No Brasil, há mais de 153 mil estudantes matriculados em escolas especiais, voltadas para atender alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e superdotação, segundo o Censo Escolar 2024, levantamento mais recente feito pelo Ministério da Educação.
Mais da metade deles (51%) está nos chamados anos iniciais da vida escolar, entre o 1º e o 5º ano do ensino fundamental. É um número significativo se comparado ao das matrículas em outras etapas da educação especial: creche (2,4%), pré-escola (4,1%), anos finais do fundamental (4,4%), ensino médio (0,9%) e educação de jovens e adultos (36,4%).
No ensino regular, que atende estudantes com e sem deficiência juntos, nenhuma etapa de ensino responde por mais de 35% das matrículas. Os dados foram tabulados pelo IRM (Instituto Rodrigo Mendes), organização não governamental que fomenta a educação inclusiva no país.
A maior concentração de alunos em escolas especiais nos anos iniciais pode ser explicada por diferentes fatores. Um deles é que, muitas vezes, esse período escolar coincide com a descoberta da deficiência.
Nesse primeiro momento, muitos responsáveis preferem escolher uma escola especializada com receio de que as crianças não sejam bem acolhidas em escolas regulares, afirma Décio Guimarães, ex-diretor de políticas educacionais na perspectiva inclusiva do MEC.
“Por causa dessa insegurança, as famílias consideram a opinião de alguns profissionais de saúde, que indicam instituições especializadas com o argumento de que as crianças serão mais bem cuidadas nesses espaços”, diz.
Há também muitos pais que gostariam de matricular seus filhos em escolas comuns, mas encontram tantos obstáculos ao longo do caminho que acabam optando pelas instituições de ensino especial.
Ana Claudia Figueiredo, advogada integrante da Rede In (Rede Nacional de Luta pela Educação Inclusiva), aponta como principais dificuldades na escola regular a falta de professores especializados e de estrutura específica para lidar com estudantes com deficiência.
Ela afirma que o início da vida escolar é justamente o momento mais importante de formação de vínculos, no qual seria essencial a convivência de alunos com e sem deficiência. “Quanto antes os estudantes que compõem o público da educação especial migrarem para o sistema regular de ensino, melhor será. Isso porque já começarão desde cedo a vivenciar um ambiente que tem o potencial de ampliar seu desenvolvimento.”
Hoje com 18 anos, Irene de Macedo passou a estudar em uma instituição especializada durante a educação infantil e não se adaptou. Diagnosticada com paralisia cerebral espástica, foi recusada por 18 escolas particulares ao tentar se matricular na rede regular.
Ela conseguiu fazer a migração somente no primeiro ano do ensino fundamental, quando uma escola comum a recebeu com acolhimento e empatia, afirma Regina, mãe da jovem. Em 2025, Irene se formou no ensino médio e, agora, pensa sobre qual faculdade irá cursar.
Promulgada em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão proíbe expressamente que escolas públicas ou privadas recusem a matrícula ou cobrem valores adicionais de alunos com deficiência. “Mas isso só mudou as estratégias de algumas escolas para fugir desses alunos”, afirma Camila Varela, advogada especializada nos direitos das pessoas com deficiência.
Antes disso, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 1996, já preconizava a preferência da matrícula do estudante na rede regular de ensino.
Em 2025, foram destinados cerca de R$ 2,5 bilhões de recursos do governo federal para as instituições de ensino especializadas. Segundo o MEC, o valor representa 2,69% do total de recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica).
Em nota, o órgão afirma que investiu R$ 295,9 bilhões em todo o país em 2025 pelo Fundeb, o que inclui recursos para as escolas públicas que oferecem educação inclusiva. Também informou a aplicação de R$ 640 milhões na implementação de salas de recursos, utilizadas para apoiar o estudante com deficiência na escola regular.
Segundo o Censo Escolar 2024, cerca de 1,9 milhão de alunos com deficiência estudam em escolas comuns, o que representa 92,6% do total.
Esta reportagem é resultado do laboratório de jornalismo de dados de educação e cultura, promovido pela Folha e pela Fundação Itaú em outubro de 2025.
