30/06/2023 às 12h57min - Atualizada em 01/07/2023 às 00h01min

O Paradoxo na Psicologia: a queixa dos clientes sobre a ineficácia dos resultados no tratamento psicológico

SALA DA NOTÍCIA Redação

A terapia convencional é um processo contínuo de autoexploração, crescimento e mudança, que pode se estender por vários anos, visando auxiliar o paciente no desenvolvimento de habilidades para lidar com suas emoções, pensamentos e comportamentos. O objetivo é promover uma perspectiva mais saudável e satisfatória da vida, embora a ideia de "cura" não seja um elemento central nesse tipo de abordagem. Os pacientes muitas vezes apreciam a terapia como uma oportunidade de desabafar, revivendo emoções e fatos. No entanto, alguns pacientes também expressam frustração por não alcançarem resultados rápidos em relação aos seus transtornos e problemas emocionais.

Existem relatos de pacientes que não conseguem obter o resultado esperado mesmo após alguns meses realizando tratamento psicológico. É o caso de Caroline Silva, que admite a sua insatisfação com a terapia convencional. “Já faz meses que vou ao psicólogo, mas não estou vendo nem sequer uma mudança na minha vida. Não sei mais o que fazer. Meu sofrimento emocional é muito grande. Estou triste e tenho dificuldade em me aproximar das pessoas, em me relacionar. Parece ser tudo tão difícil, tão fora do meu alcance que não sei mais o que fazer da minha vida.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que uma proporção significativa de pessoas com transtornos mentais não recebe tratamento adequado, tanto em países de alta renda (entre 35% e 50%), quanto em países de baixa e média renda (entre 76% e 85%). A OMS também aponta que uma pessoa comete suicídio a cada 45 minuto no Brasil, sendo que em 90% dos casos há associação com algum distúrbio mental.

O aumento na procura por terapia durante e após a pandemia tem sido observado de forma alarmante. De acordo com o Instituto IPSOS, cerca de 53% das pessoas entrevistadas no país afirmaram ter enfrentado algum comprometimento psicológico desde o surgimento da COVID-19. 

Outra queixa comum entre aqueles que buscam ajuda profissional é a falta de esperança de um término da terapia, que muitas vezes se estende por anos sem uma resolução permanente dos transtornos emocionais. Por outro lado, os psicólogos também enfrentam desafios, incluindo a insatisfação profissional devido a ferramentas limitadas e a sensação de impotência em ajudar de forma mais efetiva os pacientes que chegam ao consultório com problemas emocionais graves.

A "cura pela fala" é um método convencional amplamente utilizado na psicologia, influenciado pelas ideias de Freud. O médico e pesquisador austríaco, criador da Psicanálise, acreditava que os problemas emocionais eram trazidos para a consciência do paciente por meio da fala. Ele defendia que a terapia da fala ajudava o paciente a se tornar mais consciente de seus próprios pensamentos e sentimentos, permitindo uma abordagem mais eficaz e saudável dos problemas.

Terapia de Reprocessamento Generativo

Jair Soares, professor e psicólogo, percebeu a frustração dos pacientes e dos próprios profissionais diante das limitações da terapia convencional. A partir daí, ele desenvolveu uma metodologia chamada Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), baseada em sua própria experiência como portador de transtorno de ansiedade generalizada e depressão. A TRG busca proporcionar resultados mais breves e efetivos no tratamento dos problemas emocionais. Soares explica que existe uma expansão de psicólogos e muitos deles não observam resultados em certos pacientes: “Nós psicólogos somos treinados a vida toda a utilizar apenas métodos passivos, de escuta, que na maioria dos casos não é o suficiente para que o paciente se livre da depressão por exemplo, de traumas do passado, problemas que começam desde a infância ou adolescência e que aquela pessoa carrega há anos e não consegue se livrar disso, ao ponto de levar esses traumas para a vida adulta. Só falar, ou desabafar para o profissional, pode até amenizar os sintomas, porém não livrará a pessoa do problema permanentemente.”  

Foi pensando nisso que Jair Soares, psicólogo e também presidente do IBFT (Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas), estudou para desenvolver uma metodologia que ajudasse o cliente a resolver os seus problemas emocionais de forma breve e mais efetiva. Ele desenvolveu uma metodologia completamente diferente, a TRG, que atualmente é praticada por mais de 30 mil terapeutas em todo o Brasil: “A terapia não é voltada para o autoconhecimento, mas sim para resultados que possam, de forma breve, transformar a vida de cada cliente que procura por uma solução”, explica o especialista.   

Por meio dessa abordagem, vários casos foram tratados com sucesso. O reprocessamento realizado durante as sessões, explica Jair Soares, permite que o paciente reviva a cena traumática sem sentir o mesmo impacto emocional, resultando na superação dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida: “Atendi um rapaz que aos 7 anos presenciou seu pai assassinar sua mãe a facadas. A partir daí ele desenvolveu o que chamamos de transtorno de ansiedade e pânico, convivendo com essas dores emocionais durante 25 anos e à base de medicações. Durante as sessões, trabalhei com ele o reprocessamento, ao ponto dele conseguir enxergar a cena, lembrá-la e não sentir mais nada. O impacto de antes não existia mais e, em seguida, ele pôde se livrar de todos os sintomas derivados do trauma que sofreu, levando uma vida livre de remédios e sem crises emocionais”, conta Jair Soares. 

A psicóloga Cecília Silva também ressalta os benefícios da TRG. Além de resolver as suas feridas emocionais, ela passou a aplicar a metodologia com os próprios clientes, alcançando resultados melhores. “O impacto que eu tive com a Terapia de Processamento Generativo, a TRG, foi no meu reprocessamento, consegui achar a raiz do problema que começou na infância e que me levou a ter crises de ansiedade fortíssimas quase todos dias por muitos anos. Por ter a formação de psicóloga desde 1997, fiz diversas terapias e essas crises não iam embora, me deixando frustrada. Posso falar, por experiência, que a TRG mudou minha história. Hoje estou livre desses sintomas e trabalho esse método com os meus clientes”, finaliza Cecília. 

Assim, o intuito da TRG é auxiliar o cliente a reprocessar e resolver seus problemas emocionais no menor tempo possível. Trata-se de uma terapia breve, geralmente com um número reduzido de sessões em comparação com a abordagem convencional que pode levar entre 3, 4 ou 5 anos. A ênfase é dada à urgência de aliviar o sofrimento emocional do paciente, utilizando métodos terapêuticos eficazes. “Eu costumo dizer que quem tem dor, tem pressa!”, conclui o especialista.


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