29/05/2023 às 16h49min - Atualizada em 30/05/2023 às 00h01min

Entre realidade e ficção, documentário Outros Gritos de Independência será exibido dia 18 de junho no Cine Satyros Bijou

Filme faz recorte da história do Brasil por meio da música e de imagens poéticas

SALA DA NOTÍCIA maria fernanda teixeira
Foto: frame do filme
Mescla de realidade e ficção, o documentário Outros Gritos de Independência apresenta um recorte da história nacional por meio da música e de imagens poéticas. Com roteiro e direção de Thiago Capella Zanotta, curadoria musical de Claudia Feres e Fábio Vianna Peres, o filme terá pré-estreia dia 18 de junho, domingo, às 20 horas, no Cine Satyros Bijou. A filme ficará disponível pelo Youtube, no canal Festival Concertos na Serra, a partir de 18 de junho. O projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e tem produção da Circulus Ópera.


O filme traça um recorte da história nacional a partir do “Grito do Ipiranga” e levanta pautas como liberdade, autonomia política e preconceito, entre eles, o racismo. A narrativa é pautada pelas imagens e pela sonoridade, abrindo espaço também para entrevistas.
Entre outros temas musicais, o Hino à Independência é executado em diferentes arranjos, intercalado por depoimentos e curiosas encenações históricas. Na proposta “não narrativa”, a discussão gira em torno da atualidade da imagem retratada pela sociedade brasileira. Do corte de cana à construção civil, paisagens sonoras contrastantes se sobrepõem à musicalidade executada em uma pequena igreja eclética no interior de São Paulo.

Gravações em locais inusitados

Gravado nas cidades de Jundiaí, Charqueada, Piracicaba, São Luiz do Paraitinga e centro de São Paulo, o filme percorreu locais inusitados. Em Piracicaba, foram colhidas imagens com câmeras e drones do Baque Caipira, representação da cultura local, espécie de Maracatu.  Na Serra do Japi, aconteceu uma representação cênica com a personagem de Maria Quitéria, e músicos eruditos - entre eles, membros da OSESP - executaram diferentes arranjos para o Hino da Independência, abrigados pela pequena e singela igreja de Santa Clara. Atualmente sem atividades religiosas, a igreja é parte da reserva biológica existente na Serra. A acústica e a atmosfera do espaço renderam aos diretores musicais do projeto uma experiência surpreendente. As paredes brancas em estilo barroco serviram como plataformas de mapeamento de vídeo, nas quais foram projetadas imagens de texturas características da época da Independência.

Na pequena cidade de Charqueada, o documentário registrou imagens sensíveis dos canaviais e da própria atividade do corte da cana na atualidade. A família Ferraz, bem conhecida na região, participou das gravações com depoimentos sobre a cultura e curiosidades da vida em meio ao canavial. Descendentes diretos de pessoas escravizadas, “os Ferraz”, como são chamados, ainda carregam o nome do antigo proprietário das terras. Salvador, o irmão mais velho, recebeu a equipe de filmagem para um almoço preparado no fogão à lenha, o mesmo utilizado por seus avós.

Cenas curiosas

Explorando uma narrativa não linear, a montagem também traz trechos de cenas curiosas, com a atriz Samira Lochter e o ator Márcio Tito Pellegrini interpretando os personagens da história, como Dom Pedro montado em uma mula, e Maria Quitéria - primeira mulher a integrar o exército brasileiro - à beira de um riacho, cenário onde supostamente foi proclamado o Grito do Ipiranga. A presença feminina no documentário  também é marcada pela participação de Marta Baião, importante ativista feminista e atual diretora do Centro Informação Mulher - CIM, instituição que possui um dos mais importantes acervos bibliográficos da América Latina sobre as causas da pauta.

O jornalista Mouzar Benedito traz relatos curiosos de causos e distintas curiosidades sobre a história do Brasil. Como temática geral, o documentário propõe uma paisagem histórica, na qual a música é uma condutora de narrativas que se entrelaçam compondo gritos, digamos assim: Outros Gritos de Independência, que ainda ecoam na atualidade do nosso tempo. Outros Gritos de Independência mergulha em uma viagem onírica, gradativamente, transformando a realidade em imagens animadas. A ideia é trazer uma particularidade tipicamente brasileira, que seria a tendência em misturar realidade com ficção, tanto na história oficial do Estado quanto particular de cada cidadão. É algo que se reflete até mesmo na forma de se fazer política no país, diz Capella.

José Geraldo Vinci de Moraes, professor titular do Departamento de História da USP e autor de importantes obras sobre a música nacional, contempla o projeto com sua consultoria e entrevistas, nas quais aborda o aspecto historiográfico no contexto brasileiro.

