“Ajuste fino”, crédito caro e recado ao agronegócio
No mercado de crédito, a avaliação é que o corte está longe de representar um alívio real para o caixa das empresas. Para Amanda Coura, fundadora da Zera, a decisão do Copom foi apenas um “ajuste fino”, e não o início de um cenário de afrouxamento.
Ela lembra que, como grande parte dos empréstimos acompanha o CDI (que anda colado na Selic), as despesas financeiras continuarão pressionando os resultados das companhias. O cenário exige adaptação até de setores robustos, como o agronegócio. “Com os juros pressionando o custo das operações, a customização das estruturas ganha ainda mais relevância. Nunca foi tão importante que as empresas do agro fortaleçam sua governança e mantenham um planejamento financeiro rigoroso”, alerta Amanda, destacando o papel vital do mercado de capitais para financiar o setor de forma pulverizada e fugir da dependência dos empréstimos tradicionais.
Mercado financeiro elogia cautela e comunicação mais clara
Entre os economistas do mercado financeiro, a avaliação é positiva. A percepção é de que o Banco Central acertou ao adotar uma postura cautelosa e dependente dos próximos dados, sem se comprometer com novos cortes.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, elogiou a clareza do comunicado do BC desta vez, que evitou os ruídos da reunião anterior. Para ele, o Comitê fez bem em não amarrar decisões futuras, já que os riscos continuam assimétricos para cima — puxados pela desancoragem das expectativas de inflação, conflitos no Oriente Médio e eventos climáticos que podem encarecer os alimentos. “Dado esse nível de incertezas, o mais importante é não se comprometer e não reduzir os graus de liberdade que o BC terá nos próximos 45 dias”, explica Sung.

















