23/06/2023 às 10h06min - Atualizada em 24/06/2023 às 00h02min

Festejos de São João dominam a agenda cultural deste final de semana

Com peculiaridades regionais, cidades do Nordeste instituíram tradições que se espalharam por celebrações em todo o país

SALA DA NOTÍCIA Ana Maria Cajado
Divulgação/Hurb

Todo o Brasil comemora as festas juninas desde o início deste mês. Afinal, a época é aguardada por muita gente: os festeiros, os que adoram as comidas típicas, as crianças prontas para participar das brincadeiras, e até aqueles que veem na época uma oportunidade de faturar. As festas de São João se popularizaram no país, mas você sabe como essa tradição começou? O Hurb, empresa de tecnologia no mercado do turismo há mais de 12 anos, conta um pouco mais sobre suas origens e particularidades.

Seguindo a data de nascimento de São João Batista, 24 de junho tornou-se o dia oficial do santo, principal protagonista dessa festividade. Mas engana-se quem acha que esta é uma celebração de origens brasileiras. A festa que exalta o espaço rural e a colheita é herança colonial dos portugueses, que comemoravam o solstício de verão. No Brasil, parte do hemisfério sul, a data se aproxima mais do início do inverno, período com temperaturas mais baixas e ar mais seco. Hoje, a tradição brasileira ganhou traços próprios e superou a celebração europeia. 

Com culinária, decoração, trajes, música e danças típicas, a festa conquistou de Norte ao Sul do país, mas suas maiores comemorações se concentram no Nordeste. Caruaru (PE), Campina Grande (PB), Aracaju (SE) e São Luís (MA) comemoram o São João com algumas peculiaridades regionais, que exaltam a cultura local, e fazem parte dos eventos realizados pela iniciativa pública por meio de editais. Outras regiões, como o Sudeste, adotaram as festividades. Elementos como a fogueira, a palha, o forró e as roupas xadrez, por exemplo, fazem parte da festa independente do endereço.

Há cerca de 1h30 de carro de Recife (PE), Caruaru está entre as cidades com registros mais antigos da celebração: registros históricos apontam que já aconteciam em 1854, apesar de não haver data precisa do seu início. Anos depois, na década de 1920, a manifestação popular já contava com programação em clubes, onde eram realizados bailes e recitais de poesia.

Trinta anos depois, as festas já se aproximavam da forma como a conhecemos hoje. Fazendas e sítios reuniam pessoas para dançar quadrilha ao som de estilo músico próprio e pratos típicos. O milho é uma das grandes estrelas dos pratos juninos, sendo comum que seu plantio seja realizado entre maio e junho. Ele chega fresco para a festa tanto na culinária quanto na decoração.

A festa chegou também ao espaço urbano, quando moradores passaram a interditar ruas para dar festas, chegando até a competirem pelo título de rua mais enfeitada e melhor quadrilha. As iniciativas animaram tanto a população que trouxeram fama a alguns endereços, como Av. Rio de Janeiro, 03 de maio e Capitão Zezé. O Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, no entanto, é o principal palco das maiores festas de Caruaru.

Em Campina Grande (PB), o espaço em destaque é o Parque do Povo, que reúne palcos e espaços voltados para gastronomia e artesanato. O evento deste ano marca os 40 anos da existência das festas de São João na capital, e a festa deve durar mais de 30 dias. No ano passado, a cidade recebeu o título de maior festa junina do país do Instituto Ranking Brasil. Uma das novidades para a comemoração deste mês é o Quadrilhódromo, pólo localizado na Estação Velha onde as tradicionais quadrilhas juninas devem se apresentar  nos dias de competição. Locais como o Parque da Criança e a Vila do Artesão também serão decorados de acordo.

Uma das atrações imperdíveis da cidade é o festival de quadrilhas, onde diferentes grupos apresentam histórias regionais através de composições, movimentos e vestimentas, em uma competição anual que acontece também no Parque do Povo.

Vale observar que, mais uma vez, o município conhecido pelo festejo não é a capital do estado, o que reforça suas origens rurais. Campina Grande, por exemplo, está a 126 km de João Pessoa.

Na capital do Sergipe, o Forró do Caju leva cerca de um milhão de pessoas para o centro histórico de Aracaju. A festa acontece oficialmente desde 2013 e promove grandes artistas nacionais, assim como atrações genuinamente locais, com uma super estrutura que inclui até camarotes. Esse ano, a festa termina na próxima quinta-feira (29/06). No Bairro Industrial, no entanto, a festa popular já é centenária e atrai multidões de todas as idades para apresentações de trios pés-de-serra.

No Maranhão, os diferenciais dos festejos de São Luís são o Bumba Meu Boi e o Cacuriá. O primeiro conta a lenda sobre a ressurreição do animal por meio da dança, enquanto a segunda substitui a quadrilha como a conhecemos, colocando casais rebolando ao som do carimbó de caixa no palco. A cultura afro-brasileira também é celebrada com o tambor de crioula, manifestação que envolve percussão, canto e danças circulares. De acordo com o calendário oficial da cidade, as festas acontecem no final de julho e início de agosto, diferentementes dos outros destinos.

Ao contrário do que acontece em todo o Nordeste, a maior parte das festas juninas parte da iniciativa privada ou por instituições religiosas, sendo também chamadas de quermesses. Elas são caracterizadas por barraquinhas que comercializam não só comidas típicas, mas também espetinho de churrasco, pizzas e hot dogs, para agradar todos os gostos. A novidade, no entanto, recebe críticas por fugir da tradição.

Na região, os mineiros são os mais dedicados a seguir o exemplo nordestino. Ainda que o São João seja celebrado na capital há bastante tempo, foi registrado oficialmente apenas em 1979 - quando grupos de quadrilha foram reunidos na Praça da Estação. A partir do ano seguinte, o evento também passou a ser coordenado pela prefeitura local, a fim de preservar a tradição da manifestação genuinamente popular e sua importância para a cultura.


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