27/10/2023 às 09h57min - Atualizada em 28/10/2023 às 00h02min

Aumenta o número de suicídios entre policiais no País

ados apontam um crescimento exponencial dos suicídios de policiais no Brasil, uma mazela que poderia ter sido evitada com um programa efetivo de bem-estar com foco nas doenças psicossociais

Da Redação
Sandra Cunha
Aumenta o número de suicídios entre policiais no País
Dados apontam um crescimento exponencial dos suicídios de policiais no Brasil, uma mazela que poderia ter sido evitada com um programa efetivo de bem-estar com foco nas doenças psicossociais
         Embora a edição mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponte uma queda de 4% nas mortes de policiais em 2021, a boa notícia não abarca os índices de suicídio, que apresentaram um aumento de 55,4%, com 121 vítimas. Esses dados referem-se somente aos policiais militares da ativa.
Esse aumento no comparativo com 2020 se deve em grande medida à entrada de dados de novos estados na estatística nacional, dentre eles São Paulo, que tem maior representatividade, com 23,7% dos casos nacionais, e que não apresentara dados para 2020. Ocorre que, mesmo desagregando os dados desse estado, o Brasil apresentou um aumento de 18,5% das taxas de suicídios de policiais da ativa.
A polícia civil não está imune a esse aumento de suicídios nas forças policiais. Entre 2021 e 2022 houve um crescimento de 61,5%, quando o total de casos saltou de 13 para 21.
Em estados como o Rio Grande do Sul, por exemplo, o suicídio é a principal causa de morte de policiais, militares e civis.
         Quando você acompanha as estatísticas de suicídios no Brasil, os integrante das forças policiais têm uma média muito maior, um número muito maior de suicídios, de tentativas e internações por problemas psiquiátricos.
Para o Dr. Ricardo Pacheco, médico, gestor em saúde e presidente da Oncare Saúde e da ABRESST (Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho)isso é consequência da rotina, que é muito dura e de uma atividade que normalmente não cuida do homem. “É preciso criar uma série de estruturas de proteção aos policiais para que eles possam prestar um melhor serviço à sociedade e retornar para suas famílias em segurança”.
 
Subnotificação e fatores que levam policiais ao suicídio
 
         A subnotificação é com certeza um problema e nos impede de termos dados mais absolutos, e pode gerar uma falsa interpretação de estatísticas que mostram uma redução no número de suicídios consumados.
         O médico alerta que muitos dos casos de suicídios sucedidos e tentativas de suicídio de policiais não são informados ao setor responsável por inúmeras razões. “Entre elas, estão as questões socioculturais – o tabu em torno do fenômeno; a proteção ao familiar da vítima (a preservação do direito ao seguro de vida) e a existência de preconceito ao policial diagnosticado com problemas emocionais e psiquiátricos”, elenca Pacheco.
         Quanto aos fatores que levam os policiais a tirarem suas vidas, o presidente da Oncare Saúde elenca os mais relevantes: “O convívio permanente com a morte e a violência, as extenuantes jornadas de trabalho, a falta de sono, lazer e convívio com a família são fatores de risco para os policiais. Estão diretamente relacionados com o trabalho policial e, portanto, podem levar os profissionais a quadros de adoecimento físico e mental. No entanto, as organizações policiais individualizam os problemas, atribuindo ao indivíduo a responsabilidade por seu adoecimento ou violência auto infligida, como no caso dos suicídios. Erro recorrente nas forças policiais”, lamenta o médico.
 
O policial muitas vezes é vítima duas vezes
 
         Não é incomum relatos de policiais que apresentaram doenças mentais às suas corporações e foram penalizados. Em vários casos, os agentes optam por não relatar o transtorno para não perder o porte de armas ou até mesmo o emprego dentro da corporação.
Policiais militares do estado de São Paulo, por exemplo, relataram descaso da corporação em relação a problemas de saúde mental. Muitos informaram haver desconfiança por parte das chefias, recusa de licenças médicas e até casos de oficiais que procuraram a Justiça para comprovar que estão doentes e obter o afastamento.
"Infelizmente ainda existe um estigma dentro das corporações com relação os distúrbios mentais. Ainda existe muita resistência interna. Têm muitos policiais que acham que o outro está fingindo, tem muito comandante e delegado que acha que esse tipo de doença é frescura, que o policial está dando desculpa para não voltar para o trabalho, que na verdade ele quer pegar uma licença remunerada e trabalhar em outras coisas. Fato é que a
permanência desses agentes doentes no serviço, apesar da indicação de afastamento, traz riscos para a população”, alerta Pacheco.
 
