Mais do que o tradicional intercâmbio, a internacionalização no ensino superior está há tempos integrada à estratégia institucional das universidades. Agora, ganha nova força com a busca de instituições brasileiras como alternativa para quem, antes do cerco do governo Donald Trump a imigrantes, via os Estados Unidos como destino para fazer o ensino superior fora.
Uma das modalidades de internacionalização mais comuns é a dupla titulação, na qual o estudante cursa parte de sua graduação no exterior e obtém diplomas reconhecidos tanto no Brasil quanto na universidade do exterior.
Michele Correa Lima Leal, gerente de internacionalização da ESPM, afirma que esse formato tem atraído os estudantes da instituição. “Desde sua implementação, os programas já beneficiaram dezenas de alunos, preparando-os para carreiras globais.”
Em São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie também aposta no modelo, com programas de dupla titulação que variam de um semestre a dois anos no exterior. Além disso, ambas as instituições oferecem alternativas como estágios internacionais, cursos de curta duração e projetos de pesquisa colaborativa.
Entre 2013 e 2024, 21 estudantes da ESPM participaram do programa de estágio internacional (TWC), enquanto 37 concluíram a dupla titulação de 2014 a 2024. Na Mackenzie, nos últimos três anos, cerca de 600 alunos já realizaram o programa de internacionalização em uma das 150 universidades parceiras da instituição em 38 países.
Mas o intercâmbio estudantil, sem o segundo diploma, continua sendo opção para a vivência internacional na graduação.
Na UB (Universidade Brasil), o modelo de mobilidade de até 25% da carga horária para estudantes de medicina permite uma vivência de até seis meses em outras instituições. A universidade também oferece editais de fomento institucional, como o que custeou a ida de três alunas para a China para estudar a fusão da medicina ocidental com a tradicional chinesa.
Para participar do programa de internacionalização, o preparo do estudante começa muito antes do embarque. O planejamento deve abranger desde a proficiência no idioma até as questões financeiras e acadêmicas.
Folha Estudantes
Um guia semanal em 6 edições para quem precisa planejar os estudos até o Enem.
Bárbara Costa, reitora da UB, ressalta que o maior desafio do estudante é o idioma. O domínio da língua do país de destino ou, ao menos, do inglês, é um pré-requisito essencial para o sucesso dessa experiência.
Além disso, a preparação também exige uma análise criteriosa dos editais e programas disponíveis nas universidades. Algumas instituições, como ESPM e Mackenzie, oferecem palestras semestrais e suporte individualizado para auxiliar os estudantes. Outras, caso da UB, selecionam os candidatos com base em projetos e propostas de pesquisa.
Costa também ressalta a necessidade de o estudante pesquisar sobre o custo de vida no país de destino, que pode influenciar a duração e o tipo de intercâmbio. A reitora da Universidade Brasil explica que as instituições buscam oferecer convênios que se encaixem no padrão e realidade do aluno.
Para Michele Correa, da ESPM, ao voltar da experiência internacional o estudante retorna com uma análise mais crítica, propondo soluções criativas e antecipando tendências. “No aspecto pessoal, [esses programas] estimulam a autonomia, a resiliência e a convivência multicultural. E, no campo profissional, representam um diferencial competitivo decisivo em um mercado de trabalho globalizado.”
Marco Tullio Vasconcelos, reitor da Mackenzie, reforça a importância dessas competências, afirmando que essa vantagem competitiva é um dos grandes atrativos da internacionalização.
“Estudos revelam, inclusive, maiores probabilidades de obtenção de posições de empregabilidade no mercado de trabalho, com propostas salariais superiores, se comparado a um mesmo estudante sem a experiência internacional”, afirma.
Gustavo Hoffmann, diretor da SKEMA Business School no Brasil, instituição que também oferece dupla e tripla titulação, afirma que a internacionalização não diminui o valor dos diplomas tradicionais.
“Não se trata de desvalorizar diplomas tradicionais, mas de reconhecer que o mundo corporativo global exige algo a mais. Quem combina formação acadêmica com experiência multicultural sai à frente [no mercado de trabalho], preparado para enfrentar os desafios complexos do futuro”, opina Hoffmann.
Algumas universidades públicas oferecem aos estudantes a oportunidade de graduação e pós-graduação no exterior, por meio de parcerias com outras instituições.
A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) oferece cinco opções de intercâmbio de graduação e pós-graduação. Esses programas são divulgados por meio de editais lançados pela universidade, que definem critérios e regras para a seleção dos participantes.
Entre os programas estão os que são direcionados aos alunos de graduação e de pós-graduação em universidades conveniadas com a instituição mineira. Para se inscrever, os estudantes precisam estar atentos aos editais lançados pela UFMG ao longo do ano, com regras e critérios de seleção.
Na USP (Universidade de São Paulo), um dos modelos disponíveis é o de internacionalização da pós-graduação. A instituição paulista afirma, em seu site oficial, que esse processo acontece por meio de acordos bilaterais, em “que se desenvolvem projetos conjuntos de pesquisa entre grupos brasileiros e estrangeiros e pela mobilidade de alunos e docentes”.
“Tais ações auxiliam na inserção em redes internacionais de pesquisa, na obtenção de financiamento estrangeiro para pesquisas, na melhoria qualitativa das pesquisas e na obtenção de duplo-diploma para mestrandos e doutorandos”, afirma a universidade.
