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O presidente Lula é um entusiasta do autoelogio, tem aversão a críticas e não gosta de ouvir que errou. Quando é contestado por aliados, costuma responder quase sempre da mesma maneira: “ganhe uma eleição presidencial que a gente conversa”. Seduzido pela possibilidade de ser exaltado, ele adorou a ideia de ser homenageado pela Acadêmicos de Niterói no desfile da elite das escolas de samba do Rio de Janeiro — e minimizou o risco da empreitada.
O enredo não saiu como o petista esperava. A escola acabou rebaixada, e o desfile foi desastroso do ponto de vista político, principalmente por desagradar a conservadores e evangélicos, retratados, segundo expoentes desses dois grupos, de forma jocosa na avenida. Único brasileiro a conquistar três vezes a Presidência, Lula tem experiência de sobra para saber dos danos que poderia enfrentar. Mesmo assim, pagou para ver. Faltaram a ele um tanto de tino político e muito de tarimba musical.
O presidente cometeu um pecado descrito de forma magistral pelo mestre Paulinho da Viola no samba É difícil viver assim: “Eu pensei que poderia vestir minha fantasia e fazer um Carnaval. Abusei demais da liberdade, era o dono da verdade, esse foi meu grande mal. O sabor amargo do desprezo, eu agora reconheço, tudo fiz por merecer”.
Depois de passar o Carnaval recolhida, a oposição está usando o desfile da Acadêmicos de Niterói para tentar afastar ainda mais Lula dos evangélicos, que representam quase 30% da população. Nesse grupo religioso, a desaprovação ao governo é de 61%, doze pontos a mais do que na média geral (49%). Evitar o aprofundamento desse fosso é um dos desafios do presidente na ressaca de Carnaval.
Lula tem oito meses até a eleição para recompor pontes com o eleitorado evangélico. Não será fácil, mas ele, otimista por natureza e rumo a sua sétima candidatura ao Planalto, pode se inspirar nos versos do mesmo samba de Paulinho da Viola: “Apesar de tudo não me canso e não perco a esperança de reconquistar você”.
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O presidente cometeu um pecado descrito de forma magistral pelo mestre Paulinho da Viola no samba É difícil viver assim: “Eu pensei que poderia vestir minha fantasia e fazer um Carnaval. Abusei demais da liberdade, era o dono da verdade, esse foi meu grande mal. O sabor amargo do desprezo, eu agora reconheço, tudo fiz por merecer”.
Depois de passar o Carnaval recolhida, a oposição está usando o desfile da Acadêmicos de Niterói para tentar afastar ainda mais Lula dos evangélicos, que representam quase 30% da população. Nesse grupo religioso, a desaprovação ao governo é de 61%, doze pontos a mais do que na média geral (49%). Evitar o aprofundamento desse fosso é um dos desafios do presidente na ressaca de Carnaval.
Lula tem oito meses até a eleição para recompor pontes com o eleitorado evangélico. Não será fácil, mas ele, otimista por natureza e rumo a sua sétima candidatura ao Planalto, pode se inspirar nos versos do mesmo samba de Paulinho da Viola: “Apesar de tudo não me canso e não perco a esperança de reconquistar você”.
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