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O ano de 1986 ocupa um lugar especial na história da genética médica mundial. Enquanto o Brasil assistia à criação da Sociedade Brasileira de Genética Clínica, mais tarde denominada Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), diversos acontecimentos científicos estabeleciam as bases da medicina genômica moderna.
Naquele ano, a comunidade científica intensificou as discussões sobre um projeto que mudaria definitivamente a compreensão das doenças humanas: o sequenciamento do genoma humano.
Embora o Projeto Genoma Humano tenha sido oficialmente lançado apenas em 1990, sua concepção ocorreu em 1986, durante uma série de workshops e reuniões científicas internacionais organizadas principalmente pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pelos Institutos Nacionais de Saúde – NIH.
Um dos marcos desse movimento aconteceu em 7 de março de 1986, quando o médico e ganhador do Nobel Renato Dulbecco publicou um artigo histórico na revista Science. Nele, defendia que o sequenciamento completo do DNA humano seria essencial para compreender o câncer, propondo que a pesquisa deixasse de estudar apenas agentes externos e passasse a investigar profundamente o genoma humano.
Essa publicação é considerada um dos principais catalisadores da criação do Projeto Genoma Humano.
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Na mesma época, outro dos grandes nomes da genética médica, Victor McKusick, frequentemente chamado de “pai da genética médica moderna”, também defendia publicamente a necessidade de um esforço internacional para mapear e sequenciar todo o genoma humano, destacando que o futuro da medicina dependeria da integração entre mapas genéticos, físicos e o sequenciamento do DNA.
E justamente no dia 15 de julho de 1986, o dia em que era fundada a Sociedade Brasileira de Genética Clínica, o The New York Times publicou uma reportagem histórica e impactante mostrando que cientistas e agências governamentais já discutiam oficialmente um projeto para mapear e sequenciar o DNA humano, sinalizando que a iniciativa já ganhava dimensão internacional.
Ao mesmo tempo, avanços tecnológicos revolucionavam o diagnóstico molecular, como as técnicas de PCR e Clonagem Posicional. A técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) começava a transformar a pesquisa ao permitir a amplificação rápida de fragmentos de DNA, tecnologia que se tornaria indispensável tanto para o diagnóstico de doenças genéticas quanto, décadas depois, para exames utilizados durante pandemias, testes forenses e medicina personalizada.
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Também em 1986, a genética médica alcançou vários feitos histórico na descoberta de genes causadores de doenças. Brigitte Royer-Pokora e seu grupo identificam o gene que quando mutado leva a Doença Granulomatosa Crônica.
Este trabalho é frequentemente citado como o primeiro sucesso absoluto de clonagem posicional para identificar um gene causador de doença humana, sem qualquer conhecimento prévio sobre a estrutura da proteína alvo.
No mesmo ano foi publicada a identificação do gene responsável pela Distrofia Muscular de Duchenne, feito realizado pela equipe liderada por Louis Kunkel, que isolou o gene baseando-se puramente na sua localização cromossômica (no cromossomo X), sem saber qual proteína ele codificava. Ainda em 1986, Stephen H. Friend e colaboradores identificam o gene que quando mutado leva ao Retinoblastoma, sendo a primeira prova molecular da existência de genes supressores de tumor.
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Esses acontecimentos colocaram 1986 como um divisor de águas para a genética médica. Quatro décadas depois, muitos dos avanços que hoje fazem parte da prática clínica — como o sequenciamento genético, a medicina de precisão, os testes moleculares e as terapias gênicas — têm suas origens naquele período de intensa transformação científica. A SBGM forjou uma geração de médicos especialistas em genética, profissionais treinados para aliar todos estes avanços a uma prática humanizada e sensível, centrada no paciente e seus familiares.
*Dr. Salmo Raskin (CRM PR 11162 | RQE 5333)
Salmo Raskin possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, especialização em Pediatria pela Universidade Federal do Paraná e em Genética Médica pela Universidade de Vanderbilt, Nashville, Tennessee, EUA. É doutor em Genética pela Universidade Federal do Paraná. Foi Professor titular do Curso de Medicina na Universidade Positivo, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e é Professor Emérito da Faculdade Evangélica do Paraná. Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Universidade Federal do Paraná. É o atual Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Genética Medica e Genômica da qual foi Presidente por dois mandatos. É membro da Sociedade Brasileira de Pediatria na qual atualmente é o Coordenador do Departamento Científico de Genética. Médico Geneticista do Hospital de Rehabilitação do Hospital dos Trabalhadores, em Curitiba, PR. do Tem mais de 180 publicações científicas indexadas. Colunista do jornal O GLOBO. Há 33 anos é diretor do Centro de Aconselhamento e Laboratório Genetika, em Curitiba.
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Naquele ano, a comunidade científica intensificou as discussões sobre um projeto que mudaria definitivamente a compreensão das doenças humanas: o sequenciamento do genoma humano.
Embora o Projeto Genoma Humano tenha sido oficialmente lançado apenas em 1990, sua concepção ocorreu em 1986, durante uma série de workshops e reuniões científicas internacionais organizadas principalmente pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pelos Institutos Nacionais de Saúde – NIH.
Um dos marcos desse movimento aconteceu em 7 de março de 1986, quando o médico e ganhador do Nobel Renato Dulbecco publicou um artigo histórico na revista Science. Nele, defendia que o sequenciamento completo do DNA humano seria essencial para compreender o câncer, propondo que a pesquisa deixasse de estudar apenas agentes externos e passasse a investigar profundamente o genoma humano.
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Ao mesmo tempo, avanços tecnológicos revolucionavam o diagnóstico molecular, como as técnicas de PCR e Clonagem Posicional. A técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) começava a transformar a pesquisa ao permitir a amplificação rápida de fragmentos de DNA, tecnologia que se tornaria indispensável tanto para o diagnóstico de doenças genéticas quanto, décadas depois, para exames utilizados durante pandemias, testes forenses e medicina personalizada.
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Salmo Raskin possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, especialização em Pediatria pela Universidade Federal do Paraná e em Genética Médica pela Universidade de Vanderbilt, Nashville, Tennessee, EUA. É doutor em Genética pela Universidade Federal do Paraná. Foi Professor titular do Curso de Medicina na Universidade Positivo, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e é Professor Emérito da Faculdade Evangélica do Paraná. Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Universidade Federal do Paraná. É o atual Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Genética Medica e Genômica da qual foi Presidente por dois mandatos. É membro da Sociedade Brasileira de Pediatria na qual atualmente é o Coordenador do Departamento Científico de Genética. Médico Geneticista do Hospital de Rehabilitação do Hospital dos Trabalhadores, em Curitiba, PR. do Tem mais de 180 publicações científicas indexadas. Colunista do jornal O GLOBO. Há 33 anos é diretor do Centro de Aconselhamento e Laboratório Genetika, em Curitiba.
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