basta um esquecimento.
Uma palavra trocada.
Uma repetição.
Um dia ruim.
E a família já abre uma espécie de inquérito secreto sobre a saúde mental do sujeito.
— Você reparou que ele perguntou três vezes a mesma coisa?
— Acho que ela está ficando meio esquecida.
— Não sei se dá mais para deixá-la sozinha.
A pessoa ainda está sentada na sala mas já estão falando dela como se tivesse saído do planeta. Filtram os amigos, os lugares, as conversas. Não contam mais nada sério para ele pois pode ficar ansioso. Não pode discutir política pois se irrita. Aí que mora a perversidade: por vezes ele ainda não perdeu a capacidade de viver, mas já perdeu o direito. E a família brasileira – por pânico – está sequestrando esse idoso do seu dia a dia. Tiram tudo dele. Os documentos, as senhas de banco, o carro, o chopp, as “namoradas”. Entra em cena o síndico das novas diretrizes daquela pessoa. Ele ainda toma banho sozinho, se veste, come sozinho, mas as famílias começam a tratá-lo com débil. Se ele confundir uma data ou repetir algo mais de 3 vezes, basta para minimizar a força social daquela pessoa. Isso é triste e talvez até acelere aquilo que ia tomar mais tempo para acontecer. E assim a viagem é cancelada, o joguinho com os amigos micado, o jantar ficou mais longe. Todo mundo começa a comentar: “ele anda fora do ar” “tá estranho” e a velhice passa a ser um reality show e todos os parentes viram neurologistas. É como se a cidadania fosse perdida diante desse pequenas incapacidades. É claro que temos que ficar de olho, mas temos que refletir se estamos esquecendo nossos velhos antes que eles esqueçam de nós . Ah, e um toque: falta pouco para fazerem isso com você. Questão de tempo.
Já sacou que tem uma nova prática social acontecendo diante dos nossos olhos, silenciosa, cruel e curiosamente bem aceita: o detox de velho.
Você conhece o detox de açúcar, de álcool, de redes sociais, de gente tóxica. Agora chegou o detox de gente velha.
Funciona assim: a pessoa começa a envelhecer de verdade, quando a gente bate 65/68 anos já começa visivelmente uma queda em todos os sentidos mas a sociedade parece acelerar esse desgaste.
Você esquece onde colocou as chaves, os óculos, repete muitas vezes a mesma frase, o que estava falando, a senha do banco ( a do Gov.Br você não lembra nunca) e seus parentes ou amigos mais próximos começam a panicar
Já exigem uma reorganização da casa, da vida. Da própria existência. Como se você realmente fosse incapaz. Até vai chegar esse dia, mas as famílias brasileiras – por pânico – estão retirando aquele sujeito da “sala” , que vai sendo isolado do mundo como quem tira uma poltrona velha porque já não combina com a decoração.
O velho começa a ser administrado.
E administrar, muitas vezes, é apenas uma palavra elegante para excluir.
“Não conta para ele porque vai confundir.”
“Não chama porque ele se cansa.”
“Não leva porque pode passar vergonha.”
“Não deixa sozinho.”
“Não dá opinião.”
“Não adianta explicar.”
E pronto.
Em pouco tempo, aquele adulto que trabalhou quarenta anos, criou filhos, assinou cheques, tomou decisões, viajou sozinho, fez negócios, enterrou os próprios pais e sobreviveu a um mundo inteiro passa a ser tratado como uma criança com cabelo branco.
É a infantilização da velhice.
E ela começa cada vez mais cedo.
Às vezes, antes mesmo de existir um diagnóstico.
Basta um esquecimento.
Uma palavra trocada.
Uma repetição.
Um dia ruim.
E a família já abre uma espécie de inquérito secreto sobre a saúde mental do sujeito.
— Você reparou que ele perguntou três vezes a mesma coisa?
— Acho que ela está ficando meio esquecida.
— Não sei se dá mais para deixá-la sozinha.
A pessoa ainda está sentada na sala mas já estão falando dela como se tivesse saído do planeta. Filtram os amigos, os lugares, as conversas. Não contam mais nada sério para ele pois pode ficar ansioso. Não pode discutir política pois se irrita. Aí que mora a perversidade: por vezes ele ainda não perdeu a capacidade de viver, mas já perdeu o direito. E a família brasileira – por pânico – está sequestrando esse idoso do seu dia a dia. Tiram tudo dele. Os documentos, as senhas de banco, o carro, o chopp, as “namoradas”. Entra em cena o síndico das novas diretrizes daquela pessoa. Ele ainda toma banho sozinho, se veste, come sozinho, mas as famílias começam a tratá-lo com débil. Se ele confundir uma data ou repetir algo mais de 3 vezes, basta para minimizar a força social daquela pessoa. Isso é triste e talvez até acelere aquilo que ia tomar mais tempo para acontecer. E assim a viagem é cancelada, o joguinho com os amigos micado, o jantar ficou mais longe. Todo mundo começa a comentar: “ele anda fora do ar” “tá estranho” e a velhice passa a ser um reality show e todos os parentes viram neurologistas. É como se a cidadania fosse perdida diante desse pequenas incapacidades. É claro que temos que ficar de olho, mas temos que refletir se estamos esquecendo nossos velhos antes que eles esqueçam de nós . Ah, e um toque: falta pouco para fazerem isso com você. Questão de tempo.
