Ficha técnica

Título: Outros Gritos de Independência. Duração: 65 min. Sinopse: O filme traça um recorte da história nacional, a partir do “Grito do Ipiranga”, e  enfoca assuntos como liberdade, autonomia política e preconceito (entre eles, racismo). Entre outros temas musicais, o Hino à Independência é executado em diferentes arranjos, intercalado por depoimentos e curiosas encenações históricas. Na proposta “não narrativa”, a discussão é pautada em torno da atualidade da imagem retratada pela sociedade brasileira. Do corte de cana à construção civil, paisagens sonoras contrastantes se sobrepõem à musicalidade executada em uma pequena igreja eclética no interior de São Paulo. Direção: Thiago Capella Zanotta. Ano de Produção: 2023. País: Brasil. Título Original: Outros Gritos de Independência. Idioma: Português.  Gênero: Documentário “não-narrativo”. Classificação etária: AL (Autoclassificação Livre). Distribuidora: Independente.

Interpretação do Hino à Independência (letra de Evaristo Veiga e música de D. Pedro I) - Fábio Cury - fagote solo. Esdras Rodrigues - solo rabeca. Guilherme de Camargo -  violão solo. Erika Muniz - soprano à capella. Alessandro Santoro - cravo

Músicas (autoria e título)

De Cândido Inácio da Silva, Lá no largo da Sé - Guilherme de Camargo, Esdras Rodrigues, Erika Muniz, Bruna Souza (violão, rabeca, soprano e percussão); de Joaquim Manoel da Câmara, Nunca fui falso ao meu bem - Guilherme e Erika (violão e soprano);
de Neukomm, Allegro alla turca - Alessandro, Livia, Bruna (cravo, flauta traverso e percussão); de Marcos Portugal, Cuidados, tristes cuidados - dedicado a Carlota Joaquina - Alessandro e Erika (cravo e soprano) e de D. Pedro I, Et incarnatus est (Credo) - Alessandro e Erika (cravo e soprano).

Produção: Circulus Ópera. Direção e roteiro: Thiago Capella Zanotta. Curadoria musical: Cláudia Feres e Fabio Vianna Peres. Atuação: Samira Lochter e Marcio Tito Pellegrini. Execução musical e arranjos: Erika Muniz (Soprano), Fábio Cury (Fagote), Guilherme de Camargo (Violão), Alessandro Santoro (Cravo), Livia Lanfranchi (Flauta Traverso), Esdras Rodrigues (Rabeca), Bruna Souza (Percussão). Rapper: Alexandre RE
Fagotista convidado: Luis Antonio Ramoska.

Consultoria historiológica: José Geraldo Vinci de Moraes. Provocação argumentativa: Mouzar Benedito. Paisagem sonora: Chico Toledo e Diego Mazutti. Encenação dramática: Carla Candiotto. Pesquisa historiográfica: Rodrigo Matheus. Entrevistas: Marta Baião, Mouzar Benedito e José Geraldo Vinci de Moraes. Depoimentos: Salvador Manoel Ferraz, Antônio Plácido Ferraz, Paulo Roberto Ferraz, José Carlos Ferraz e Dilce Souza. Figurino e caracterização: Daíse Neves. Maquiagem: Samira Lochter.

Locação Igreja Santa Clara - Serra do Japi - Jundiaí/SP.

Produção Executiva: Carol Reto - Respeitável Público Produções. Assistente de produção: Juliana Cestarolli. Captação de áudio e mixagem: Uli Schneider - USC Brasil. Assistente de áudio: Marcio Torres.  Steadicam e drone: Thiago Capella. Cinegrafista: Renato Grieco.  Foquista: Diego Mazutti. Mapeamento de vídeo: Pedro Del Rio. Iluminação: Gabriel Gregui. Assistente de iluminação: Júlio Gregui. Fotografia Still: Renato Grieco. Motorista: Eugenio La Salvia. Apoio logístico de transporte: Tudo para Orquestras. Administração: Espaço JAPI - Cultura e Meio Ambiente.

Captação de áudio entrevistas: Carlos Fromm. Apoio de produção: Camila Matheus. Locação Charqueada/SP - Usina D’Abronzo. Apoio de produção local: Anelisa Ferraz e Cláudia Paz. Referência historiográfica: “O Bairro do Recreio” de Sermo Dorizotto.

Locação Piracicaba/SP. Grupo percursivo Baque Caipir . Depoimentos: Maicon Araki e Natalia Puke. Montagem, processamento de imagem e finalização: Thiago Capella. Mixagem: Chico Toledo. Design Gráfico: Danilo Amaral. Gerenciamento de mídia social: Carlos Fromm. Assessoria de comunicação: Arteplural Comunicação - Maria Fernanda Teixeira e Macida Joachim.

Realização: Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa  

Serviço da exibição presencial

Pré-estreia documentário - Outros Gritos de Independência
Local: Cine Satyros Bijou. Dia 18 de junho. 20h. Praça Franklin Roosevelt, 172 –
Consolação, São Paulo - SP, 01303-020. 75 lugares. Possui acessibilidade. (11) 3258-6345.

Serviço da exibição on-line

Estreia dia 18 de junho.
Disponível a partir das 21h. Canal do Youtube: Festival Concertos na Serra.


 
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