No Brasil, há mais de 153 mil estudantes matriculados em escolas especiais, voltadas para atender alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e superdotação, segundo o Censo Escolar 2024, levantamento mais recente feito pelo Ministério da Educação.
Mais da metade deles (51%) está nos chamados anos iniciais da vida escolar, entre o 1º e o 5º ano do ensino fundamental. É um número significativo se comparado ao das matrículas em outras etapas da educação especial: creche (2,4%), pré-escola (4,1%), anos finais do fundamental (4,4%), ensino médio (0,9%) e educação de jovens e adultos (36,4%).
No ensino regular, que atende estudantes com e sem deficiência juntos, nenhuma etapa de ensino responde por mais de 35% das matrículas. Os dados foram tabulados pelo IRM (Instituto Rodrigo Mendes), organização não governamental que fomenta a educação inclusiva no país.
A maior concentração de alunos em escolas especiais nos anos iniciais pode ser explicada por diferentes fatores. Um deles é que, muitas vezes, esse período escolar coincide com a descoberta da deficiência.
Nesse primeiro momento, muitos responsáveis preferem escolher uma escola especializada com receio de que as crianças não sejam bem acolhidas em escolas regulares, afirma Décio Guimarães, ex-diretor de políticas educacionais na perspectiva inclusiva do MEC.
“Por causa dessa insegurança, as famílias consideram a opinião de alguns profissionais de saúde, que indicam instituições especializadas com o argumento de que as crianças serão mais bem cuidadas nesses espaços”, diz.
Há também muitos pais que gostariam de matricular seus filhos em escolas comuns, mas encontram tantos obstáculos ao longo do caminho que acabam optando pelas instituições de ensino especial.
Ana Claudia Figueiredo, advogada integrante da Rede In (Rede Nacional de Luta pela Educação Inclusiva), aponta como principais dificuldades na escola regular a falta de professores especializados e de estrutura específica para lidar com estudantes com deficiência.
Ela afirma que o início da vida escolar é justamente o momento mais importante de formação de vínculos, no qual seria essencial a convivência de alunos com e sem deficiência. “Quanto antes os estudantes que compõem o público da educação especial migrarem para o sistema regular de ensino, melhor será. Isso porque já começarão desde cedo a vivenciar um ambiente que tem o potencial de ampliar seu desenvolvimento.”
Hoje com 18 anos, Irene de Macedo passou a estudar em uma instituição especializada durante a educação infantil e não se adaptou. Diagnosticada com paralisia cerebral espástica, foi recusada por 18 escolas particulares ao tentar se matricular na rede regular.
Ela conseguiu fazer a migração somente no primeiro ano do ensino fundamental, quando uma escola comum a recebeu com acolhimento e empatia, afirma Regina, mãe da jovem. Em 2025, Irene se formou no ensino médio e, agora, pensa sobre qual faculdade irá cursar.
Promulgada em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão proíbe expressamente que escolas públicas ou privadas recusem a matrícula ou cobrem valores adicionais de alunos com deficiência. “Mas isso só mudou as estratégias de algumas escolas para fugir desses alunos”, afirma Camila Varela, advogada especializada nos direitos das pessoas com deficiência.
Antes disso, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 1996, já preconizava a preferência da matrícula do estudante na rede regular de ensino.
Em 2025, foram destinados cerca de R$ 2,5 bilhões de recursos do governo federal para as instituições de ensino especializadas. Segundo o MEC, o valor representa 2,69% do total de recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica).
Em nota, o órgão afirma que investiu R$ 295,9 bilhões em todo o país em 2025 pelo Fundeb, o que inclui recursos para as escolas públicas que oferecem educação inclusiva. Também informou a aplicação de R$ 640 milhões na implementação de salas de recursos, utilizadas para apoiar o estudante com deficiência na escola regular.
Segundo o Censo Escolar 2024, cerca de 1,9 milhão de alunos com deficiência estudam em escolas comuns, o que representa 92,6% do total.
Esta reportagem é resultado do laboratório de jornalismo de dados de educação e cultura, promovido pela Folha e pela Fundação Itaú em outubro de 2025.

























