26/05/2023 às 17h32min - Atualizada em 28/05/2023 às 00h00min

Mudanças na Petrobras e o que podemos esperar dos preços dos combustíveis  

*Marcos José Valle 

SALA DA NOTÍCIA Valquiria Cristina da Silva Marchiori
Rodrigo Leal

A mudança na forma de precificação dos combustíveis anunciada pela Petrobras trouxe consigo uma série de dúvidas sobre o futuro desse mercado. Os consumidores, com razão, querem saber se os preços irão baixar e qual é a tendência para os próximos meses. Seremos surpreendidos com altas? 

Além do anúncio principal, também foram informadas reduções específicas nos preços da gasolina (12%), gás de cozinha (21,3%, ficando o preço final abaixo de R$ 100,00) e diesel (12%). Em alguns locais de venda, os consumidores já perceberam a redução, embora em certas regiões e estados esses valores possam demorar um pouco mais a serem sentidos, o que é comum devido ao reabastecimento. No entanto, não foi descartada a possibilidade de fiscalização para garantir a incorporação das reduções no preço final. 

O sistema de Paridade de Preço Internacional (P.P.I.), era baseado na abstração da eventual produção nacional de petróleo e na dependência de compra internacional, adotando como referência os preços do mercado internacional desse insumo e a cotação do dólar para conversão em reais. Ao abandonar o sistema PPI, a Petrobras passou a adotar um sistema mais "abrasileirado" com base na capacidade de produção nacional, levando em consideração o "custo alternativo do cliente" e o "valor marginal para a Petrobras". Esses dois pontos, ligados à escolha dos consumidores e à flexibilidade da Petrobras em relação ao mercado, geraram dúvidas quanto à "transparência" na prática de preços. Não parece ser o caso de omitir informações, mas sim de deixar claro como essas outras variáveis irão definir com mais precisão os preços e qual será a frequência de oscilação daqui para frente. 

O custo alternativo do cliente leva em conta a decisão entre usar os derivados de petróleo ou outras fontes energéticas, como etanol, elétrico, pedal, a pé, algo que pode não variar muito em relação aos hábitos dos consumidores. Já para o valor de margem da Petrobras entram em cena algumas possibilidades, como: se for mais barato produzir, mantém-se; se for mais interessante comprar insumos do exterior para a produção, compra-se do exterior; se o mercado externo for mais interessante, então vende-se para fora. São coisas do livre mercado. Isso significa que os preços podem oscilar? Sim, eles podem oscilar para baixo e para cima com mais frequência do que no sistema anterior, mas a vantagem é que no sistema anterior estávamos sempre pagando o preço mais elevado, mesmo com capacidade de produzir e oferecer ao mercado combustíveis mais baratos. 

A insatisfação em relação ao novo modelo ocorre em função da redução nos lucros para os acionistas. Se antes, a empresa operava com lucro extraordinário, agora passa a operar com lucro real. Perde-se o resultado obtido de forma nominal e passa a exigir mais atenção e compromisso com a eficiência e eficácia na produção para atender ao mercado nacional. 

*Marcos José Valle é  Bacharel em Ciências Econômicas, Mestre em Educação - Políticas Públicas e Gestão da Educação, Doutorado em Sociologia. Professor do curso de Ciências Econômicas na Escola Supeiro de Gestão, Comunicação e Negócios na Uninter. 


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