Promover um programa de saúde mental nas corporações policiais é urgente!
 
A prevenção é fundamental quando o assunto é suicídio, também nas forças policiais.
“Essa prevenção precisa acontecer em três níveis. Primeiro, com os policiais, fazendo ações de conscientização sobre a saúde mental. Em seguida, oferecendo um olhar mais atento para os policiais que já demonstraram algum sinal de alerta ou passaram por situações difíceis (estresse contínuo, perdas na família ou de colega muito próximo, entre outras situações). Por último, observando os policiais que já tentaram suicídio uma ou mais vezes e buscar alternativas para contornar isso, como pensar em tirar arma de fogo desses policiais, ter instruções de como a família deve lidar e fornecimento de apoio pelas instituições”, afirma Dr. Ricardo Pacheco.
O médico ressalta que as corporações devem contar com uma estrutura consolidada de saúde mental internamente. “Temos muitos desafios para enfrentar, tanto no sentido de sensibilizar a tropa e os comandantes, mas também no sentido das próprias polícias terem um serviço estruturado e cultura de dados que lhes permita conhecer melhor esse fenômeno no seu interior institucional”, completa.
A Oncare Saúde mantém o Programa Bem-Estar Emocional, um canal de atendimento focado no suporte para situações de crise, com o objetivo de ajudar na motivação e crescimento, onde os trabalhadores são atendidos por um psicólogo qualificado, que trabalhará aspectos e características como autoconhecimento, instabilidade emocional, ansiedade, baixa autoestima, depressão, frustração, inquietude, além de incentivar a lidar com sentimentos negativos e falta de perspectiva.
Os psicólogos da Oncare são qualificados para prestar todo o suporte necessário na promoção do bem-estar emocional e da qualidade de vida dos trabalhadores, inclusive policiais.
 
Lei que prevê ações de apoio à saúde mental e de prevenção ao suicídio para profissionais de segurança pública e de defesa social foi sancionada
 
A Lei 14.531/2023 foi sancionada janeiro de 2023 com três vetos.
Aprovada em dezembro pelo Congresso Nacional, a lei amplia o Programa Pró-Vida, criado para atenção psicossocial e de saúde no trabalho aos profissionais da segurança pública e defesa social e inclui esses profissionais na Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.
A norma prevê acompanhamento médico e psicológico, carga horária de trabalho humanizada, política remuneratória condizente com a responsabilidade do trabalho policial, promoção da qualidade de vida do profissional, entre outras ações.
A lei também estabelece atenção para os profissionais com quadro de depressão ou ansiedade, estresse e de outras alterações psíquicas, que façam uso abusivo de álcool e de outras drogas ou que tenham tentado o suicídio.
Autor da norma, o senador Alessandro Vieira, do PSDB sergipano, ressaltou que o suicídio entre os policiais é oito vezes maior do que em outras categorias.
 
Sobre a Oncare Saúde
 
Oncare Saúde é uma plataforma de solução integrada de saúde, que oferece consultoria para empresas. Inclui assistência médica e ações de promoção, proteção, recuperação e reabilitação.
Além de auxiliar as empresas na implementação do eSocial, a Oncare promove a proteção da vida e da saúde dos trabalhadores; ajuda as organizações a entenderem e cumprirem essas regulamentações, evitando problemas legais; fomenta a redução dos custos, já que menos acidentes significam menos despesas com tratamento médico, pagamento de licenças por doença e indenizações; propicia o aumento da produtividade; melhora a imagem da empresa; minimiza os riscos de litígios e promove a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável.
A Oncare Saúde é presidida pelo médico Dr. Ricardo Pacheco, CRM-SP 87570 I RQE 22.683.
 
 

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