20/05/2024 às 11h38min - Atualizada em 22/05/2024 às 00h02min

Aspectos psicológicos de pessoas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul: um alerta necessário e um guia para ação

DAIANE KOHLER
Daiane Köhler – Assessoria de Imprensa MTB 15655 | @daikohler.assessoria
Rafaela de Rosso/Divulgação

As enchentes no Rio Grande do Sul não apenas causam danos físicos e materiais, mas também têm um impacto significativo na saúde mental das pessoas afetadas. É fundamental que os governos, as organizações da sociedade civil e a comunidade em geral reconheçam essa realidade e trabalhem juntos para oferecer suporte adequado às vítimas, além de implementar medidas de prevenção que abordem os aspectos emocionais. 

Os principais impactos psicológicos devido às enchentes são sentimentos como medo, ansiedade, insegurança, angústia, tristeza e sensação de desesperança devido à incerteza do futuro. Inicialmente, os primeiros socorros psicológicos não são necessariamente realizados por profissionais. Devido às circunstâncias, qualquer pessoa apta, de preferência que tenha realizado cursos para situações emergenciais, pode prestar os primeiros socorros psicológicos aos atingidos.

 “Neste momento, é importante não fazer perguntas em que a vítima precise reviver o episódio traumático. Questione o que é mais importante para a vítima neste momento, com qual ajuda emergencial o voluntário pode colaborar imediatamente. Após este acolhimento, é avaliado se a vítima precisa de acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico”, recomenda a psicóloga clínica, Rafaela de Rosso.

Quando a pessoa é exposta a eventos traumáticos, como no caso de enchentes, é esperado que apareçam reações pós-traumáticas, tais como ansiedade, estado de choque, medo, raiva, choro repetitivo, além da possibilidade de afetar a memória e a vontade de se isolar. “Também podem se desenvolver lembranças intrusivas, sonhos angustiantes ou a sensação de que o evento traumático se repetirá”, esclarece Rosso. Segundo a psicóloga, qualquer pessoa exposta direta ou indiretamente pode ter reações como consequência do que presenciou ou assistiu. Por isso, a importância de não compartilhar cenas fortes que possam expor a vítima de forma repetitiva ao episódio traumático, pois pode aumentar o sofrimento psicológico.

A maioria das cidades afetadas, conta com grupos voluntários de profissionais qualificados para acompanhamento da saúde mental. A respeito do suporte social e comunitário, a psicóloga alerta sobre o cuidado necessário no momento de apoio às vítimas para que seus sentimentos ou dor não sejam invalidados ou minimizados, pois do ponto de vista sistêmico, cada pessoa possui um histórico de vida e um nível de resiliência para cada situação.

 

Compreendendo a Profundidade do Impacto:

  • Trauma e Sofrimento Emocional: As inundações desencadeiam uma onda de medo, ansiedade, insegurança, angústia, tristeza e desesperança. A incerteza do futuro, a perda de bens e laços sociais geram um sofrimento profundo que precisa ser reconhecido e acolhido.
  • Reações Pós-Traumáticas: É comum que as vítimas vivenciem flashbacks, pesadelos, irritabilidade, insônia e dificuldade de concentração. Em alguns casos, o trauma pode levar ao desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), exigindo acompanhamento psicológico especializado.
  • Impactos em Grupos Vulneráveis: Crianças, idosos e pessoas com histórico de transtornos mentais são especialmente suscetíveis aos efeitos psicológicos das inundações. É importante oferecer suporte individualizado e grupos de apoio para atender às suas necessidades específicas.

Ação Urgente e Colaborativa:

  • Acolhimento Imediato: Primeiros socorros psicológicos, mesmo que realizados por pessoas capacitadas e não necessariamente por psicólogos, são essenciais para oferecer apoio inicial e estabilizar as vítimas.
  • Escuta Ativa e Empatia: É fundamental evitar perguntas que remetam ao trauma e, em vez disso, criar um espaço seguro para que as pessoas expressem seus sentimentos e recebam o apoio necessário.
  • Avaliação Profissional e Acompanhamento: Psicólogos e psiquiatras devem avaliar cada caso e definir o tipo de acompanhamento necessário, seja terapia individual, grupos de apoio ou medicação, quando necessário.
  • Medidas Preventivas: A longo prazo, é importante investir em medidas que promovam a educação em saúde mental da população, planos de contingência para desastres e ações de apoio social às comunidades mais vulneráveis.
 

Rafaela de Rosso, psicóloga clínica com abordagem sistêmica. Pós-graduanda em terapia familiar. Sócia-fundadora da Clínica Vínculos, com atendimento psicológico presencial em Cachoeirinha/RS e online para todo o Brasil. 

Daiane Köhler – Assessoria de Imprensa MTB 15655 | @daikohler.assessoria 


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