
Dentro do Galpão
O centro de distribuição LCY3, em Londres, é o mais automatizado da Amazon na Europa. Os números do lugar impressionam antes mesmo de entrar. São três andares, 1.600 robôs Proteus por andar, 4.800 no total, movimentando mais de 60 mil estantes de prateleiras em fluxo contínuo. De perto, parece um balé logístico: cada robô sabe exatamente onde está, para onde vai e o que precisa evitar.
O Proteus é o robô autônomo de movimentação de carga de funcionamento interno da Amazon. A nova geração combina inteligência artificial com controles por linguagem natural, permitindo que funcionários direcionem os robôs com comandos conversacionais, sem precisar de programação especializada. Diferente do modelo anterior, que operava apenas em áreas de doca, o novo Proteus pode trabalhar em qualquer ponto do centro de distribuição e aceita instruções em linguagem comum. Dá pra falar com ele como se fala com um colega.
O Vulcan vai além. É o primeiro sistema robótico da Amazon com sentido de toque: vê e sente objetos simultaneamente para navegar em ambientes densamente embalados. Enquanto a maioria dos robôs industriais depende apenas de câmeras e sensores, o Vulcan consegue identificar pela pressão se está segurando um item frágil ou resistente.

O drone que já voa no Reino Unido
>Se o LCY3 mostra o presente, o Prime Air aponta para o futuro que já começou. A Amazon iniciou voos de entrega com drones no Reino Unido a partir do seu centro de distribuição em Darlington, no norte da Inglaterra, tornando a cidade a primeira localidade fora dos EUA a receber o serviço.
O serviço opera como um trial aprovado pela CAA (autoridade de aviação civil britânica) até o final de 2026, com limite de 10 voos por hora e 100 entregas por dia em dias úteis. Os pacotes precisam pesar menos de 2,2 kg e chegam em até duas horas. O cliente escolhe no aplicativo se quer que a entrega seja feita por drone e paga U$ 4,99 por isso, o mesmo valor cobrado atualmente nos EUA, onde o serviço já opera em 8 localidades. Darlington é a única cidade fora do país. A viabilidade econômica e a regulação do espaço aéreo ainda estão sendo testadas antes de qualquer expansão em escala.
Amazon Leo é resposta a Elon Musk
Menos visível que os robôs, mas igualmente estratégico: a Amazon apresentou o Amazon Leo, seu serviço de internet via satélite em órbita baixa e concorrente direto do Starlink, de Elon Musk.
O lançamento comercial está previsto para meados de 2026, com promessa de velocidades de download de até 1 Gbps, o dobro da performance típica do Starlink. A cobertura, em um segundo momento, promete incluir latitudes que abrangem praticamente toda a América Latina, incluindo o Brasil.

Alexa mais humana
O destaque que mais chamou atenção na parte de apresentações foi a Alexa+. Trevor Wood, gerente da Amazon, apresentou os avanços da nova geração do assistente de voz.
A Alexa+ eleva a IA conversacional a um novo patamar: entende linguagem casual, fragmentada e até interrupções no meio de conversas em andamento. Ela é capaz de fazer compras, reservar corridas, fazer reservas em restaurantes e executar tarefas do começo ao fim, não apenas responder perguntas. A mudança fundamental está na interpretação de linguagem natural: qualquer comando que antes exigia frases exatas e entonação específica agora pode ser dito de forma livre, como numa conversa.
Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de a Alexa+ operar com múltiplos idiomas no mesmo ambiente, traduzindo em tempo real conversas entre pessoas de línguas diferentes, Wood foi direto: isso é o “Northern Star” da equipe, o destino para onde estão mirando. E adiantou que a chegada da Alexa+ ao Brasil deve acontecer em breve.
Os dados no Brasil
Com esse pano de fundo tecnológico, a Amazon também apresentou os números da operação brasileira, que completou 15 anos em 2025 com resultados recordes.
Em 2025, a empresa investiu mais de R$ 19 bilhões em infraestrutura, tecnologia e pessoas no Brasil, o equivalente a R$ 52 milhões por dia. No acumulado desde 2011, o total ultrapassa R$ 75 bilhões, dos quais mais de R$ 65 bilhões contribuíram diretamente para o PIB nacional, segundo a consultoria Keystone. Só em 2025, a contribuição para o PIB brasileiro foi de mais de R$ 16 bilhões. No mercado de trabalho: mais de 55 mil empregos diretos e indiretos, crescimento de mais de 50% em relação ao ano anterior.
“Ao celebrar 15 anos de dedicação ao Brasil e um investimento acumulado de R$ 75 bilhões, reafirmamos não apenas nosso compromisso de longo prazo com o país, mas também a recepção positiva dos consumidores e o crescimento exponencial dos nossos negócios ao longo dos anos”, afirma Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.
Além do carrinho
A Amazon não se apresenta mais apenas como loja. Ao UOL, a presidente enfatizou a produção de conteúdo local: as séries “Tremembé” e “Cangaço Novo”, conteúdo original no Amazon Music, transmissão ao vivo de esportes com exclusividade nas finais da NBA, no Brasileirão e no patrocínio das seleções brasileiras de futebol nas categorias feminina, de base e masculina. Sztrajtman destacou o patrocínio como estratégico com a chegada iminente da Copa do Mundo na América do Norte.
O repórter viajou a convite da Amazon













