24/01/2024 às 11h05min - Atualizada em 25/01/2024 às 00h01min

Nutricionista explica a diferença entre rótulos para produto integral e natural 

Em vigor desde o ano passado, as novas normas de classificação de alimentos à base de cereais, definida pela Anvisa, busca trazer mais clareza nas informações fornecidas aos consumidores 

Unisa
Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da resolução 493/2021, determinada que alimentos à base de cereais devem apresentar no mínimo 30% de ingredientes integrais na composição. Antes da regra as embalagens traziam a denominação 100% integral, mas desde o ano passado, a rotulagem dos produtos indica natural ou nutrição. 

A nutricionista e professora do curso de Nutrição da Universidade Santo Amaro (Unisa), Raquel Nunes Silva, esclarece que as mudanças na rotulagem de alimentos integrais refletem a necessidade de aprimorar a transparência e a clareza nas informações fornecidas aos consumidores. “Ao analisarmos essa transição, é crucial compreender que a norma busca uma definição mais abrangente e precisa do que caracteriza um alimento integral”, reforça Raquel. 

Segundo a nutricionista, a denominação 100% nutrição sugere um enfoque não apenas na presença de fibras integrais, mas uma visão mais abrangente do produto. Por outro lado, a terminologia 100% integral costumava ser associada principalmente à presença de grãos integrais na composição do alimento. A mudança na rotulagem procura ampliar essa definição, considerando aspectos mais amplos da composição nutricional. 

Como identificar um produto alimentício 100% integral? 

De acordo com as recentes regulamentações, para que um produto seja considerado integral, ele deve conter, no mínimo, 30% de ingredientes integrais em sua composição. Além disso, a quantidade total de ingredientes integrais deve sempre superar a dos refinados no alimento. Essa medida visa garantir uma definição mais precisa do que caracteriza um produto integral, indo além da simples presença de grãos integrais.  

“É importante destacar que as regras se aplicam não apenas a alimentos prontos para consumo, mas também a produtos concentrados ou em pó que exigem reconstituição, como achocolatados ou misturas para bolos” “Nesses casos, as novas diretrizes devem ser observadas na composição do alimento já preparado para o consumo. A resolução determina que os produtos que utilizam a palavra integral na embalagem devem informar claramente a porcentagem total de ingredientes integrais presentes, utilizando caracteres do mesmo tipo, tamanho e cor”, explica a professora.  

Ainda segundo Raquel, no caso de produtos líquidos, a palavra integral deve ser substituída pela expressão com cereais integrais. Essa medida visa proporcionar aos consumidores uma compreensão clara da composição nutricional dos produtos que estão adquirindo. É importante ressaltar que rótulos que não estejam em conformidade com esses requisitos não podem conter indicações que sugiram a classificação do produto como integral, como vocábulos, sinais, denominações, símbolos ou representações gráficas. 

Entenda os benefícios do consumo de alimentos integrais 

O consumo de alimentos integrais oferece uma série de benefícios para a saúde. Esses alimentos são ricos em fibras, o que promove a saúde digestiva, auxilia no controle do peso e contribui para a prevenção de doenças como diabetes tipo 2. Os alimentos integrais têm uma variedade de nutrientes essenciais, como: vitaminas, minerais e antioxidantes, que desempenham papéis fundamentais na promoção da saúde geral. Estudos, como os revisados pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, destacam que uma dieta rica em alimentos integrais está associada a um menor risco de doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.  

A presença de fibras nos alimentos integrais também está ligada ao controle dos níveis de colesterol e à regulação dos níveis de açúcar no sangue, conforme evidenciado por pesquisas publicadas no Journal of Nutrition. É importante ressaltar que, ao optar por alimentos integrais, os consumidores estão fazendo escolhas mais nutritivas em comparação com produtos altamente processados, que muitas vezes são ricos em açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio. 

Alimentos industrializados 

É um equívoco comum associar exclusivamente alimentos industrializados à categoria de integrais. Alimentos in natura e minimamente processados também podem ser considerados integrais, e sua inclusão na dieta é altamente recomendada. Para distinguir esses alimentos, a chave está na observação da extensão do processamento. Alimentos in natura, como frutas, legumes e grãos inteiros, são exemplos de opções integrais que não passaram por processamentos significativos.  

Já os minimamente processados, como grãos que passaram por limpeza, secagem ou moagem, mantêm boa parte de seus nutrientes originais. A identificação desses alimentos no supermercado pode ser facilitada ao observar os rótulos e embalagens. A classificação como integral geralmente está associada a produtos que mantêm a integridade dos grãos, não removendo partes essenciais, como o farelo e o gérmen.  

Vale destacar que o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, fornece orientações sobre a escolha de alimentos integrais, incentivando o consumo de alimentos in natura e minimamente processados como base de uma alimentação saudável. 


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