Interlocutores do ministro apontam que o Supremo, após homologar o acordo, não tem o papel de fiscalizar o seu cumprimento. Dizem, ainda, que o ministro só vai reavaliar o caso se alguma das partes entrar com uma petição no processo – o que ainda não ocorreu. O acordo foi firmado em maio com participação dos bancos privados, STF, AGU, Banco Central, Fazenda, GDF e BRB.
Em entrevista ao Broadcast em maio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que Fux pediu uma saída para a crise do BRB “o quanto antes” e com “celeridade” porque há cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no banco público de cinco Tribunais de Justiça estaduais – e uma eventual quebra poderia colocar “a autoridade do Judiciário em questão”.
Nos bastidores, contudo, Fux tem dito que essa é uma agenda do governo, não sua. Segundo uma fonte, o ministro afirma que apenas mediou a negociação, conduzida pelas próprias partes, e rejeita qualquer apego ao acordo.
A questão é que, também nos bastidores, o setor privado tem buscado mais garantias para fornecer o aporte. O Broadcast registrou que há um temor de que os recursos tratados neste momento possam não ser suficientes para salvar o banco e que acabe sendo uma “gota d’água em uma chapa quente”. Na prática, os bancos gostariam de uma sinalização mais clara do governo federal na operação, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já proibiu o socorro direto do Tesouro Nacional e também tem evitado que grandes instituições financeiras públicas, como Caixa e Banco do Brasil, entrassem diretamente na operação.
No início desta semana, o presidente do BRB, Nelson Souza, se reuniu com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo fontes, foi uma reunião técnica, sem novidades. A reportagem já revelou que o BC tem feito um monitoramento diário da contabilidade do banco público.
Rombo
O BRB tem um rombo de pelo menos R$ 12 bilhões no balanço, por causa da compra de ativos duvidosos do Banco Master. Até agora, R$ 8,8 bilhões já foram provisionados. Isso significa que o patrimônio líquido da instituição, que antes da crise do banco de Daniel Vorcaro era de R$ 4 bilhões, ficou negativo. A capitalização é necessária para adequar o banco às normas prudenciais.
