A Folha oferece assinatura gratuita para estudantes que se inscreverem no Enem; clique aqui para saber mais.
Mais do que o tradicional intercâmbio, a internacionalização no ensino superior está há tempos integrada à estratégia institucional das universidades. Agora, ganha nova força com a busca de instituições brasileiras como alternativa para quem, antes do cerco do governo Donald Trump a imigrantes, via os Estados Unidos como destino para fazer o ensino superior fora.
Uma das modalidades de internacionalização mais comuns é a dupla titulação, na qual o estudante cursa parte de sua graduação no exterior e obtém diplomas reconhecidos tanto no Brasil quanto na universidade do exterior.
Michele Correa Lima Leal, gerente de internacionalização da ESPM, afirma que esse formato tem atraído os estudantes da instituição. “Desde sua implementação, os programas já beneficiaram dezenas de alunos, preparando-os para carreiras globais.”
Em São Paulo, a Universidade Presbiteriana Mackenzie também aposta no modelo, com programas de dupla titulação que variam de um semestre a dois anos no exterior. Além disso, ambas as instituições oferecem alternativas como estágios internacionais, cursos de curta duração e projetos de pesquisa colaborativa.
Entre 2013 e 2024, 21 estudantes da ESPM participaram do programa de estágio internacional (TWC), enquanto 37 concluíram a dupla titulação de 2014 a 2024. Na Mackenzie, nos últimos três anos, cerca de 600 alunos já realizaram o programa de internacionalização em uma das 150 universidades parceiras da instituição em 38 países.
Mas o intercâmbio estudantil, sem o segundo diploma, continua sendo opção para a vivência internacional na graduação.
Na UB (Universidade Brasil), o modelo de mobilidade de até 25% da carga horária para estudantes de medicina permite uma vivência de até seis meses em outras instituições. A universidade também oferece editais de fomento institucional, como o que custeou a ida de três alunas para a China para estudar a fusão da medicina ocidental com a tradicional chinesa.
Para participar do programa de internacionalização, o preparo do estudante começa muito antes do embarque. O planejamento deve abranger desde a proficiência no idioma até as questões financeiras e acadêmicas.
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Bárbara Costa, reitora da UB, ressalta que o maior desafio do estudante é o idioma. O domínio da língua do país de destino ou, ao menos, do inglês, é um pré-requisito essencial para o sucesso dessa experiência.
Além disso, a preparação também exige uma análise criteriosa dos editais e programas disponíveis nas universidades. Algumas instituições, como ESPM e Mackenzie, oferecem palestras semestrais e suporte individualizado para auxiliar os estudantes. Outras, caso da UB, selecionam os candidatos com base em projetos e propostas de pesquisa.
Costa também ressalta a necessidade de o estudante pesquisar sobre o custo de vida no país de destino, que pode influenciar a duração e o tipo de intercâmbio. A reitora da Universidade Brasil explica que as instituições buscam oferecer convênios que se encaixem no padrão e realidade do aluno.
Para Michele Correa, da ESPM, ao voltar da experiência internacional o estudante retorna com uma análise mais crítica, propondo soluções criativas e antecipando tendências. “No aspecto pessoal, [esses programas] estimulam a autonomia, a resiliência e a convivência multicultural. E, no campo profissional, representam um diferencial competitivo decisivo em um mercado de trabalho globalizado.”
Marco Tullio Vasconcelos, reitor da Mackenzie, reforça a importância dessas competências, afirmando que essa vantagem competitiva é um dos grandes atrativos da internacionalização.
“Estudos revelam, inclusive, maiores probabilidades de obtenção de posições de empregabilidade no mercado de trabalho, com propostas salariais superiores, se comparado a um mesmo estudante sem a experiência internacional”, afirma.
Gustavo Hoffmann, diretor da SKEMA Business School no Brasil, instituição que também oferece dupla e tripla titulação, afirma que a internacionalização não diminui o valor dos diplomas tradicionais.
“Não se trata de desvalorizar diplomas tradicionais, mas de reconhecer que o mundo corporativo global exige algo a mais. Quem combina formação acadêmica com experiência multicultural sai à frente [no mercado de trabalho], preparado para enfrentar os desafios complexos do futuro”, opina Hoffmann.
Algumas universidades públicas oferecem aos estudantes a oportunidade de graduação e pós-graduação no exterior, por meio de parcerias com outras instituições.
A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) oferece cinco opções de intercâmbio de graduação e pós-graduação. Esses programas são divulgados por meio de editais lançados pela universidade, que definem critérios e regras para a seleção dos participantes.
Entre os programas estão os que são direcionados aos alunos de graduação e de pós-graduação em universidades conveniadas com a instituição mineira. Para se inscrever, os estudantes precisam estar atentos aos editais lançados pela UFMG ao longo do ano, com regras e critérios de seleção.
Na USP (Universidade de São Paulo), um dos modelos disponíveis é o de internacionalização da pós-graduação. A instituição paulista afirma, em seu site oficial, que esse processo acontece por meio de acordos bilaterais, em “que se desenvolvem projetos conjuntos de pesquisa entre grupos brasileiros e estrangeiros e pela mobilidade de alunos e docentes”.
“Tais ações auxiliam na inserção em redes internacionais de pesquisa, na obtenção de financiamento estrangeiro para pesquisas, na melhoria qualitativa das pesquisas e na obtenção de duplo-diploma para mestrandos e doutorandos”, afirma a universidade.
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