20/06/2023 às 08h48min - Atualizada em 22/06/2023 às 00h02min

Educadoras reforçam a importância do cinema nacional como aliado do ensino

Da Educação Infantil ao Ensino Médio, produções da sétima arte no Brasil, que celebram 125 anos de história no mês de junho, são ferramentas de reflexão social e formação identitária

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Imagem ilustrativa
A cinematografia teve início oficial no Brasil em 19 de junho de 1898, quando Afonso Segreto, considerado o primeiro cinegrafista e diretor do país, registrou imagens da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde então, a sétima arte nacional se tornou uma potência cultural, com nomes consagrados: Glauber Rocha, Walter Salles, José Padilha e Fernando Meirelles, entre outros. Dessa forma, como outras formas de expressão artística, o cinema também compõe um elemento importante não somente para a cultura, mas também para a educação, uma vez que tem o potencial de promover a reflexão dos alunos sobre a história, a política e a sociedade como um todo.

Para os estudantes mais novos, a professora das disciplinas de Língua Portuguesa, História e Geografia, do 5º ano do Colégio Integrado Kids, Janine Melo, destaca que o cinema pode despertar a imaginação e o interesse pelo conhecimento, com uma linguagem mais acessível para a criança, especialmente as produções nacionais, por se aproximarem da realidade do estudante. “O cinema tem se tornado cada vez mais aliado da sala de aula, independente da disciplina. Temos filmes dos assuntos variados que completam as explicações e contribuem para acomodar a aprendizagem”, pontua.

A professora de História da Arte do Colégio Integrado, Laura Macêdo, por sua vez, avalia que é possível despertar nos estudantes, por meio dos filmes, a vontade de experimentar e conhecer, de expressar suas vontades de ser, viver e aprender, contribuindo para o processo de formação identitária. “A utilização do cinema como ferramenta educacional desenvolve nos estudantes habilidades que envolvem a própria percepção da sociedade, promovendo uma melhor interpretação e abordagem de temas históricos e literários, os quais são trabalhados também em sala de aula”, explica a educadora, que iniciou com seus alunos um projeto de exibição de filmes e debates para aguçar as percepções de cada um diante dos temas tratados no cinema brasileiro.

Laura conta que foi desenvolvido um trabalho de análise das produções audiovisuais contemporâneas, com estudo do contexto histórico do surgimento do cinema no Brasil. Obras consagradas, como Central do Brasil, de 1999, puderam ser analisadas por meio da apresentação em um cine pipoca, no turno vespertino da escola. “Para esse projeto, propus aos estudantes que debatessem sobre a importância do cinema no Brasil e questionassem sobre quais ações levaram à criação do Cinema Novo, como a Ditadura Civil Militar influenciou no apagamento dessas produções e o que foi a retomada do cinema brasileiro”, relata. Ela acrescenta ainda que, na oportunidade, os alunos puderam pontuar questões específicas que tocaram ou chamaram a atenção de cada um.

Indicações de filmes brasileiros

Segundo Janine Melo, alguns filmes nacionais são excelentes para serem usados em sala de aula. “Recomendo, por exemplo, O Menino e o Mundo, que trata com sensibilidade como uma criança vê e sente o mundo dos adultos. E também Tainá 3 – A Origem, filme que apresenta temas da preservação ambiental, diversidade e consumo consciente, além de proporcionar a discussão sobre os povos originários do Brasil”, destaca.

Já Laura Macedo traz duas sugestões que fogem do óbvio. A primeira é Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi. “Trata-se de uma animação brasileira que conta a história de um herói imortal e sua companheira Janaína, capazes de percorrer diversos períodos históricos do Brasil, vivenciando desde a escravidão durante a colonização portuguesa até a Ditadura Militar. O filme retrata os momentos de sobrevivência do casal em todas essas fases históricas, inclusive propondo uma previsão de país para 2026. Os assuntos tratados no filme são indicados para os estudantes do Ensino Médio, propondo uma percepção decolonial da história do Brasil”, resume.

Outra indicação da professora é o documentário Lixo Extraordinário, de Lucy Walker. “A produção mostra, por meio do trabalho do artista plástico Vik Muniz, uma nova perspectiva para a excessiva produção e distribuição do lixo. No filme, é apresentada a realidade do maior aterro sanitário da América Latina, localizado em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde diversos catadores apontam a sua realidade enquanto comunidade que mora no entorno do local e convive diretamente com essa realidade. A obra pode ser utilizada com estudantes do Ensino Fundamental e Médio, sob uma proposta de discussão, envolvendo arte, meio ambiente e desigualdade social”, conclui.

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